A grama do vizinho

  
É impossível viajar e não fazer comparações. Comparamos preços, hábitos, programas de TV e a cultura como um todo. Nenhum lugar é perfeito e um sinal de que conhecemos um lugar é pelos seus defeitos.

A Coreia do Sul é um país fantástico que mostra claramente o poder da educação no desenvolvimento de uma nação. Um país moderno e vibrante com marcas consagradas como Samsung e Hyundai. Mas a comida é dureza. Não consegui me adaptar. O povo é muito educado e cordial.

Voltar ao Chile esse ano foi uma experiência muito boa também. O país continua sendo a referencia na região. A foto que ilustra este post foi tirada por mim em Santiago. Lembro que fiquei impressionado com a limpeza e conservação da cidade.

É a segunda vez que venho a Berlim, a primeira foi em 2006 e eu já tinha ficado com uma ótima impressão do país. Agora, andando rua por rua, pelos parques e praças pude notar que a cidade é limpa e bem conservada mesmo longe dos pontos turísticos. Essa organização, somada à segurança permitem que o cidadão viva a cidade, aproveite seus recursos e tenha qualidade de vida.

O desenvolvimento é isso. É a capacidade de se deslocar com infraestrutura e segurança. Coisas tão básicas, mas que aparentemente nunca vão acontecer no Brasil. É uma pena.

Salada de batata com iogurte

Quando viajamos criamos uma série de memórias. E para cada memória desenvolvemos uma relação afetiva. Eu coleciono memórias gustativas.

Quando fui para os Estados Unidos em 2001, a Sarah comprava uma salada no Safeway (supermercado local) chamada Chinese Chicken Salad. A salada leva macarrão de arroz, frango empanado, legumes, frutas e amendoim. O sabor dessa salada me lembra a Califórnia. E quando voltei para lá esse ano tive que ir no Safeway e comprar a salada. Boas lembranças.

Os pratos do restaurante Quan An Ngon em Hanói também vivem na minha memória. A comida vietnamita foi uma grata surpresa na minha vida. É de longe a comida mais saborosa que eu já experimentei em um restaurante. Aqui em Berlim os restaurantes vietnamitas são numerosos e estão sempre com movimento.

Berlim já tem seu lugar guardado nas minhas memórias gustativas. Logo na minha primeira semana aqui eu descobri a salada de batata com iogurte. Fica muito mais leve do que a versão com maionese. Bem temperada e pronta para consumo pode ser servida como acompanhamento, lanche ou aperitivo. Uma delicia!

  

Deutsche Sprache, Schwere Sprache

  
Você chega no elevador e vê uma placa do tamanho da porta com os dizeres acima. É aí? Aí você lembra das palavras-chave do idioma e percebe que o elevador é SOMENTE (NUR) para pessoas. O elevador de carga fica no canto.

As aulas de alemão continuam e a cada dia melhora mais o meu nível de compreensão. A pronúncia é outra parte essencial para vencer o idioma.

A letra z tem som de tz (como na pizza) e o g no fim da palavra tem som de ch (chiado). A letra s tem som de z.

Assim, siebzig (70) é pronunciado ziebtzich.

Hoje caminhei aproximadamente 10 km pela cidade. E olhando as placas e anúncios me senti cada vez mais familiarizado com o idioma. Aos poucos vou deixando de ser analfabeto, uma transformação incrível em apenas 2 semanas. A minha expectativa é que em 4 meses eu consiga ultrapassar a barreira de 50% de compreensão oral e escrita. Mas para isso vou precisar me dedicar muito ao idioma.

Backstube

Domingo tudo está fechado em Berlim. A gente lê isso na Internet e não acredita. Tem que sair na rua e passar por três mercados, dois shoppings e uma loja de departamento. Dizem os antigos que nem restaurante abria no domingo. A salvação era a padaria que ficava aberta até as 11 da manhã. Hoje em dia já é possível almoçar em um bistrô ou lanchar em um café. Mas também para por aí. Nem a praça de alimentação do shopping abre.

Nos domingos de sol como hoje todos querem aproveitar até o último minuto dos seus raios porque sabem que em breve ele não vai mais aquecer e pouco aparecerá. Nos parques o pessoal fica deitadão na grama sem camisa e até menos roupa curtindo a praia de grama.

