Foto: Bairro de Charlottenburg, Berlim (2015) por Antenor.
Ir no banco, fazer compras, pegar o metrô, sair para jantar. Tudo isto é muito natural para quem já conhece a cidade, a cultura e o idioma do lugar onde mora.
O primeira coisa que fizemos foi entender os supermercados aqui em Berlim. Não vimos nenhum hipermercado ainda, os maiores lembram os mercados de bairro no Brasil. Em muitos deles a entrada é por um lado e a saída é pelo caixa. Não pode sair pela entrada. O carrinho de compras requer o depósito de 1 euro que é devolvido quando você coloca o carrinho de volta no lugar. Todo mercado tem uma máquina de reciclagem que devolve o valor do casco de garrafas de plástico e de vidro. Uma garrafa d’água de 1,5 litro, por exemplo, vale 0,25 de euro. Vale a pena reciclar! Os alemães gostam de produtos orgânicos e não é difícil encontrar mercados especializados em orgânicos. No caixa, você tem que ser rápido! O caixa passa suas compras e cobra rapidamente e você deve arrumar suas compras em uma balcão apropriado. No caixa você coloca tudo na sua sacola para arrumar depois. Eu falei “sua sacola”. Aqui cada um leva sua sacola, você pode comprar uma de plástico, de pano, de papel ou colocar as coisas na sua bolsa ou mochila. Os preços dos produtos variam bastante de rede para rede. A Aldi é a mais barata enquanto a Rewe é a mais cara. É difícil andar 3 quadras sem encontrar um mercado.
O metrô aqui tem um sistema muito intuitivo. Você consegue se achar rapidamente e tomar o trem certo para o seu destino. A sinalização é clara e objetiva e os trens são freqüentes, o que faz com o eles nunca fiquem lotados. O sistema de transporte é todo integrado, então com um ticket você pode andar de metrô, trem, bonde e ônibus sem ter que pagar novamente. Não existe catraca nas estações nem guichês. Antes de entrar no metrô você compra o seu ticket na máquina e valida em um equipamento ao lado. O ticket da área AB de Berlim com duração de 2 horas custa 2,70 euros. Um passe mensal para utilização na área AB (a partir das 10 horas da manhã) custa 58 euros. Se você for pego sem um ticket válido no metrô a multa é de no mínimo 60 euros. Fiscais a paisana andam pelos vagões e podem pedir o seu ticket a qualquer momento. Eu nunca vi um fiscal.
Os bancos aqui não tem portas giratórias ou guardas na porta. Na entrada é possível avistar os caixas trabalhando atrás de mesas altas comuns sem nenhuma proteção manuseando milhares de euros em espécie o tempo todo. O atendimento é sempre muito cordial. Nem parece que estamos em uma agência bancária!
Ainda não fomos em nenhum restaurante bacana, mas em geral a alimentação é barata na Alemanha. Os pratos executivos saem por 5 euros e um pretzel custa 0,65 de euro. A cerveja também sempre custa centavos (normalmente mais barato do que água). Jantar fora pode custar um pouco mais, uns 12 euros por pessoa para um menu completo. Nada exorbitante.
Até agora não fomos surpreendidos por nenhum alemão grosso ou antipático. Eles são sempre muito prestativos e cordiais, mas é importante sempre ser direto e sincero com eles. Falar não aqui não é problema. Eles não entendem respostas como “pode ser”, “vamos ver” ou o famoso “passa lá em casa qualquer hora”. O que torna Berlim tão agradável em boa parte é o Berliner. Mas vale dizer que assim como no restante da Europa, a Alemanha é um país de imigrantes. De uma forma muito “alemã”, o povo acolhe os recém-chegados, como pode ser visto no caso dos refugiados sírios que estão chegando em Munique.
O idioma é uma barreira. Depois de 2 aulas de alemão eu já entendo o dobro do que eu entendia na semana passada. Entendo 5% do que escuto na TV e uns 15% do que eu leio. Três em cada cinco berlinenses falam alguma coisa de inglês, o que facilita também. Na TV, as sérias americanas são dubladas e é divertido ver Friends ou Seinfeld falando alemão. Com o vocabulário básico que eu tenho, já consigo fazer compras, pedir informações e entender as placas (não palavra por palavra, mas o sentido).