O mundo da comida

Estava pensando na variedade gastronômica de Berlim. Aqui do lado de casa tem um restaurante egípcio. Não tenho a menor ideia qual é o barato da comida egípcia. Aqui na esquina tem um restaurante argentino, um filipino, um indiano, etc.

Estava lembrando do meu almoço mexicano e fiquei pensando em outros 2 países que têm uma gastronomia fantástica: Japão e Vietnã.

Nenhum lugar me impressionou mais até hoje do que o Vietnã. E boa parte dessa boa impressão vem da comida. A comida é leve e ao mesmo tempo extremamente temperada. A combinação de ingredientes é muito equilibrada e o resultado final é uma comida deliciosa. 

Até bem pouco tempo, achei que a culinária vietnamita estava restrita ao seu país de origem. Ao chegar em Berlim, descobri que eu estava errado. São dezenas de restaurantes vietnamitas pela cidade e até o shopping tem um na praça de alimentação. A explicação para este fenômeno está na Guerra Fria. Com a divisão de Berlim, ficou a cargo da União Soviética reconstruir a parte oriental. A URSS delegou esta tarefa aos seus camaradas vietnamitas. E foi assim que os alemães conheceram a comida do Vietnã.

O Japão conseguiu difundir sua gastronomia pelo mundo todo. O sushi, pode ser encontrado em qualquer aeroporto e gôndola de supermercado hoje em dia. A comida japonesa é focada na técnica e no respeito aos ingredientes. Uma combinação que transforma cada prato em uma obra de arte. O alemão adora sushi e frequenta regularmente os inúmeros restaurantes japoneses de Berlim.

Apesar de gostar da gastronomia vietnamita, japonesa e mexicana, quando estou longe do país de origem do prato, ainda prefiro a comida mexicana. A principal razão são os ingredientes.

A comida japonesa depende de ingredientes de primeiríssima qualidade. O sushi de atum no Japão é uma experiência única. O atum gordo tem um leve sabor de bacon e parece derreter na boca. 

A comida vietnamita tem uma generosidade e um beleza que só se concretiza em seu local de origem. Uma grande parte do prazer da comida vietnamita está no prazer que eles têm em preparar e servir o alimento. Infelizmente, isto se perde fora do Vietnã.

A comida mexicana usa o milho, o coentro, o limão, o abacate e cria uma experiência singular para o paladar. E por serem ingredientes que se adaptaram nos mais diferentes lugares ou que são facilmente importados, é possível reproduzir fielmente um prato mexicano mesmo longe de sua origem. Infelizmente minha experiência no México se restringiu ao burrito do aeroporto. Mas a minha experiência com a comida Tex-Mex é bem grande. Posso dizer que, aqui em Berlim, pelo menos dois restaurantes já conseguiram me impressionar com seus pratos mexicanos: Dolores e Chaparro.
Uma outra culinária que não mencionei antes é a peruana. Uma comida sem igual, mas que só existe no Peru. Diferente da comida japonesa, não existem ingredientes substitutos para os pratos peruanos. Não dá para fazer um cebiche com milho em lata e batata inglesa.

O meu Top 5 da gastronomia é: Vietnã, México, Japão, Peru e Itália. E um lugar especial para o Dim Sum taiwanês.

Chaparro

img_5404.jpeg
Posso ter nascido no Brasil, mas a minha barriga é mexicana. Hoje, no passeio/aventura resolvi conhecer um restaurante mexicano indicado pelo meu colega de curso espanhol.

Na hora que eu entrei no restaurante, me senti em casa. Uma felicidade foi crescendo dentro de mim a medida que sentia os aromas e olhava o cardápio.

E hoje, finalmente, conclui que, no fundo do meu estômago, eu nasci no México. Digo isso porque, minutos antes de entrar no Chaparro, vi um restaurante brasileiro e entrei.

O lugar era sujo e esquisito. Uma chinesa trabalhava no caixa. Pedi uma coxinha. Era uma coxinha de rodoviária: cara e ruim. Saí dali e, felizmente, achei o lugar que estou agora.  

 

O ambiente é fantástico, um bar em que é possível ver o cozinheiro fazendo a comida na hora. Música ambiente de primeira. Está tocando Santana agora. O cozinheiro é mexicano e um espanhol atende no balcão. A comida chegou e é espetacular!  

Sol de geladeira

Hoje está fazendo sol e o céu está bem azul e sem nenhuma nuvem. Um dia especialmente bonito. E frio. Saí de casa às 8:30 para o meu curso de conversação e a temperatura estava em -9°.