As crianças e os cachorros brincam nos chafarizes da cidade e os velhinhos saem a toda com seus andadores. As bicicletas voam pelas ciclovias como sempre. Todo cuidado com bicicleta aqui é pouco e atravessar uma ciclovia é muito mais difícil do que atravessar a rua com os carros. Aqui só se atravessa no sinal verde para o pedestre e, de preferência, na faixa.

Os cachorros aqui são extremamente europeus. Sempre muito calmos e civilizados, andam sem coleira boa parte do tempo, não latem, não correm e normalmente estão na terceira idade. Cachorros andam de metrô e frequentam restaurante. Hoje mesmo vi uma dona tentando brincar com o seu cachorro em vão. Ela jogava a bolinha, o cachorro pegava, ia até o meio do caminho, largava a bola e deitava. A dona ia até o cachorro, pegava a bolinha e jogava de novo. O cachorro lutava contra o instinto de levantar até que cedia e buscava a bola. Que parte da mensagem a dona não estava entendendo?

Domingo é o dia de ir na Backstube ou Bäckerei ou simplesmente Back.  A padaria é parada obrigatória por aqui e até os mercados vendem pãozinho francês fresco (de segunda à sábado). Tem também a versão congelada para fazer no forno de casa. O recheio popular é o mundialmente consagrado queijo e presunto. A única diferença é que aqui você pode comprar o queijo mais sem vergonha e o presunto mais barato e ainda assim vai ser delicioso. E se quiser gastar um pouquinho mais aí o negócio fica sério. Tão sério que tem loja especializada que só vende embutido. E não são poucas.

Com tantas padarias e parques é impossível não planejar um picnic para o próximo fim de semana. Se fizer sol!

Mapa de Berlim

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Berlim é uma cidade enorme com diversas regiões. São 3,5 milhões de habitantes, fazendo da cidade a segunda maior da Europa (perdendo somente para Londres).

O centro da cidade é conhecido como Mitte e também tem subdivisões – Moabit, Wedding,  Gesundbrunnen, Tiergarten e Mitte (o centro de fato). As sub-regiões de Moabit, Wedding e Gesundbrunnen concentram a maioria dos imigrantes.

A área de Charlottenburg era o centro da Berlim Ocidental antes da reunificação da Alemanha. O bairro é cheio de história e o prédio vizinho ao nosso, por exemplo, foi a sede da Suprema Corte Nazista entre 1936 e 1943. O bairro também abriga o Palácio de Charlottenburg, que foi a residência de verão da Rainha Sophie Charlotte. Em 2004 a região de Wilmersdorf foi anexada a Charlottenburg. Wilmersdorf é a principal área de shoppings da região e concentra teatros, restaurantes e hotéis.

mapa-escolas

No mapa acima destaquei o nosso endereço atual (Witzlebenplatz, 6), a faculdade da Sarah e o meu curso de alemão (Deutsche Akademie Sprachschule). No canto superior esquerdo fica o Palácio, na parte central do mapa fica o Tiergarten (uma espécie de Central Park) e o meu curso fica na Alexanderplatz. São 9,2 km de distância (2 horas de caminhada) que dá mais ou menos 30 minutos de metrô de porta a porta. A Kurfürstendamm está na parte inferior esquerda do mapa. É a rua das grifes e está sempre lotada de turistas.

Apartamento 2

Ainda estamos procurando um apartamento definitivo. Gostei muito da região de Charlottenburg e por isso estamos concentrando nossas buscas aqui.

Deixamos o apartamento da Lisa e seguimos para o nosso segundo apartamento temporário.  É um apartamento térreo em frente ao lago Lietzensee. A região é muito, muito, muito bonita e toda vez que eu chego no apartamento eu fico admirando a beleza.

Aproveitei o dia de sol para tirar umas fotos do lago e do prédio.

   
    
 

Prost!

A Alemanha é o país da cerveja. A Oktoberfest é a maior festa do país e acontece em Munique, este ano entre 19 de setembro e 3 de outubro.

Desde que cheguei aqui provei algumas cervejas. A minha preferida até o momento é a Beck’s Gold. Ela lembra um pouco a Heineken.

