Primeiras fotos do Apê

   
O quarto é muito bom. A cama é confortável e o armário é muito prático. No cantinho do quarto colocamos a balança para controlar o nosso peso. Tenho que maneirar no Kartoffel Salat!

 
Este é a mesa do escritório. A cadeira é bem boa e a mesa tem bastante espaço para estudar.

   
A cozinha é um espetáculo! Muitos armários, um bar bem simpático e um fogão de primeira. No cantinho está a minha chaleira elétrica, muito boa para fazer um chá de manhã ou esquentar a água do arroz.

 
O banheiro é bem amplo e tem um secador de toalha. Muito útil no inverno! O chuveiro aqui fica dentro da banheira, seguindo a tradição alemã.

A sala ainda está muito bagunçada, mas espero conseguir arrumar tudo o que falta até sexta-feira.

O prédio é muito novo e o primeiro inquilino só morou 4 meses aqui. Está tudo em ótimas condições!

U-Bahn e S-Bahn

O meu alemão vai melhorando a cada dia. Assim como a minha habilidade de andar de metrô em Berlim. Aqui existe um metrô de superfície (S-Bahn) e um metrô subterrâneo (U-Bahn). O bonde e o ônibus também são integrados.

A rede de transporte é tão extensa que é possível chegar a um destino de muitas maneiras diferentes. Hoje foi um dia de testar novos caminhos. Normalmente eu vou de U-Bahn de Sophie-Charlotte-Platz até o Zoologischer Garten e de lá pego um S-Bahn até a Alexanderplatz. Hoje fui para o curso pegando um S-Bahn até Gesundbrunnen e de lá peguei um U-Bahn até a Alexanderplatz. Na volta fiz um caminho ainda mais diferente indo de S-Bahn de Alexanderplatz até Westkreuz e de lá pegando outro S-Bahn até Westend.

  
Fazer caminhos diferentes é uma maneira de andar no contrafluxo e pegar sempre o trem sentado. Assim posso ir lendo um livro ou estudando no caminho.

Outra coisa boa de fazer caminhos diferentes é conhecer novas regiões da cidade. Muitas estações tem shopping centers, mercados e até cinemas integrados.

O sistema é muito intuitivo e é possível checar on-line quanto tempo falta para o metrô/ônibus chegar antes mesmo de chegar na estação.

Hoje um turista me perguntou como chegar em uma estação e eu consegui explicar sem precisar consultar o mapa. Fiquei muito orgulhoso de mim mesmo!

Apartamento 3

Hoje foi dia de terminar a mudança. O dia foi muito cansativo, mas pelo menos esta foi a nossa última mudança em Berlim. Não tenho energias para escrever muito hoje, mas vou tentar resumir.

Começamos a mudança ontem, mas só hoje vamos dormir no novo apartamento. As roupas já estão no armário e a cama aqui é de casal. Compramos travesseiros de verdade, outra vida.

Tentei assinar o Netflix, mas até agora não deu muito certo. Conversei com a área de relacionamento hoje e eles me deram uma semana de graça para ver se eu consigo pagar no Brasil mesmo estando na Alemanha. A diferença de preço compensa o esforço.

O fogão daqui é muito bom, parecido com o que eu usava na casa da Lisa. Tem um forno grande também, o que faltava na casa do Antonio. A TV também é boa, mas só pega os canais alemães. Está passando Big Brother aqui, igual ao do Brasil.

Amanhã vou fazer o checkout da casa do Antonio. Como ele e a filha estão viajando, ele pediu para bater a porta e deixar a chave na caixa de disjuntores que fica do lado de fora. É nessas horas que eu lembro que estou na Europa.

Foram necessários 28 dias para encontrarmos um bom apartamento, sermos aceitos pelo proprietário, assinar o contrato de aluguel e fazermos a mudança. Conversando com colegas e conhecidos, todos dizem que nós batemos o recorde de menor tempo para conseguir entrar em um apartamento. Um polonês que estuda com a Sarah, por exemplo, está a 4 meses tentando.

