Ja, Genau!

“Genau” é uma expressão alemã que serve para quase tudo. Ela corresponde a expressão brasileira “Beleza” e é usada o tempo todo nas conversas, nos jornais e até nas propagandas. No dicionário o significado da palavra Genau é “exatamente”, mas quando você fala “Ja, Genau” o significado já muda para “Com certeza”. Foi a palavra que eu mais ouvi desde que cheguei na Alemanha.

Outra curiosidade sobre o idioma são os números. A partir do 21 os números são falados invertidos:

  • 21 – Einundzwanzig -“um e vinte”
  • 32 – Zweiunddreißig – “dois e trinta”
  • 43 – Dreiundvierzig – “três e quarenta”
  • 54 – Vierundfünfzig – “quatro e cinquenta”
  • 65 – Fünfundsechzig – “cinco e sessenta”
  • 76 – Sechsundsiebzig – seis e setenta”
  • 87 – Siebenundachtzig – “sete e oitenta”
  • 98 – Achtundneunzig – “oito e noventa”

Por último, tem essa letrinha alemã Eszett – ß. Ela tem som de “ss” e pode ser encontrada em todas as placas de rua da cidade, já que é com ela que se escreve Straße (rua em alemão). E é assim que se fala Strasse, com dois s!

Richtig? Richtig!

Passeio de sábado

Hoje foi dia de passear pela cidade. Saímos de Charlottenburg, fomos até o Tiergarten, Checkpoint Charlie e Potsdamer Platz. Foram 15,6 km de caminhada em um dia de sol com temperaturas amenas entre 18 e 23 graus.

   
   

Sorrisos

  
Foto: Hanói, Vietnã (2013) por Antenor.

Andando pelas ruas de Hanói comecei a sentir o mundo novamente. Estava nublado e de tempos em tempos chovia um pouco. O céu cinza, os prédios baixos e sem cor, as pessoas andando pelas ruas com roupas simples. E a única coisa que se destacou na paisagem foi um sorriso.

Quantos sorrisos passam por nós todos os dias e não notamos? Quanto esforço fazemos para nos mantermos confortavelmente dormentes?

Vivemos em uma constante explosão de sensações. Explosões que nos deixam dormentes, como a cegueira temporária que ocorre após um clarão. E é perfeitamente compreensível a busca pela dormência. É a maneira mais rápida de se alcançar a interrupção do sofrimento. Sofrimentos naturais como o envelhecimento e cotidianos como as nossas insatisfações.

Mas tudo na vida é uma troca e a dormência cobra o seu preço. Perdemos o sorriso, o vento que bate nas folhas da árvore, o movimento da água no lago e a nuvem branca que deixa o céu azul ainda mais bonito.

E foi viajando pelo mundo que eu percebi que a melhor parte da viagem é o compromisso com o momento. Momentos em que vivemos plenamente o presente e aproveitamos cada gota que a vida oferece. Como quando mergulhei na Austrália e enquanto observava os peixes e corais, minha cabeça estava 100% ali e pude viver alguns minutos naquele mundo fantástico.

A Bolívia me mostrou uma beleza bruta que até então eu não conhecia. A Terra no seu estado mais primitivo, com vulcões, géiseres, lagoas coloridas e desertos de sal. Mas o que realmente me impressionou foi ver que ali era possível observar o tempo passar, a Terra nascer das suas próprias entranhas e envelhecer até se tornar uma rocha inerte. Até um dia nascer novamente.

Andando pelas ruas de Berlim comecei a conviver mais comigo mesmo e a aproveitar melhor a minha companhia. E a luz que cegava já não é tão forte. Já sinto o vento no rosto e ouço as folhas brincando nas árvores. E aos poucos mais sorrisos surgem no meio da multidão.

Água mineral

O alemão adora água mineral. No mercado é possível encontrar dezenas de marcas de água e dezenas de tipo de água. Na primeira vez que estive em Berlim passei um sufoco com água. Comprei 3 garrafas d’água e na hora que fui beber eram com gás. Como tinha comprado para deixar na mochila, não queria tomar água com gás quente. Resolvi voltar no mercado e pedir para trocar. Depois de uns 10 minutos fazendo mímica, uma moça me levou até uma seção que tinha água sem gás (em embalagem longa vida).

Quando cheguei aqui repeti o fiasco. Cheguei no mercado e comprei uma garrafa de água. Dessa vez de tampa rosa, porque lembrava que a com tampa azul é sempre com gás. Até no avião eles só servem água com gás. Bem, cheguei no apartamento e quando fui beber a água ela parecia pesada e quase tinha gosto. Só então eu fui ler com a ajuda do dicionário que tinha comprado que se tratava de uma água fortificada com cálcio e magnésio para mulheres na menopausa. Pelo menos não preciso me preocupar com osteoporose tão cedo, pensei.

Depois disso, passei a beber água da torneira mesmo, que segundo o Google, é potável. Mas com saudade da água mineral resolvi voltar a comprar água engarrafada no mercado. Como já escrevi aqui, cada garrafa de 1,5l tem um casco de 0,25 de euro e a água custa entre 0,25 e 0,75 dependendo da qualidade.

