Eszet

Segundo o livro do Adam Fletcher, o primeiro passo para se tornar alemão é tomar um bom café-da-manhã. Bom e longo. Pães, queijos, embutidos, chocolates, bolos, frutas, cereais, ovos, bacon, sucos, chá, leite, café e tudo que estiver na geladeira. Nos fins de semana, o café-da-manhã vira um brunch que começa às 10h e vai até às 18h.


Hoje, para continuar minha imersão na cultura alemã, resolvi experimentar uma especialidade alemã: o pão com Eszet. Eszet é um chocolate alemão feito especialmente para ser derretido em cima do pão.


Não é que ficou bom! O chocolate não é muito doce e derrete rapidamente no pão. Fica uma saborosa torrada doce.

Tatort

Tatort é um clássico da TV alemã e está no ar há 45 anos. Tatort quer dizer “cena do crime” e é um seriado policial com características únicas. Ele é produzido por um pool de emissoras públicas da Alemanha, Áustria e Suíça. Os detetives e as histórias variam, mas a essência da série está em mostrar as cidades que servem de pano de fundo para as histórias. O programa dura 90 minutos (sem intervalos) e vai ao ar todo domingo no horário nobre alemão que começa precisamente às 20.15 (notação alemã da hora).

O programa é bem gráfico para os padrões americanos de TV aberta. Violência, uso de drogas e ambientes sombrios marcaram o episódio de hoje. A história é bem densa e dificilmente teria audiência em outros países.

A série Tatort permite entender um pouco a cabeça do alemão. Fico pensando que este é o programa de escolha para fechar o fim de semana e começar mais uma semana. Segue um episódio disponível no YouTube:

Voltando ao mundo real, a polícia alemã leva à justiça os culpados por 96% dos homicídios ocorridos em solo alemão, segundo estatística divulgada no jornal de hoje. No Tatort não é diferente, ao fim de 90 minutos o caso foi solucionado.

Portão de Brandemburgo

  
Hoje fomos de S-Bahn até o Brandenburger Tor e de lá caminhamos até a Topografia do Terror. O museu fica na antiga sede da SS e da Gestapo e reúne fotos, vídeos e documentos sobre a ascensão e derrota do nazismo. O nível de destruição das cidades alemãs foi inacreditável. A cidade de Dresden, por exemplo, sofreu bombardeios em massa e estima-se que 30.000 pessoas morreram somente lá.

O museu conta como o governo nazista chegou ao poder e criou um Estado policial. Tudo foi cuidadosamente planejado e a própria sede da Gestapo já tinha sido preparada para ser um bunker antes mesmo de 1933. É possível ver jornais da época e conhecer mais sobre a propaganda nazista. Um jornal, por exemplo, mostra a polícia fechando a loja de um judeu e colocando uma placa na porta com os seguintes dizeres: “Esta loja foi fechada porque o seu proprietário estava colocando preços abusivos em suas mercadorias. O proprietário encontra-se em custódia sob proteção.” Na hora me lembrei da Venezuela e do discurso de Chávez e Maduro.

A tecnologia pode ter transformado o mundo nos últimos 70 anos, mas o ser humano não mudou muito de lá para cá. Outros genocídios ocorreram depois da II Guerra Mundial e continuam acontecendo. O nazismo ainda é uma realidade na Europa e não duvido que um governo extremista com ideais xenófobos chegue ao poder na região um dia. Assim como existe no Brasil um grupo de pessoas que acha que a solução é separar o sul (e São Paulo) do resto do país. A mediocridade desde pensamento mostra como as pessoas não aprenderam a lição deixada pelas guerras. A evolução da civilização está na união dos povos e não na sua divisão. Somos uma única espécie vivendo em um mesmo planeta. Só nos resta conviver e utilizar de maneira consciente os recursos disponíveis. O resto é poder e manipulação.

Zwei Monate 

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Em dois meses aqui tive que a reaprender a andar, falar e viver. Cada dia desde então tem sido de intenso aprendizado. Hoje já chego nos lugares e falo meu alemão macarrônico, faço perguntas e quando não entendo já falo “Wie, bitte?” (Como, por favor?). O segundo mês foi o primeiro de adaptação, na verdade. Foi quando começamos a ter uma rotina e a interagir com o “German Way of Life”.

Foram dias difíceis também, dias em que o frio e o tempo chuvoso deixaram nosso humor um pouco cinza. Foi bom para aprendermos a valorizar os dias de sol e para nos prepararmos para o inverno. Um bom agasalho, uma bebida quente e um filme no Netflix serão fundamentais. Tivemos que investir um pouquinho na casa para deixá-la mais confortável e aconchegante. Com algumas idas à Ikea, decoramos cada cantinho do apartamento.