A única vantagem do sol e do céu azul é que o dia fica muito bonito e a neve brilha ainda mais. Usar óculos escuros é extremamente recomendado. Como não está ventando, a sensação térmica está exatamente igual a temperatura.

Estou aproveitando o dia para passear pela cidade. E enquanto ando de metrô, escrevo aqui no Tartamudo. O metrô fica alternando entre túneis subterrâneos e trechos elevados. Desta forma, ele vai “pulando” o rio Spree que corta a cidade. A linha que eu estou (U2) atravessa a cidade de ponta a ponta, passando bem pelo meio dela.

Apesar de não esquentar, o “sol de geladeira” deixa a cidade muito bonita. Vale a pena se agasalhar bem e fazer um passeio. A temperatura deve começar a subir amanhã.

Comércio de rua

Em Berlim, muitos prédios residenciais tem lojas no piso térreo. São milhares de lojas com todo tipo de produto e serviço sendo vendido a cada esquina. O que me impressiona aqui é o nível de especialização e a variedade do comércio de rua.

Hoje, caminhando pela cidade, resolvi tirar fotos de 3 lojas em uma rua.

  

Esta loja vende exclusivamente bonecos de lata. São soldados das mais diferentes épocas, índios e outros povos. O objetivo é reencenar em detalhes famosas batalhas em miniatura. 

  
Cada boneco tem nome e sobrenome e sua aparência é baseada em imagens históricas. A loja vende livros com informações sobre as batalhas e como deve ser a disposição dos bonecos no campo de batalha. Cada boneco exposto na vitrine custa de €50 a €120. Uma batalha pode ter centenas de bonecos diferentes. A loja existe desde 1934.
  
As lojas de vinho são muito comuns aqui em Berlim. Mas as lojas de vinho se especializam em uma região ou um tipo de específico de vinho. A loja da foto, bem grande para os padrões europeus, fica em uma rua nobre da cidade e existe desde 1982. Eles vendem somente vinhos da região de Rioja, na Espanha. Os vinhos da vitrine custam entre €5 e €50.

  
A terceira loja da rua é a Botox to Go. Uma loja de aplicação de botox. Cada aplicação custa €150. Na vitrine, algumas ampolas do produto e um pôster dos lábios desejados pelas clientes.

É impossível não olhar as vitrines, andando pelas ruas de Berlim. Eu sempre me surpreendo com alguma coisa inusitada. Às vezes, não resisto e entro na loja. Além de observar os produtos, gosto de ficar olhando os clientes que estão comprando e as pessoas que ali trabalham. Fico imaginando aquele senhor grisalho de chapéu debruçado sobre uma mesa em casa com centenas de bonecos de lata em um cenário cuidadosamente construído. Talvez ele tome um vinho de Rioja enquanto pesquisa em um livro os detalhes sobre aquela batalha.

Alemanha em primeiro lugar

Alemanha é melhor país do mundo, diz novo ranking; Brasil está em 20°

Estar no meio da Europa é um grande desafio para a Alemanha. Como líder continental, o país tem o papel de proteger os mais fracos e bater nos abusados. Tem que brigar com os russos e flertar com os americanos, e vice-versa. E no meio dessa confusão ainda precisa manter vibrante a economia de um país na terceira idade. A crise dos refugiados é mais um difícil desafio para Merkel.

O segundo melhor país, o Canadá, tem muito que comemorar. Aos poucos, a boa fama do país está ajudando a povoar as terras geladas do Norte. O único problema mais sério é a queda do preço do petróleo. Algumas regiões do país, como Alberta, já enfrentam crise e desemprego. Felizmente, o país tem investido em tecnologia e inovação para diversificar a economia.

Inúmeras pesquisas são feitas anualmente para criar ranking de países. Em geral, o Canadá, o Reino Unido, a Alemanha e os países escandinavos ficam no topo. A diferença da pesquisa divulgada hoje é que os EUA aparecem no grupo de elite, o que acabou empurrando a Austrália um pouco mais para baixo que o normal.

A receita para aparecer no topo do ranking é fácil. Segurança, educação e qualidade de vida. Atributos que levam décadas para se construir e requerem planejamento.

O irônico do relatório divulgado é que o Brasil ficou em 1° lugar no subranking aventura. E mesmo com o povo amigável e o clima agradável, o Brasil recebe menos turistas que a Tunísia. O Brasil recebe 5,8 milhões de turistas estrangeiros por ano enquanto a França recebe 83 milhões.

