Ganso de Natal

Aqui na Alemanha, a carne típica de Natal é o ganso. Estou há uma semana pesquisando e lendo sobre o ganso. Ontem, tomei coragem e comprei o ganso. Comprei um peito de ganso pesando 1 kg. Temperei com ervas, cebola, alho, vinho branco, suco de laranja e raspa da casca da laranja. O ganso ficou 2h30 no forno em temperatura baixa (150°C). O resultado está nas fotos abaixo:

   
   
Para acompanhamento fiz arroz à grega, farofa e salada de batata. Um bom vinho branco italiano (que custou €3,99) completou a ceia.

Frohe Weihnachten!

Klausenauerplatz

Hoje foi mais um dia de Sol e calor (13ºC). O tempo estava tão bonito que tirei uma foto da pracinha aqui do lado de casa. Passo todo dia por ela, a caminho do parque do palácio, do mercado ou do metrô. Esta pracinha se chama Klausenauerplatz e é um ponto histórico de Berlim.

O local onde hoje fica a praça era originalmente um alojamento da cavalaria que fazia a proteção do Rei entre os anos de 1844 e 1889. Com a urbanização da área, a região recebeu ruas e o local foi transformado em uma praça decorativa. Somente em 1921 a praça recebeu uma área de lazer e se tornou acessível ao público. Em 1941 o lugar foi novamente remodelado para se tornar um bunker nazista. Após o fim da guerra, o bunker continuou no local até 1986. Hoje a praça tem o mesmo formato projetado em 1921 com um grande gramado e um bom playground para crianças.

Lotto

Gosto de jogar em cassinos e de vez em quando também faço uma aposta na loteria. Já joguei em cassinos em Las Vegas, Atlantic City, Macau, Cingapura, Brisbane, Auckland, Busan, Buenos Aires, entre outras cidades. A verdade é que até hoje só ganhei dinheiro nos EUA. Nos outros países, empatei ou perdi dinheiro.

Aqui em Berlim, o jogo é liberado. É possível encontrar pequenos cassinos em cada esquina e a cidade tem um grande cassino na Potsdamer Platz. Ainda não fui lá, mas parece ser um lugar mais sério, tendo em vista que tem código de vestimenta e cobra entrada (€2,50).

Muita gente aposta em cavalos, jogos de futebol, corridas de cachorro e qualquer esporte existente. Tem gente que aposta até em jogo da terceira divisão do campeonato brasileiro. O jogo é liberado na Europa e muita gente joga em loterias de diferentes países.

Uma modalidade popular de aposta aqui na Alemanha é a Lotto. Ela tem sorteios às quartas e aos sábados e os prêmios chegam a €45 milhões.

O apostador deve escolher 6 números de 1 a 49 mais um “super-número” de 0 a 9. Acertando os 7 números ele faz o jackpot e ganha o maior prêmio. Acertando 3 ou mais números, o apostador já é premiado.

O prêmio é isento de impostos e qualquer pessoa pode jogar, independente da nacionalidade e local de residência. Basta ser maior de idade.

Falando sobre maioridade, a idade para consumir álcool na Alemanha é extremamente baixa. Não existe lei que proíba o consumo de bebida alcoólica por menores de qualquer idade. A partir dos 14 anos, menores já podem beber (cerveja e vinho) em locais públicos quando acompanhados pelos responsáveis. A partir dos 16 anos, menores já podem comprar e consumir cerveja e vinho mesmo desacompanhados. A partir dos 18 anos o alemão atinge a maioridade e pode beber o que quiser em qualquer lugar.

A cerveja aqui não carrega estigma e muita gente começa a beber de manhã. O pessoal da construção civil costuma tomar uma antes de trabalhar. O funcionário de escritório eventualmente toma uma cerveja no almoço. O Kneipe (botequim, em alemão) abre de manhã e logo cedo já tem gente lá dentro.

  
Voltando ao assunto deste post, cada jogo custa €1 e o processamento da aposta custa €0,50. Desta maneira, apostar um jogo em um sorteio custa €1,50. Mas se o apostador quiser jogar 12 jogos por 20 sorteios consecutivos (quantidade máxima de apostas possíveis em uma cartela) ele vai gastar €240 em jogos e mais €0,50 no processamento da aposta, totalizando €240,50. O jogo acima, por exemplo, custou €1,50.

É possível fazer a aposta em qualquer banca de jornal ou mercadinho na rua. Os alemães sabem que é quase impossível ganhar na loteria, mas gostam de jogar para poder conversar sobre o que fariam com o prêmio se ganhassem.

Update: Como se tornar alemão (parte 2)

Acabei de ler o livro “Como se tornar alemão em 50 passos” e conto aqui as minhas impressões sobre cada um dos pontos levantados por Adam Fletcher.

Para ver os primeiros 20 passos, clique aqui.

Seguem mais 10 passos para se tornar alemão:

21º passo: Tatort gucken. Ver Tatort, o que mais? É claro que já estou 100% alemanizado nesse aspecto!

22º passo: Es ist erst wahr, wenn du es auf Spiegel Online gelesen hast. Ler o jornal “Spiegel Online” é uma obrigação do bom alemão. Uma curiosidade: Spiegel quer dizer Espelho.