De longe, continuo acompanhando a situação no Brasil. Ela parece ainda mais desanimadora para quem está vendo de fora. Mas tudo na vida passa e acredito que mais cedo ou mais tarde as coisas se ajeitam. Ou não. O que mais me entristece no Brasil é a falta de punição. Prevalece a ideia de que o roubo compensa. Crimes acontecem todos os dias em Berlim, mas a polícia prende os bandidos e mesmo os pequenos crimes viram notícia de jornal. Outro dia um bandido puxou a bolsa de uma velhinha e saiu correndo. Foi preso pouco depois e o produto do roubo foi recuperado. O mesmo vale para a corrupção. O Deutsche Bank está envolvido em um grande escândalo de fraude, assim como a Volkswagen. Em ambos os casos, os envolvidos estão sendo investigados e já foram afastados de seus cargos. Os alemães estão envergonhados com a situação. A Europa inventou a corrupção e seria no mínimo ingênuo imaginar que ela não continuaria existindo por aqui. O problema é que a corrupção atravessou o oceano, mas a justiça e as punições não embarcaram nas caravelas.

A barreira do idioma ainda é grande, mas não é intransponível. Como qualquer povo, o alemão gosta quando o estrangeiro tenta falar a sua língua. É um sinal de respeito. O alemão não é muito polido e, como disse minha colega francesa, as crianças não são muito bem educadas (ainda assim, 1.000 vezes melhor que no Brasil). Isto se reflete em adolescentes rebeldes e adultos sem tato social. Eles gostam de bater boca e tem até um capítulo no meu livro do curso de alemão sobre as técnicas de bater boca. O alemão diz qualquer besteira com um tom de verdade absoluta. Cabe à outra parte duvidar da afirmação.

Eles gostam desta rotina de discordar para depois concordar (aceitar). Às vezes, parece grosseria da parte deles. No início a gente acredita que eles estão sempre certos e não discute. Depois de um tempo aqui você descobre que tem que questionar tudo. E nunca pode fazer cara de bonzinho. Eles agem assim com o Professor da Universidade, com amigos e colegas. Não é nada pessoal.

A comida daqui foi a parte mais fácil. O alemão come bem e, para os padrões europeus, a comida é barata. Os produtos em geral são de boa qualidade e é possível ter uma dieta bem variada. Mercados turcos e asiáticos estão por toda parte e é possível comprar ingredientes do mundo inteiro sem sair do bairro.

Independente do rumo político do Brasil, o futuro do país depende da segurança. A falta de segurança faz com que o brasileiro seja um sobrevivente. Esta guerra tem que acabar um dia. O salto na qualidade de vida aqui está em poder andar pela rua, sair à noite e fazer planos sem ter que se preocupar em ser morto, assaltado ou sequestrado. Ontem vi crianças andando sozinhas por Dresden pedindo doces no Halloween. Vi também algumas adolescentes fantasiadas andando de metrô à noite. Isto no Brasil viraria uma noite de terror de verdade, infelizmente.

Como se tornar alemão

  
Depois de 2 meses aqui, resolvi pedir ajuda aos universitários. Comprei o livro How to be German in 50 easy steps (Como se tornar alemão em 50 passos fáceis).

É um livro de humor escrito por um britânico que se muda para a Alemanha. Ele faz muito sucesso na faculdade da Sarah e no meu curso de alemão. Ele captura muito bem o que é ser alemão e como isto é visto por quem é de fora.

O melhor do livro é que ele é escrito em inglês e alemão, servindo também para praticar a língua. Poderei me divertir em dobro!

  

Dresden

 
Hoje foi dia de ir para Dresden. A cidade fica a 180 km de Berlim e a viagem de ônibus dura 2 horas e 15 minutos, aproximadamente.

  
 

Dresden foi fundada em 1206 e possui um centro histórico que já foi patrimônio da Unesco. É um dos raríssimos casos no mundo em que uma cidade perdeu o título. O motivo foi a construção de uma nova ponte cruzando o rio Elba. Com ou sem Unesco, a cidade possui um centro histórico típico de uma cidade medieval e foi toda restaurada após intensos bombardeios durante II Guerra Mundial.

  

As árvores e suas folhas

O outono é a estação menos valorizada que eu conheço. Todo mundo fala tanto da primavera, mas o outono revela uma beleza menos óbvia. O outono também é perfeito para a reflexão.

