Berlim 11 graus

Dia de sol com nuvens e temperatura de 11 graus em Berlim. A semana passada, a temperatura  chegou a -11. Este El Niño é uma loucura mesmo!

O negócio é aproveitar o dia! Nada de roucas, luvas e ceroulas hoje. Um casaquinho leve e uma calça jeans são suficientes para sair na rua.

 

O FDP na política alemã 

Aqui na Alemanha, a Chanceler Angela Merkel faz parte do CDU (União Democrática Cristã) e em coalizão com outros partidos, governa o país. O CDU é um partido conservador de centro-direita e, tradicionalmente, vence as eleições aqui desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O partido de centro-esquerda se chama SPD (Partido Social-Democrata) e faz oposição ao governo atualmente. Em seu quadro, destaca-se o ex-chanceler (1998-2005) Gerhard Schröder. É o segundo maior partido do país.

Die Grünen (Os Verdes) é o terceiro maior partido da Alemanha. Suas bandeiras são o social liberalismo, a Terceira Via, o ecologismo e o ambientalismo.

O partido de esquerda se chama Die Linke (A Esquerda) e tem como principais ideologias o socialismo, o marxismo-leninismo, o populismo e o anticapitalismo.

Mas e o FDP, onde ele aparece na política alemã? O FDP faz parte da coligação de governo de Angela Merkel.

Freie Demokratische Partei ou simplesmente FDP, como é conhecido por aqui, não conseguiu eleger deputados nas últimas eleições e permanecem um partido de pouca relevância.

Ver um adesivo ou uma placa na rua escrito FDP não é ofensivo na Alemanha. Já no Brasil, se um partido adotasse a mesma sigla, provavelmente ganharia muitos votos. Seria ao menos um partido honesto na sigla.

A Grécia de Antenor

  
Antenor foi um um dos mais importantes e sábios conselheiros do Rei de Tróia. O nome grego, se popularizou na Itália, onde ganhou a grafia Antenore.

Polêmico, Antenor foi responsável pela negociação no sequestro de Helena de Tróia. Por alguns, ficou mal visto por ajudar o inimigo ao libertar Helena. Por outros, foi considerado um homem memorável no seu tempo e sua história é recontada pela mitologia grega.

  
Uma tumba encontrada em 1283 na cidade de Pádua, fez o elo entre a Mitologia Grega e História Antiga. Antenor, após deixar Tróia, recebeu a ajuda dos gregos para chegar a Itália e fundar a cidade de Pádua. A tumba hoje encontra-se exposta na Piazza Antenore, onde uma estátua também foi erguida.

A origem grega do meu nome aguçou a minha curiosidade sobre aquele país. Em 2009, quando visitei Atenas e 3 ilhas gregas, fiquei encantado por aquele lugar. Assim, como a Itália, a Grécia respira história.

  
A comida grega  faz parte da comida mundial e se confunde com todas as culinárias atuais. Iogurte, azeitonas, azeite de oliva, queijo feta, nozes, mel e frutos do mar são alguns ingredientes populares na cozinha grega.

Agora, 7 anos depois da minha primeira visita, estou voltando a Grécia. A minha ideia é ir muito além do turismo básico. Quero explorar a cidade, a sua comida e sua história. Vou descobrir afinal, quem era Antenor – um visionário ou um traidor.

  
A viagem está marcada para o dia 19/02 bem cedo. Retornaremos no dia 22/02 à noite. A ideia é fugir um pouco do frio e aproveitar os excelentes preços do país.

Passagens aéreas ida e volta (com as taxas) e 3 noites de hotel (Best Western) saíram por €97/pessoa.

Erdinger Schneeweiße

  
Tomar cerveja na Alemanha é como andar e respirar. Você faz sem perceber. Desde que cheguei aqui já tomei dezenas de cervejas diferentes. Há pouco tempo baixei um app para catalogar minhas experiências.

A cerveja de hoje foi uma grata surpresa. A Erdinger é uma cerveja de trigo mainstream, sendo facilmente encontrada no Brasil, por exemplo. Hoje, fui no mercado comprar um lanche e dei de cara com a cerveja da foto. É uma edição especial de inverno da Erdinger.