23º passo: Immer mit freundlichen Grüssen schliessen. Ao escrever um e-mail, mesmo as mensagens mais agressivas terminam com um “Atenciosamente”.  Parece que é uma maneira de manter a civilidade.

24º passo: Prost!!! Brindar na Alemanha é um negócio sério. Significa olhar no olho de cada um na mesa e encostar os copos. Nada de brinde simbólico ou beber sem olhar. Um brinde mal-feito pode render 7 anos de “sexo ruim” para o desleixado.

25º passo: Bionade trinken, Bio kaufen. Tudo aqui é “Bio”. Até a árvore de Natal perfeita deve ter o selo.  O que será que isso significa? Provavelmente nada. Só uma maneira de distrair o alemão mão-de-vaca e fazer ele gastar mais dinheiro.

26º passo: Recyclen. Tem lixeira para vidro escuro, vidro transparente, papel, plástico, resíduo, etc., etc. E o que não vai para a lixeira tem Pfand, e deve ser levado de volta ao supermercado para receber o reembolso do casco.

27º passo: Halte dich an die Regeln. Aqui o autor do livro fala sobre o pânico que o alemão sente ao quebrar as regras. A única ocasião em que eles se sentem crianças novamente é ao pegar o metrô sem um ticket válido. Em qualquer outro caso, dá para sentir o medo no ar.

Vou interromper o update para contar meu “causo” de hoje. Como já comentei no blog, o alemão só atravessa a rua quando o semáforo está verde para ele. Fui atravessar um rua hoje e depois de 30 segundos o sinal não abriu. O homem ao meu lado (de uns 50 anos), começou a xingar e atravessou a rua mesmo com o semáforo ainda fechado. Quando chegou do outro lado continuou resmungando e apontando para o pequeno homem vermelho de chapéu (o Ampelmann). Eu observei tudo aquilo calmamente e esperei mais 30 segundos até o semáforo abrir e pensei comigo – que alemão selvagem, espero que ele tenha um bom Lebenversicherung (seguro de vida)!

28º passo: Liebe dein Auto. Eles adoram carros. É lógico que aqui não faltam exemplares da Porsche, Mercedes-Benz, BMW, Audi e outras marcas. Mas os carros passam a maior parte do tempo estacionados na rua. Muitos edifícios não tem garagem e não é raro ver carros de luxo pernoitando nas ruas e avenidas da cidade.

29º passo: Klugscheissen. Uma das características do alemão é ter certeza de tudo. Ele interrompe qualquer história quando encontra um erro (do ponto de vista dele). Até as piadas aqui precisam passar pelo crivo da sabedoria alemã. Esta característica é muitas vezes confundida com falta de humor, coisa que eles tem de sobra. O que falta neles é capacidade de conviver com a dúvida. E para não parecerem fracos, os alemães acabam sendo Klugscheißer (sabichões).

30º passo: Witze hinterfragen. O autor do livro reforça a mania do alemão de questionar até a veracidade de piadas. Adam Fletcher está certo.

Solstício de Inverno

Hoje foi o dia mais curto do ano no hemisfério norte. O Sol nasceu às 8:16 e se pôs às 15:55. A data é muito importante nas culturas antigas, sendo comemorada no Ocidente e no Oriente desde o início dos tempos. Era tão importante que obrigou a Igreja Católica a mudar o nascimento de Jesus para o dia 25 de Dezembro a partir do século IV.

Hoje foi um dia especialmente bonito. Bonito porque foi curto e teve que ser aproveitado até o último segundo.  O alemão celebrará a vida até o dia 24 de Dezembro e depois se protegerá do longo inverno que vai até o fim de março e muitas vezes se estende até abril.

Agora, quase 10 horas da noite, a temperatura segue firme nos 13ºC. O El Niño está com tudo este ano. Os antigos estariam sacrificando animais em dobro e agradecendo aos céus. Ou estariam com medo de que o calor fosse um sinal do fim dos tempos. Tudo depende de como a mídia noticiava os acontecimentos da época. O que aprendi, lendo os jornais brasileiros, americanos e alemães é que olhamos o mundo por trás de uma série de lentes e quanto mais longe estamos dos fatos, mais distorcidos e revirados eles ficam. Mas culpar a mídia seria ingênuo, já que a maior parte das distorções acontece na nossa cabeça, por pura conveniência.

Fomos no mercado reabastecer a geladeira e encontramos mais um prato exótico do Natal alemão. Na mesma geladeira dos gansos, patos e frangos estava uma… galinha-d’angola! É isso mesmo, eles comem a pobre galinha-d’angola. Aquela que grita sem parar: “Tô fraco! Tô fraco! Tô fraco!”. Já falei para a Sarah que estou sentindo a falta de alguns patos do parque. Tenho a impressão de que os patos que ainda não migraram vão acabar sendo servidos na ceia de Natal de algum alemão. E mais, conhecendo o povo daqui, imagino que os velhinhos que estavam bondosamente jogando migalhas de pão para os patos nas últimas semanas, estavam na verdade engordando os bichinhos e garantindo que eles tivessem o selo de “Bio”.

