Hoje foi o dia mais curto do ano no hemisfério norte. O Sol nasceu às 8:16 e se pôs às 15:55. A data é muito importante nas culturas antigas, sendo comemorada no Ocidente e no Oriente desde o início dos tempos. Era tão importante que obrigou a Igreja Católica a mudar o nascimento de Jesus para o dia 25 de Dezembro a partir do século IV.
Hoje foi um dia especialmente bonito. Bonito porque foi curto e teve que ser aproveitado até o último segundo. O alemão celebrará a vida até o dia 24 de Dezembro e depois se protegerá do longo inverno que vai até o fim de março e muitas vezes se estende até abril.
Agora, quase 10 horas da noite, a temperatura segue firme nos 13ºC. O El Niño está com tudo este ano. Os antigos estariam sacrificando animais em dobro e agradecendo aos céus. Ou estariam com medo de que o calor fosse um sinal do fim dos tempos. Tudo depende de como a mídia noticiava os acontecimentos da época. O que aprendi, lendo os jornais brasileiros, americanos e alemães é que olhamos o mundo por trás de uma série de lentes e quanto mais longe estamos dos fatos, mais distorcidos e revirados eles ficam. Mas culpar a mídia seria ingênuo, já que a maior parte das distorções acontece na nossa cabeça, por pura conveniência.
Fomos no mercado reabastecer a geladeira e encontramos mais um prato exótico do Natal alemão. Na mesma geladeira dos gansos, patos e frangos estava uma… galinha-d’angola! É isso mesmo, eles comem a pobre galinha-d’angola. Aquela que grita sem parar: “Tô fraco! Tô fraco! Tô fraco!”. Já falei para a Sarah que estou sentindo a falta de alguns patos do parque. Tenho a impressão de que os patos que ainda não migraram vão acabar sendo servidos na ceia de Natal de algum alemão. E mais, conhecendo o povo daqui, imagino que os velhinhos que estavam bondosamente jogando migalhas de pão para os patos nas últimas semanas, estavam na verdade engordando os bichinhos e garantindo que eles tivessem o selo de “Bio”.