Primeiramente, é importante dizer que é uma cerveja feita para ser degustada em temperatura ambiente. Mesmo tendo um teor alcoólico de 5,6%, ela é muito suave ao tomar e possui um after taste bem marcado.

Que experiência fantástica! A cada gole, uma cerveja leve e saborosa que refresca mesmo não estando gelada. O problema agora é que eu vou querer comprar ela novamente.

O mundo da comida

Estava pensando na variedade gastronômica de Berlim. Aqui do lado de casa tem um restaurante egípcio. Não tenho a menor ideia qual é o barato da comida egípcia. Aqui na esquina tem um restaurante argentino, um filipino, um indiano, etc.

Estava lembrando do meu almoço mexicano e fiquei pensando em outros 2 países que têm uma gastronomia fantástica: Japão e Vietnã.

Nenhum lugar me impressionou mais até hoje do que o Vietnã. E boa parte dessa boa impressão vem da comida. A comida é leve e ao mesmo tempo extremamente temperada. A combinação de ingredientes é muito equilibrada e o resultado final é uma comida deliciosa. 

Até bem pouco tempo, achei que a culinária vietnamita estava restrita ao seu país de origem. Ao chegar em Berlim, descobri que eu estava errado. São dezenas de restaurantes vietnamitas pela cidade e até o shopping tem um na praça de alimentação. A explicação para este fenômeno está na Guerra Fria. Com a divisão de Berlim, ficou a cargo da União Soviética reconstruir a parte oriental. A URSS delegou esta tarefa aos seus camaradas vietnamitas. E foi assim que os alemães conheceram a comida do Vietnã.

O Japão conseguiu difundir sua gastronomia pelo mundo todo. O sushi, pode ser encontrado em qualquer aeroporto e gôndola de supermercado hoje em dia. A comida japonesa é focada na técnica e no respeito aos ingredientes. Uma combinação que transforma cada prato em uma obra de arte. O alemão adora sushi e frequenta regularmente os inúmeros restaurantes japoneses de Berlim.

Apesar de gostar da gastronomia vietnamita, japonesa e mexicana, quando estou longe do país de origem do prato, ainda prefiro a comida mexicana. A principal razão são os ingredientes.

A comida japonesa depende de ingredientes de primeiríssima qualidade. O sushi de atum no Japão é uma experiência única. O atum gordo tem um leve sabor de bacon e parece derreter na boca. 

A comida vietnamita tem uma generosidade e um beleza que só se concretiza em seu local de origem. Uma grande parte do prazer da comida vietnamita está no prazer que eles têm em preparar e servir o alimento. Infelizmente, isto se perde fora do Vietnã.

A comida mexicana usa o milho, o coentro, o limão, o abacate e cria uma experiência singular para o paladar. E por serem ingredientes que se adaptaram nos mais diferentes lugares ou que são facilmente importados, é possível reproduzir fielmente um prato mexicano mesmo longe de sua origem. Infelizmente minha experiência no México se restringiu ao burrito do aeroporto. Mas a minha experiência com a comida Tex-Mex é bem grande. Posso dizer que, aqui em Berlim, pelo menos dois restaurantes já conseguiram me impressionar com seus pratos mexicanos: Dolores e Chaparro.
Uma outra culinária que não mencionei antes é a peruana. Uma comida sem igual, mas que só existe no Peru. Diferente da comida japonesa, não existem ingredientes substitutos para os pratos peruanos. Não dá para fazer um cebiche com milho em lata e batata inglesa.

O meu Top 5 da gastronomia é: Vietnã, México, Japão, Peru e Itália. E um lugar especial para o Dim Sum taiwanês.

Chaparro

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Posso ter nascido no Brasil, mas a minha barriga é mexicana. Hoje, no passeio/aventura resolvi conhecer um restaurante mexicano indicado pelo meu colega de curso espanhol.

Na hora que eu entrei no restaurante, me senti em casa. Uma felicidade foi crescendo dentro de mim a medida que sentia os aromas e olhava o cardápio.