Cortando o cabelo

Hoje, finalmente tomei coragem e fui cortar o cabelo. Explico. Para uma pessoa míope como eu, cortar o cabelo é um verdadeiro ato de fé. Depois que eu tiro os óculos, a pessoa pode fazer o que quiser com a tesoura que eu só vou descobrir depois.

Depois de muito pesquisar na Internet sem conseguir achar nenhuma informação satisfatória, resolvi andar pela rua e olhar atentamente cada Friseur da cidade. Basicamente, existe pelo menos um salão em cada esquina e, em muitos casos, dois ou três. Os jovens turcos são muito vaidosos com o cabelo e os alemães também não ficam para trás. Os homens são muito mais vaidosos do que as mulheres na Alemanha. É comum ver anúncios de maquiagem para homem, cremes para o corpo, produtos para as unhas e uma série de cosméticos especialmente desenvolvidos para o público masculino.

O primeiro que chamou minha atenção no caminho foi um HerrenFriseur, isto é, um cabeleireiro só para homens, conhecido também como Barbeiro. Continuei andando. Fui até shopping e olhei os dois salões. Um deles me chamou atenção. Dei mais uma volta para me certificar e quando voltei estava vazio. Pensei, isto não pode ser um bom sinal. Saí do shopping e continue andando. Vi um salão em um bom ponto comercial. Pensei comigo, o aluguel dessa loja não é barato, eles devem estar ganhando dinheiro. Se eles conseguem ganhar dinheiro com esta concorrência, o lugar deve ser bom. Passei mais algumas vezes na frente do salão, olhei mais uns dois na mesma quadra e decidi entrar naquele mesmo.

Abri a porta e um homem que estava cortando o cabelo me deu um sonoro “Guten Tag” e perguntou o que eu queria. Eu queria cortar o meu cabelo! Ele então chamou uma moça que já apareceu na minha frente, me deu um cabide e me deu “Hallo”. Fiquei segurando o cabide e pensando. Será que o meu alemão está tão ruim que o rapaz entendeu Hänger no lugar de Haare? Felizmente, eu entendi a tempo que eu deveria colocar meu casaco e demais agasalhos no cabide, para que ela pudesse pendurar.

Ela perguntou como eu gostaria do corte e eu fui falando calmamente. Ela me ofereceu água, lavou meu cabelo com um Pflege Shampoo (um shampoo para cuidar dos fios, ou algo do tipo). Daí para frente eu tirei os meus óculos e entreguei meus cabelos para ela. Acho que, no final, deu tudo certo. Mais uma missão cumprida com sucesso na Alemanha. Paguei e ainda ganhei um cartão de fidelidade. A cada 10 cortes ganha mais um. O nome da moça que cortou o meu cabelo é Ebru.

Aqui na Alemanha, um corte de cabelo custa entre €8 e €40 dependendo do lugar. O meu corte com lavagem e shampoo custou €11,50. Espera-se entre 5% e 10% de gorjeta pelo serviço.

Corpo e mente


O parque do Palácio de Charlottenburg é a extensão da minha casa. Não passo um dia sem andar pelo parque e observar os patos, cisnes, esquilos e outros animais que moram lá. A paisagem também me encanta sempre. Ao mesmo tempo que faço minha caminhada, preencho minha cabeça com imagens inesquecíveis.  Os dois exemplos acima são de olhares que descobri recentemente. Acabo me apaixonando pelo lugar todo dia. É tão bonito que as vezes não aguento e paro para tirar fotos e mais fotos. Mesmo depois de 4 meses visitando o parque, ainda me surpreendo com a natureza. A neve está dando um show à parte. A neve se comporta de maneira diferente de acordo com a temperatura. A neve de hoje, por exemplo, está mais úmida e, por isso, se agarra nos galhos das árvores com mais facilidade. Desde ontem o céu está azul, o que torna tudo ainda mais bonito, apesar do frio intenso.

Depois de uma caminhada pelos jardins do palácio, qualquer dia fica melhor! Deixo aqui o meu agradecimento à Rainha Sophie Charlotte e ao Imperador Friedrich I da Prússia.

Jim Block

Hoje fui conhecer a lanchonete Jim Block, uma autêntica cadeia de fast-food alemã. Eles se auto-denominam um “Better Burger Restaurant Chain”.