Mas essa foi só a primeira missão de muitas que temos pela frente. Agora tenho que descansar porque amanhã vou ter que acordar cedo para colocar o alemão em dia! Fiz uma prova ontem e tirei 116,5/135. Uma nota boa, mas que poderia ter sido maior.

Chave na mão

Hoje foi um dia especial! Fui na minha primeira Oktoberfest. Tomei uma caneca de chopp de 1 litro. Não consigo imaginar como as alemãs andam com 6 canecas cheias pela festa servindo o pessoal.

   
 Mas a melhor parte do dia foi quando pegamos as chaves do nosso apartamento. Depois de passar 28 dias vivendo de Airbnb, finalmente temos um teto definitivo na Alemanha. Só agora desarrumamos as malas e começamos a arrumar o nosso novo lar.

Estou exausto! Mas estou feliz!

Choque cultural

Disclaimer: este post está recheado de generalizações que normalmente se provam equivocadas, cheias de preconceito e sem embasamento suficiente.

* * *

Entender a língua de um país é só um pequeno passo para entender a sua lógica. Estava estudando hoje e, apesar de entender exatamente o que estava escrito em alemão, eu não entendia qual era a tarefa que deveria ser executada.

Isso aconteceu diversas vezes comigo no Japão, quando me deparei com situações em que o idioma não era a barreira e sim a lógica aplicada.

A lógica alemã usa um pensamento estruturado com pouca ou nenhuma flexibilidade e focado em eficiência. Além disso, eles não toleram erros.

A forma de pensar alemã é muito diferente da americana, por exemplo. Americanos são mais impulsivos e gostam de riscos. O alemão se orgulha de falar sempre o que pensa enquanto o americano prefere o caminho da boa convivência no lugar da sinceridade. No mundo dos negócios os dois países também não se entendem muito bem. No fundo, o alemão parece não gostar do estilo americano de vida, dos excessos e da ineficiência. Mas enquanto o mundo inteiro (incluindo a Alemanha) estiver tomando café no Starbucks, acessando o Google em um iPhone e vendo a Netflix, os EUA não precisam se preocupar em serem eficientes. A capacidade do americano de transformar ideias em negócios é infinita.

O povo alemão é mais eficiente, tem uma vida melhor, um país melhor e até produtos melhores que os EUA. A Alemanha lembra o Japão em vários aspectos, com a diferença de que o alemão não é consumista. A principal semelhança é que nenhum dos dois povos tolera erros.

Mas é preciso esclarecer algo. O alemão é um povo muito simpático e amigável. São sinceros e tem um grande coração. Não tive nenhum problema aqui até agora, não fui repreendido por ninguém e com certeza já cometi inúmeros erros. Este nível de cobrança vem da maneira como são criados, mas eles sabem que outras culturas possuem outros parâmetros e respeitam isso.

Club-Mate

Nas escolas, faculdades e no mercado a bebida do momento é o Club-Mate. Os alemães parecem gostar muito desta planta exótica da América do Sul. Lembra muito o bom e velho Matte Leão, um pouco mais fraco e feito com água com gás.

  
“O mate é uma planta da floresta usada na América do Sul há séculos”, diz o texto. “O sabor da cafeína e do tanino tornam a bebida única”, completa.

Ikea

Hoje foi dia de ir na Ikea. Trata-se de uma loja de móveis e decoração, que inspirou centenas de outras pelo mundo, como Tok&Stok e Etna.

A Ikea é uma empresa sueca e está presente em 47 países. Seus móveis são famosos por serem fáceis de montar, de qualidade razoável e preços baixos.

Mas o grande diferencial da Ikea não está no design sueco ou na preocupação com o meio ambiente. A diferença está nas almôndegas!

O fundador da loja descobriu que as pessoas começavam a ir embora quando ficavam com fome. Ele notou também que as pessoas ficavam felizes depois de comer e compravam mais. Não teve dúvida, começou a vender comida dentro da loja.

A Ikea vende hoje em torno de 1 bilhão de almôndegas por ano nas suas 360 lojas pelo mundo. O prato com doze almôndegas custa 5 euros e a versão com batatas custa 5,50.