 

 A Berliner Kindl Pils lembra as cervejas premium brasileiras.
  
Ontem experimentei uma Radler. Ela é 50% cerveja e 50% suco natural de limão. O teor alcóolico é de 2,5%.

  

A próxima cerveja que vou provar é a Löwenbräu Oktoberfestbier. Ela é mais forte do que a tradicional com seus 6,1% de teor alcóolico.

  
E assim vou conhecendo esta faceta da cultura alemã. Um país que chama carinhosamente a cerveja de pão líquido. Prost!

Ja, Genau!

“Genau” é uma expressão alemã que serve para quase tudo. Ela corresponde a expressão brasileira “Beleza” e é usada o tempo todo nas conversas, nos jornais e até nas propagandas. No dicionário o significado da palavra Genau é “exatamente”, mas quando você fala “Ja, Genau” o significado já muda para “Com certeza”. Foi a palavra que eu mais ouvi desde que cheguei na Alemanha.

Outra curiosidade sobre o idioma são os números. A partir do 21 os números são falados invertidos:

  • 21 – Einundzwanzig -“um e vinte”
  • 32 – Zweiunddreißig – “dois e trinta”
  • 43 – Dreiundvierzig – “três e quarenta”
  • 54 – Vierundfünfzig – “quatro e cinquenta”
  • 65 – Fünfundsechzig – “cinco e sessenta”
  • 76 – Sechsundsiebzig – seis e setenta”
  • 87 – Siebenundachtzig – “sete e oitenta”
  • 98 – Achtundneunzig – “oito e noventa”

Por último, tem essa letrinha alemã Eszett – ß. Ela tem som de “ss” e pode ser encontrada em todas as placas de rua da cidade, já que é com ela que se escreve Straße (rua em alemão). E é assim que se fala Strasse, com dois s!

Richtig? Richtig!

Passeio de sábado

Hoje foi dia de passear pela cidade. Saímos de Charlottenburg, fomos até o Tiergarten, Checkpoint Charlie e Potsdamer Platz. Foram 15,6 km de caminhada em um dia de sol com temperaturas amenas entre 18 e 23 graus.

   
   

Sorrisos

  
Foto: Hanói, Vietnã (2013) por Antenor.

Andando pelas ruas de Hanói comecei a sentir o mundo novamente. Estava nublado e de tempos em tempos chovia um pouco. O céu cinza, os prédios baixos e sem cor, as pessoas andando pelas ruas com roupas simples. E a única coisa que se destacou na paisagem foi um sorriso.

Quantos sorrisos passam por nós todos os dias e não notamos? Quanto esforço fazemos para nos mantermos confortavelmente dormentes?

Vivemos em uma constante explosão de sensações. Explosões que nos deixam dormentes, como a cegueira temporária que ocorre após um clarão. E é perfeitamente compreensível a busca pela dormência. É a maneira mais rápida de se alcançar a interrupção do sofrimento. Sofrimentos naturais como o envelhecimento e cotidianos como as nossas insatisfações.

Mas tudo na vida é uma troca e a dormência cobra o seu preço. Perdemos o sorriso, o vento que bate nas folhas da árvore, o movimento da água no lago e a nuvem branca que deixa o céu azul ainda mais bonito.

E foi viajando pelo mundo que eu percebi que a melhor parte da viagem é o compromisso com o momento. Momentos em que vivemos plenamente o presente e aproveitamos cada gota que a vida oferece. Como quando mergulhei na Austrália e enquanto observava os peixes e corais, minha cabeça estava 100% ali e pude viver alguns minutos naquele mundo fantástico.

A Bolívia me mostrou uma beleza bruta que até então eu não conhecia. A Terra no seu estado mais primitivo, com vulcões, géiseres, lagoas coloridas e desertos de sal. Mas o que realmente me impressionou foi ver que ali era possível observar o tempo passar, a Terra nascer das suas próprias entranhas e envelhecer até se tornar uma rocha inerte. Até um dia nascer novamente.

Andando pelas ruas de Berlim comecei a conviver mais comigo mesmo e a aproveitar melhor a minha companhia. E a luz que cegava já não é tão forte. Já sinto o vento no rosto e ouço as folhas brincando nas árvores. E aos poucos mais sorrisos surgem no meio da multidão.