A história do Jim Block é bem interessante. A primeira loja foi inaugurada em 1973, em Hamburgo, e nasceu com o objetivo de dar um destino aos pedaços de carne que não eram aproveitados no restaurante Block House Steakhouse. A sinceridade do alemão é um balde de água fria em qualquer departamento de marketing.

De lá para cá, eles abriram 45 lojas (36 na Alemanha, 8 na Espanha e uma na China). Aqui em Berlim, o Jim Block fica ao lado do Block House, reforçando o conceito de “aproveitamento de carne”.  Os preços são um pouco mais salgados do que o McDonalds. Para efeito de comparação, uma refeição na rede americana custa €7,50 enquanto um combo na versão alemã custa €9,50. Mas não é justo comparar os dois estabelecimentos. O JB, como é chamado pelos locais, faz seus sanduíches na hora, serve em pratos de louça, com talheres de metal e as bebidas em copo de vidro. A decoração também é um pouco mais elaborada do que a do McDonalds.

Mais um detalhe! O slogan “Das Hamburger Original” não quer dizer “O hamburger original”. A tradução correta é “O original de Hamburgo”.

img_5366

Inverno no parque

  
O inverno em Berlim tem alternado entre semanas com temperaturas perto de zero grau e semanas com temperaturas próximas aos -10°. Tem nevado com alguma frequência, o que deixa a cidade muito bonita e facilita a minha caminhada no parque.

A única combinação que não funciona bem é a neve seguida de temperaturas acima de zero grau. Neste cenário, a neve vira lama na rua e gelo no parque. A previsão para esta semana é de temperaturas bem baixas, com chance de chegar a -12° com sensação térmica de -20°.

Felizmente, as roupas que eu tenho me protegem bem do frio. Nos ambientes fechados como metrô, supermercado, lojas e aqui em casa a temperatura nunca fica abaixo de 23°.

A neve nunca perde a sua magia, mesmo para quem nasceu e se criou aqui. Os alemães saem com seus trenós de madeira puxando as crianças. Famílias vão ao parque fazer bonecos de neve e os jornais publicam fotos da neve cobrindo bicicletas. Alguns alemães se arriscam a andar de esqui pelo parque. Uma coisa é certa, ninguém fica em casa por causa da neve, muito pelo contrário.

O frio dá vontade de tomar bebidas quentes. Um chá, um café ou chocolate quente caem bem a qualquer hora. Máquinas de café estão espalhadas pela cidade inteira, como por exemplo nas estações de metrô e no meu curso de idioma. As bebidas custam €1, em média.

Aliás, as estações de metrô não tem só máquinas de snacks e bebidas. As cabines de foto para documento também ficam nas estações. Sem nenhum funcionário, a pessoa entra na cabine, paga, tira as fotografias e pega a revelação na hora. É importante dizer que as estações de metrô não tem nenhum funcionário nem segurança. Não existe guichê de vendas, catraca ou qualquer tipo de pessoa trabalhando. Diferente do S-Bahn, o metrô não possui uma fiscalização constante do ticket. Em 45 dias andando de metrô, ainda não vi um fiscal.

Mesmo assim, as cabines de foto não são vandalizadas e eu mesmo já utilizei uma sem problemas. A foto do meu visto de residência foi tirada em uma cabine no metrô. As pessoas chegam na estação, compram o ticket e entram nos trens. Mesmo que exista evasão tarifária, não é nada significativo. Este nível de civilidade ainda não chegou no Brasil, infelizmente.

Por aqui, o Brasil não sai das manchetes com o Zika vírus. A situação parece preocupante para mulheres que desejam engravidar. Espero que as coisas melhorem.

Green Week

Começou na sexta-feira a Green Week (Grüne Woche), a maior feira de agronegócio do mundo. Ela acontece anualmente em Berlim e recebe participantes de 70 países, incluindo o Brasil.

O evento também gera protestos todo ano. Produtores locais e ONGs denunciam o uso de agrotóxicos, transgênicos, maus tratos aos animais, falta de proteção ao pequeno agricultor, entre outras coisas.

Aqui na Alemanha, o consumidor pode comprar carnes e legumes direto do produtor nas feiras espalhadas pela cidade, pode comprar produtos Bio nos mercados especializados ou comprar os produtos convencionais nas grandes redes.

Existe muita transparência sobre a origem do alimento. No supermercado que eu frequento, o Rewe, o gengibre é peruano, o alho é espanhol, o limão é brasileiro, a carne é argentina. Tudo tem certificado de origem.

A Green Week é aberta ao público. O ingresso custa €14. Os expositores oferecem amostras de seus produtos no local.