E hoje, finalmente, conclui que, no fundo do meu estômago, eu nasci no México. Digo isso porque, minutos antes de entrar no Chaparro, vi um restaurante brasileiro e entrei.

O lugar era sujo e esquisito. Uma chinesa trabalhava no caixa. Pedi uma coxinha. Era uma coxinha de rodoviária: cara e ruim. Saí dali e, felizmente, achei o lugar que estou agora.  

 

O ambiente é fantástico, um bar em que é possível ver o cozinheiro fazendo a comida na hora. Música ambiente de primeira. Está tocando Santana agora. O cozinheiro é mexicano e um espanhol atende no balcão. A comida chegou e é espetacular!  

Sol de geladeira

Hoje está fazendo sol e o céu está bem azul e sem nenhuma nuvem. Um dia especialmente bonito. E frio. Saí de casa às 8:30 para o meu curso de conversação e a temperatura estava em -9°.

A única vantagem do sol e do céu azul é que o dia fica muito bonito e a neve brilha ainda mais. Usar óculos escuros é extremamente recomendado. Como não está ventando, a sensação térmica está exatamente igual a temperatura.

Estou aproveitando o dia para passear pela cidade. E enquanto ando de metrô, escrevo aqui no Tartamudo. O metrô fica alternando entre túneis subterrâneos e trechos elevados. Desta forma, ele vai “pulando” o rio Spree que corta a cidade. A linha que eu estou (U2) atravessa a cidade de ponta a ponta, passando bem pelo meio dela.

Apesar de não esquentar, o “sol de geladeira” deixa a cidade muito bonita. Vale a pena se agasalhar bem e fazer um passeio. A temperatura deve começar a subir amanhã.

Comércio de rua

Em Berlim, muitos prédios residenciais tem lojas no piso térreo. São milhares de lojas com todo tipo de produto e serviço sendo vendido a cada esquina. O que me impressiona aqui é o nível de especialização e a variedade do comércio de rua.

Hoje, caminhando pela cidade, resolvi tirar fotos de 3 lojas em uma rua.

  

Esta loja vende exclusivamente bonecos de lata. São soldados das mais diferentes épocas, índios e outros povos. O objetivo é reencenar em detalhes famosas batalhas em miniatura. 

  
Cada boneco tem nome e sobrenome e sua aparência é baseada em imagens históricas. A loja vende livros com informações sobre as batalhas e como deve ser a disposição dos bonecos no campo de batalha. Cada boneco exposto na vitrine custa de €50 a €120. Uma batalha pode ter centenas de bonecos diferentes. A loja existe desde 1934.
  
As lojas de vinho são muito comuns aqui em Berlim. Mas as lojas de vinho se especializam em uma região ou um tipo de específico de vinho. A loja da foto, bem grande para os padrões europeus, fica em uma rua nobre da cidade e existe desde 1982. Eles vendem somente vinhos da região de Rioja, na Espanha. Os vinhos da vitrine custam entre €5 e €50.

  
A terceira loja da rua é a Botox to Go. Uma loja de aplicação de botox. Cada aplicação custa €150. Na vitrine, algumas ampolas do produto e um pôster dos lábios desejados pelas clientes.

É impossível não olhar as vitrines, andando pelas ruas de Berlim. Eu sempre me surpreendo com alguma coisa inusitada. Às vezes, não resisto e entro na loja. Além de observar os produtos, gosto de ficar olhando os clientes que estão comprando e as pessoas que ali trabalham. Fico imaginando aquele senhor grisalho de chapéu debruçado sobre uma mesa em casa com centenas de bonecos de lata em um cenário cuidadosamente construído. Talvez ele tome um vinho de Rioja enquanto pesquisa em um livro os detalhes sobre aquela batalha.

Alemanha em primeiro lugar

Alemanha é melhor país do mundo, diz novo ranking; Brasil está em 20°

Estar no meio da Europa é um grande desafio para a Alemanha. Como líder continental, o país tem o papel de proteger os mais fracos e bater nos abusados. Tem que brigar com os russos e flertar com os americanos, e vice-versa. E no meio dessa confusão ainda precisa manter vibrante a economia de um país na terceira idade. A crise dos refugiados é mais um difícil desafio para Merkel.