É impossível observar as folhas caindo e não pensar no fim de um ciclo, no envelhecimento, na renovação e na beleza de todas as coisas. A folha que cai no chão morreu, mas antes de morrer ela passa pelo momento mais lindo de sua vida ao ficar vermelha, amarela e só então se deixar levar pelo vento. E mesmo depois de morrerem, as folhas formam tapetes pelos jardins e mais uma vez deixam a paisagem mais bonita.

Aprender a conviver com as estações do ano é como aprender a conviver com as diferentes fases da vida. Porém, na vida nós não somos as folhas das árvores, e sim as próprias árvores. Passamos por vários verões e invernos nas nossas vidas. As folhas que caem não voltam, mas novas folhas nascem e seguimos em frente. O grande erro das pessoas é achar que são folhas e se agarrarem a árvore até não poderem mais. E aí, quando finalmente caem, já não voam mais porque o vento já foi embora, e quando tocam o chão já não fazem parte do tapete que antes estava ali.

Valorizar o outono é abraçar a renovação e deixar as folhas caírem. Outras folhas virão. E como árvore que somos aproveitar o espetáculo das folhas caindo e se envaidecer com o lindo tapete de folhas que deixamos para trás. A beleza da vida é sua diversidade. É ver as folhas crescerem novamente.

Das Mausoleum

Hoje parei para respirar um pouco de história depois da minha corrida matinal. Visitei o Mausoléu do Palácio.

O Mausoléu do Palácio de Chalottenburg é a última morada do Rei Friedrich Wilhelm III, da Rainha Luise da Prússia, do Imperador Wilhelms I e de sua esposa Augusta. O coração do Rei Friedrich Wilhelm IV, a Princesa Auguste de Lietnitz e o Príncipe Albert da Prússia também estão enterrados ali.

Os sarcófagos em mármore são considerados as mais importantes esculturas feitas no século XIX.

   
    
 

Disciplina

  
Correr 3 quilômetros foi uma vitória e tanto para mim. Foram 21 minutos correndo em uma média de 7 minutos por quilômetro. A minha meta é correr 5 quilômetros em 30 minutos até o fim do ano.

A aula de alemão foi muito boa hoje, cada vez consigo me comunicar melhor na rua. Ao fim desta semana, eu terei aprendido 1/6 da língua alemã. Um avanço considerável para quem chegou aqui no dia 1° de setembro sabendo falar somente Guten Tag.

O importante é ter disciplina para estudar todo dia em casa e para me exercitar no parque. Para isto, acordo todo dia por volta de 8:00, hora que a Sarah acorda para ir para a aula dela (a faculdade começa às 9:00).

Graças a máquina de café expresso, tenho lido o jornal Berliner Morgen Post tomando uma boa xícara de café. Troco de roupa e vou correr no parque em seguida. Na volta, faço o dever de casa da aula de alemão e estudo um pouco.

Saio de casa às 14:00. Pego o trem das 14:15 e chego na Alexanderplatz às 14:45. Ainda dá tempo de passear pelas lojas antes de entrar na aula. A aula vai das 15:00 às 18:00. A turma que começou com 10 alunos está com apenas 7 agora. Hoje só foram 5. Em um curso intensivo como o que estou fazendo, faltar uma aula significa perder uma lição inteira. É muito conteúdo para recuperar.

Quando saio da aula já está bem escuro. O sol está se pondo cada dia mais cedo. Em dezembro anoitecerá às 16:00. Aproveitar bem a luz do dia é fundamental.

Ein Schöner Tag

Hoje o dia amanheceu especialmente bonito. Corri 3 quilômetros e andei outros 3 quilômetros pelos jardins do palácio. Almocei um arroz à grega com salada de batata no almoço. A aula de alemão foi ótima e estou conseguindo falar melhor a cada dia.

O outono é realmente muito bonito. As folhas caindo no chão criam paisagens fantásticas. As temperaturas entre 8°C e 13°C também são muito agradáveis. Saí bem cedo de casa, antes dos turistas chegarem no palácio. Com os jardins só para mim, pude observar meus amigos esquilos brincando nas árvores. Eles ficam perto do Mausoléu, onde estão enterrados reis e rainhas do Império Prussiano. É um local muito tranquilo. Tirei uma foto de lá outro dia. Não tinha sol e as folhas ainda não tinham caído. Ainda assim, este pedacinho do palácio me chamou a atenção desde a primeira vez.

  
Depois de muito pesquisar, programamos a nossa primeira viagem internacional da temporada para a terceira semana de novembro. O destino escolhido foi Copenhagen. O voo até a Dinamarca dura somente 1 hora e a passagem foi super barata (gastamos €50/pessoa, ida e volta com as taxas).

Sempre tive curiosidade de conhecer a Escandinávia e a proximidade de Berlim é bem conveniente para explorar a região.