E foi exatamente isso que aconteceu comigo hoje. Estávamos passeando pela loja e fiquei com vontade de ir embora. Paramos no restaurante, comemos as almôndegas e ficamos mais 2 horas comprando. É um prato quente e que satisfaz. Não tem cara de fast-food e é servido em um ambiente super agradável.

Freitag

Terminamos a noite passeando pelo bairro, vendo o movimento dos restaurantes asiáticos da Kantonstraße, a loja da Apple no Ku’damm e a igreja Kaiser-Wilhelm. Ela foi alvo de bombardeios em 1943 e se transformou em um memorial. Os berlinenses apelidaram a igreja de dente oco (Hohle Zahn).

  

Wie Spät ist es?

A língua alemã está sempre pregando uma peça na gente. Hoje foi dia de descobrir que falar a hora aqui é super “lógico” somente na cabeça deles. Veja o nonsense:

Halb Fünf (meia cinco) – 4:30

Zehn vor Halb Fünf (dez antes meia cinco) – 4:20

Zehn nacht Halb Fünf (dez depois meia cinco) – 4:40

Tive que confessar à professora que eu perdi um pouco de respeito pela Alemanha depois disso e que, se fosse eles, não contava essa maluquice para ninguém.

Ela falou que eu deveria fazer uma petição solicitando que a norma fosse alterada. Eu sou a favor de que Halb Fünf, por exemplo, deveria ser 5:30 e não 4:30. E esse lance de 10 para as 4:30 também não faz o menor sentido.

Vou lá falar com a mamãe Merkel na primeira oportunidade sobre este assunto! É assim que os alemães, e agora também os refugiados, chamam carinhosamente a Chanceler, de Mutti.

Human – Uma breve análise 

Faça 40 perguntas para 2.020 pessoas e você terá 80.800 respostas. O documentário Human reúne cerca de 400 respostas, isto é, 0,5% de tudo que Yann Arthus-Bertrand ouviu.

Ao longo dos três volumes fica clara a voz do documentarista e como ele escolheu cuidadosamente as respostas para montar sua narrativa. Mas isso não diminui a obra, apenas a torna autoral. E o próprio Yann admite isto em entrevistas.

As paisagens do filme são espetaculares e valem um prêmio por si só. A música também é marcante e se funde perfeitamente com as imagens. Os dois elementos tem o papel de permitir que o espectador reflita entre um grupo de entrevistas e outro.

O mundo é um lugar muito interessante e, confesso que, vendo o documentário me deu vontade de viajar e conhecer cada um dos lugares filmados. Queria viver uns 500 anos para poder conhecer mil lugares diferentes e ficar em cada um por pelo menos seis meses. Aprender um pouco da língua, da cultura e das pessoas de cada canto desse mundo.

Eu conheço quase 40 países em 4 continentes e sinto que conheço muito pouco. Conheço um pouco da humanidade também e penso que com o devido distanciamento somos como qualquer outro ser vivo no Universo. Não consigo diferenciar o que muitos chamam de racional no homem ou muito menos de consciência.

Ao observar cuidadosamente um animal, seja um cavalo, um porco ou uma vaca é possível identificar personalidades únicas. Ordenhe duas vacas todo dia e você vai descobrir que cada uma tem um temperamento, gostos pessoais e maneiras de se expressar diferentes.

Mas o que tudo isso tem a ver com o documentário Human? Vendo as entrevistas não consegui parar de pensar como a humanidade é incapaz de gerir sua própria existência e como outras espécies estão a nossa frente. Dificultamos demais uma tarefa simples como viver.

As fronteiras e as religiões devastaram a raça humana. A vida, que por si só já é trágica, é um verdadeiro martírio para bilhões de pessoas. 

Mas é possível ter uma visão otimista também. O conceito de país deverá se extinguir em poucos séculos. Com a queda dos idiomas (já anunciada pelos gurus da tecnologia) nos restará somente a divisão pela crença. Na verdade, este processo de queda das fronteiras tende a acentuar a divisão religiosa, como já podemos notar.

E aí vamos ter que torcer para que os deuses das diferentes religiões entrem em um acordo sobre quem é o povo escolhido, quem é fiel e quem é infiel. Até lá vamos continuar matando e morrendo em nome dele. E viva a humanidade!