Capuccino

Hoje o sol apareceu para completar o veranico de Berlim. A temperatura na casa de 11°C estava convidativa para um capuccino na varanda de um Café. E foi o que eu fiz.

 

Tomar um capuccino na varanda é um momento de alegria ímpar para o alemão. Alguns sentam com um livro ou um jornal, outros conversam despreocupadamente com um amigo e todos buscam um espaço ao sol em um dia como hoje.

Hoje foi o dia da festa de Natal do curso. Cantamos músicas de Natal em alemão, fizemos um pequeno quiz sobre os países de cada estudante, comemos guloseimas e trocamos presentes.

Fiz 7 perguntas (em alemão) no meu quiz sobre o Brasil. Todas as perguntas eram de múltipla escolha com três opções. Ninguém acertou o nome da capital do Brasil, o nome da moeda local, o número de habitantes ou como se diz muito obrigado. As respostas para essas perguntas foram, respectivamente: a) São Paulo; b) Peso; c) 300.000.000 e; d) Molte Grazíe. A boa notícia é que eles acertaram os ritmos mais conhecidos (Samba e Bossa Nova), a nossa língua (português) e os países que não fazem fronteira (Chile e Equador).

Ganhei um livro de desenhos tradicionais da China. Um presente de uma aluna chinesa muito simpática que até hoje não aprendi a pronunciar o nome. Quando os asiáticos viajam ao exterior, sempre levam consigo uma série de lembrancinhas para dar às pessoas que eles irão conhecer no país que estão visitando. É impressionante a preocupação que eles têm em presentear com muito cuidado em qualquer ocasião.

Os doces de Natal na Alemanha giram em torno de especiarias como cravo e canela. O pão de mel faz muito sucesso por aqui também. Os doces nunca tem muito açúcar e alguns são até um pouco salgados como os bombons de chocolate recheados com caramelo salgado. A primeira vez que comi o caramelo salgado foi no Japão. Estava no Parque da Universal Studios em Osaka e resolvi experimentar um churro de abóbora com recheio de caramelo salgado. Estava bem bom!

Mudando de assunto, o mercado já está abarrotado de comidas típicas de fim de ano. Enquanto o ganso (e o pato) fazem sucesso no Natal, o prato do Ano Novo é o porco. O porco é um sinal de sorte e fartura na cultura alemã e o lombo no molho de manteiga com ervas é uma tradição. O acompanhamento consiste em batata e chucrute (sauerkraut), obviamente.

Hora do Tatort

  
Detalhe da legenda: “Scheiße. Sie müssen durchhalten. Wir sind gleich da.” Tradução: “Merda. Aguenta firme. Nós estamos quase lá.”

Domingo, 8:15 da noite. Hora do Tatort, o programa de maior audiência da TV alemã.

Aqui em casa, não perdemos um episódio. Com a legenda, não é tão difícil de acompanhar a história. O melhor de tudo é sentir a evolução na compreensão a cada semana.

4º Domingo do Advento

Hoje é o quarto domingo do Advento, dia de acender a quarta vela e aguardar o Natal. Aqui em Berlim, foi o último domingo para aproveitar as feirinhas de Natal e comprar os presentes. O comércio abriu de 13h às 18h.

 
A feirinha em frente ao Palácio estava lotada hoje. Esta foto foi tirada às 17h. A temperatura hoje está extremamente agradável, em 11°C.

Passeamos pelo Ku’damm que estava igualmente lotado. Encontramos pessoas comprando árvores de Natal e carregando pela rua. O clima só não está bom para o vendedor de Glühwein (quentão). Com esse calor, a cerveja fresca está fazendo mais sucesso.

Para o Natal, a tradição é comer um Ganso de Natal (Weihnachtsgans). O acompanhamento típico são bolas de batata e repolho roxo. O ganso ainda é dúvida na ceia aqui de casa. Veremos ao longo da semana.

Alexander von Humboldt

11048669_730725347041373_7124221466894191281_oFoto tirada pela Sarah em nossa viagem pela Bolívia.

„Die gefährlichste Weltanschauung ist die Weltanschauung derer, die die Welt nie angeschaut haben.“ – Alexander von Humboldt (1769-1859)

A mais perigosa visão de mundo é a visão de mundo daqueles que não viram o mundo. – Alexander von Humboldt (1769-1859)

Humboldt foi o mais importante explorador, geógrafo e naturalista da Alemanha. Aos 20 anos, fez sua primeira viagem científica pela Alemanha, Holanda e Inglaterra. Aos 30 anos fez uma viagem de 5 anos pela América Central e do Sul que o deixou mundialmente famoso.  Fez também uma viagem exploratória pela Ásia Central anos mais tarde. Ele nasceu e passou boa parte da sua vida em Berlim e hoje a mais importante Universidade da cidade leva o seu nome.

O novo livro “The Invention of Nature: Alexander von Humboldt’s New World” da escritora Andrea Wulf reconta um pouco da vida de Humboldt e de sua fantástica viagem pela América Latina. O livro pode ser comprado no site da Amazon, por enquanto, somente em inglês.