Hoje consegui comprar a água que eu queria finalmente, graças ao curso intensivo de alemão e ao tradutor no meu celular!

  
Ohne Kohlensäure = não carbonatada

Natriumarm = baixo teor de sódio

Ausgewogen mineralisiert = minerais equilibrados

Für Babynahrung geeignet = apropriado para a alimentação de bebês

Mais um detalhe: água sem gás é sempre mais cara do que água com gás!

Sr. Tür Öffner

As vezes eu me pego rindo sozinho. Hoje cheguei no curso da Sarah e a porta do prédio estava fechada. Toquei a campainha, mas ninguém atendeu. Fiquei do lado de fora esperando ela sair e nesse meio tempo um rapaz passou por mim, apertou um botão e abriu a porta. Fingi que não estava olhando e assim que ele subiu as escadas fui ver o que ele tinha apertado. Era o botão “Tür Öffner”.

No meio daquele monte de nomes alemães, não tinha notado que um dos alemães era o Sr. “Tür Öffner”, conhecido em português como “Abridor de Porta”.

Isto me lembra outro pequeno detalhe sobre a Alemanha. Aqui os apartamentos não tem número. Na entrada do prédio tem um interfone como o sobrenome dos residentes ou nome da empresa ao lado do botão. Este nome é usado como referência para o carteiro também. Mas e o seu sobrenome não estiver no interfone? Na correspondência deve se escrever:

C/O “Sobrenome que consta no interfone”
Rua Nome, Número
Cidade, CEP (PLZ em alemão)
País

Sol e chuva

A temperatura subiu hoje, mas no fim do dia choveu. Nessas horas o metrô salva. Usando as vias subterrâneas consegui evitar de me molhar muito na volta para casa. A aula foi ótima hoje e sinto que estou progredindo bem rápido!

Passei no mercado, fiz uma compra grande e agora temos comida para semana. Um exercício que estou fazendo agora é ir no açougue e na padaria pedir os produtos para o atendente em alemão. Até agora deu certo e eu fico bem feliz quando eles continuam a conversa em alemão.

A beleza de Berlim sempre me impressiona. Seja nos parques, lagos e castelos sempre tão bem cuidados, assim como nas coisas simples como uma estação de metrô.

Foto: Estação de Metrô, Berlim (2015) por Antenor.

Os detalhes

A moça que alugou nosso apartamento não poderia ser mais simpática. Quando ainda estava no Brasil ficamos trocando e-mails sobre viagens e gastronomia. Como ela estava indo para o Peru preparei minha lista de restaurantes favoritos. Ela em retribuição fez o mesmo e deixou seus favoritos. Olha que legal:

  
Ela anotou em cada cartão e cardápio o tipo de comida e a opinião dela.

Em um raio de 1km devem ter pelo pelo menos 5 restaurantes japoneses, 4 italianos e 3 vietnamitas. Além dos kebabs e currywursts. Sem as dicas dela jamais conseguiríamos saber qual é o melhor e qual é o pior.

Bat Viet

A mudança no clima é visível em Berlim e a cada dia a temperatura vai caindo. Às 22:30, por exemplo está 13 graus, mas a temperatura pode chegar aos 8 graus no meio da noite.

Os lugares fechados costumam ser quentes e é necessário tirar o casaco se estiver usando um. Na casa das pessoas que eu fui todo mundo tira o sapato na entrada (como acontece na Ásia). É um hábito bem higiênico que mantém a casa limpa mais tempo. Já adotamos.

Amanhã tem happy hour depois da aula de alemão. Parece uma boa oportunidade de conhecer melhor o pessoal da minha sala. Até agora eu sei que a brasileira (38 anos) está acompanhando o marido que trabalha na Embaixada, o iemenita é diplomata (50 anos), a francesa veio aprender alemão (30 anos), o australiano está fazendo um pós-doutorado (35 anos), a venezuelana (26 anos) veio com namorado e um filho recém-nascido. O sírio (16 anos) e o iraquiano (17 anos) estão apenas estudando aqui e vieram com a família. A chinesa e a israelense não apareceram mais na aula.

Hoje peguei o jantar em um restaurante vietnamita aqui do lado. Muito bom! Os rolinhos de arroz com legume estavam excelentes e o macarrão também. O lugar é bem simples. O dono faz a comida e cobra. Apesar de ter mesas e um ambiente bem bacana, não tem garçom. Cada um pede, paga e pega no balcão. O preço é bem convidativo: 3 rolinhos de legumes e um macarrão oriental para duas pessoas saiu por 9 euros. A comida não tem gosto de shoyu com glutamato monossódico como acontece no Brasil. O sabor lembra realmente a comida vietnamita que eu experimentei em Hanói. Sabores delicados, especiarias e tudo muito fresco e leve. Sensacional!

A parte prática

  
Foto: Bairro de Charlottenburg, Berlim (2015) por Antenor.