O segundo melhor país, o Canadá, tem muito que comemorar. Aos poucos, a boa fama do país está ajudando a povoar as terras geladas do Norte. O único problema mais sério é a queda do preço do petróleo. Algumas regiões do país, como Alberta, já enfrentam crise e desemprego. Felizmente, o país tem investido em tecnologia e inovação para diversificar a economia.

Inúmeras pesquisas são feitas anualmente para criar ranking de países. Em geral, o Canadá, o Reino Unido, a Alemanha e os países escandinavos ficam no topo. A diferença da pesquisa divulgada hoje é que os EUA aparecem no grupo de elite, o que acabou empurrando a Austrália um pouco mais para baixo que o normal.

A receita para aparecer no topo do ranking é fácil. Segurança, educação e qualidade de vida. Atributos que levam décadas para se construir e requerem planejamento.

O irônico do relatório divulgado é que o Brasil ficou em 1° lugar no subranking aventura. E mesmo com o povo amigável e o clima agradável, o Brasil recebe menos turistas que a Tunísia. O Brasil recebe 5,8 milhões de turistas estrangeiros por ano enquanto a França recebe 83 milhões.

Cortando o cabelo

Hoje, finalmente tomei coragem e fui cortar o cabelo. Explico. Para uma pessoa míope como eu, cortar o cabelo é um verdadeiro ato de fé. Depois que eu tiro os óculos, a pessoa pode fazer o que quiser com a tesoura que eu só vou descobrir depois.

Depois de muito pesquisar na Internet sem conseguir achar nenhuma informação satisfatória, resolvi andar pela rua e olhar atentamente cada Friseur da cidade. Basicamente, existe pelo menos um salão em cada esquina e, em muitos casos, dois ou três. Os jovens turcos são muito vaidosos com o cabelo e os alemães também não ficam para trás. Os homens são muito mais vaidosos do que as mulheres na Alemanha. É comum ver anúncios de maquiagem para homem, cremes para o corpo, produtos para as unhas e uma série de cosméticos especialmente desenvolvidos para o público masculino.

O primeiro que chamou minha atenção no caminho foi um HerrenFriseur, isto é, um cabeleireiro só para homens, conhecido também como Barbeiro. Continuei andando. Fui até shopping e olhei os dois salões. Um deles me chamou atenção. Dei mais uma volta para me certificar e quando voltei estava vazio. Pensei, isto não pode ser um bom sinal. Saí do shopping e continue andando. Vi um salão em um bom ponto comercial. Pensei comigo, o aluguel dessa loja não é barato, eles devem estar ganhando dinheiro. Se eles conseguem ganhar dinheiro com esta concorrência, o lugar deve ser bom. Passei mais algumas vezes na frente do salão, olhei mais uns dois na mesma quadra e decidi entrar naquele mesmo.

Abri a porta e um homem que estava cortando o cabelo me deu um sonoro “Guten Tag” e perguntou o que eu queria. Eu queria cortar o meu cabelo! Ele então chamou uma moça que já apareceu na minha frente, me deu um cabide e me deu “Hallo”. Fiquei segurando o cabide e pensando. Será que o meu alemão está tão ruim que o rapaz entendeu Hänger no lugar de Haare? Felizmente, eu entendi a tempo que eu deveria colocar meu casaco e demais agasalhos no cabide, para que ela pudesse pendurar.

Ela perguntou como eu gostaria do corte e eu fui falando calmamente. Ela me ofereceu água, lavou meu cabelo com um Pflege Shampoo (um shampoo para cuidar dos fios, ou algo do tipo). Daí para frente eu tirei os meus óculos e entreguei meus cabelos para ela. Acho que, no final, deu tudo certo. Mais uma missão cumprida com sucesso na Alemanha. Paguei e ainda ganhei um cartão de fidelidade. A cada 10 cortes ganha mais um. O nome da moça que cortou o meu cabelo é Ebru.

Aqui na Alemanha, um corte de cabelo custa entre €8 e €40 dependendo do lugar. O meu corte com lavagem e shampoo custou €11,50. Espera-se entre 5% e 10% de gorjeta pelo serviço.