Ir no banco, fazer compras, pegar o metrô, sair para jantar. Tudo isto é muito natural para quem já conhece a cidade, a cultura e o idioma do lugar onde mora.

O primeira coisa que fizemos foi entender os supermercados aqui em Berlim. Não vimos nenhum hipermercado ainda, os maiores lembram os mercados de bairro no Brasil. Em muitos deles a entrada é por um lado e a saída é pelo caixa. Não pode sair pela entrada. O carrinho de compras requer o depósito de 1 euro que é devolvido quando você coloca o carrinho de volta no lugar. Todo mercado tem uma máquina de reciclagem que devolve o valor do casco de garrafas de plástico e de vidro. Uma garrafa d’água de 1,5 litro, por exemplo, vale 0,25 de euro. Vale a pena reciclar! Os alemães gostam de produtos orgânicos e não é difícil encontrar mercados especializados em orgânicos. No caixa, você tem que ser rápido! O caixa passa suas compras e cobra rapidamente e você deve arrumar suas compras em uma balcão apropriado. No caixa você coloca tudo na sua sacola para arrumar depois. Eu falei “sua sacola”. Aqui cada um leva sua sacola, você pode comprar uma de plástico, de pano, de papel ou colocar as coisas na sua bolsa ou mochila. Os preços dos produtos variam bastante de rede para rede. A Aldi é a mais barata enquanto a Rewe é a mais cara. É difícil andar 3 quadras sem encontrar um mercado.

O metrô aqui tem um sistema muito intuitivo. Você consegue se achar rapidamente e tomar o trem certo para o seu destino. A sinalização é clara e objetiva e os trens são freqüentes, o que faz com o eles nunca fiquem lotados. O sistema de transporte é todo integrado, então com um ticket você pode andar de metrô, trem, bonde e ônibus sem ter que pagar novamente. Não existe catraca nas estações nem guichês. Antes de entrar no metrô você compra o seu ticket na máquina e valida em um equipamento ao lado. O ticket da área AB de Berlim com duração de 2 horas custa 2,70 euros. Um passe mensal para utilização na área AB (a partir das 10 horas da manhã) custa 58 euros. Se você for pego sem um ticket válido no metrô a multa é de no mínimo 60 euros. Fiscais a paisana andam pelos vagões e podem pedir o seu ticket a qualquer momento. Eu nunca vi um fiscal.

Os bancos aqui não tem portas giratórias ou guardas na porta. Na entrada é possível avistar os caixas trabalhando atrás de mesas altas comuns sem nenhuma proteção manuseando milhares de euros em espécie o tempo todo. O atendimento é sempre muito cordial. Nem parece que estamos em uma agência bancária!

Ainda não fomos em nenhum restaurante bacana, mas em geral a alimentação é barata na Alemanha. Os pratos executivos saem por 5 euros e um pretzel custa 0,65 de euro. A cerveja também sempre custa centavos (normalmente mais barato do que água). Jantar fora pode custar um pouco mais, uns 12 euros por pessoa para um menu completo. Nada exorbitante.

Até agora não fomos surpreendidos por nenhum alemão grosso ou antipático. Eles são sempre muito prestativos e cordiais, mas é importante sempre ser direto e sincero com eles. Falar não aqui não é problema. Eles não entendem respostas como “pode ser”, “vamos ver” ou o famoso “passa lá em casa qualquer hora”. O que torna Berlim tão agradável em boa parte é o Berliner. Mas vale dizer que assim como no restante da Europa, a Alemanha é um país de imigrantes. De uma forma muito “alemã”, o povo acolhe os recém-chegados, como pode ser visto no caso dos refugiados sírios que estão chegando em Munique.

O idioma é uma barreira. Depois de 2 aulas de alemão eu já entendo o dobro do que eu entendia na semana passada. Entendo 5% do que escuto na TV e uns 15% do que eu leio. Três em cada cinco berlinenses falam alguma coisa de inglês, o que facilita também. Na TV, as sérias americanas são dubladas e é divertido ver Friends ou Seinfeld falando alemão. Com o vocabulário básico que eu tenho, já consigo fazer compras, pedir informações e entender as placas (não palavra por palavra, mas o sentido).

Dia de aula

Aprender algo novo é uma das melhores coisas que existe na vida. E um idioma abre um mundo completamente novo.

Berlim é uma cidade fantástica e a cada dia gosto mais de caminhar pelas ruas e parques da cidade.

Meu curso fica na AlexanderPlatz. Do outro lado da cidade (uns 30 minutos de metrô). No caminho é possível ver todos os pontos turísticos da cidade (do Zôo até a AlexanderPlatz  é um trem elevado). O curso fica ao lado da famosa torre de TV.

Somos 10 alunos: 1 sírio, 1 iraquiano, 1 australiano, 1 francesa, 1 chinesa, 1 iemenita, 1 brasileira, 1 venezuelana, 1 israelense e eu.

No fim da aula caminhei um pouco pela região, peguei o metrô, saltei no Zôo e desci a pé o Kürfustendamm. Hoje o dia estava bem bonito.

Amanhã tem mais!