Der Schornsteinfeger

Avistar um limpador de chaminés (Der Schornsteinfeger) ou, especificamente, girar um dos botões prateados do seu uniforme, é uma antiga superstição alemã. Dizem que traz boa sorte.

Como o inverno está bem ameno até agora, ainda não vi nenhum. Segundo a tradição, o profissional que faz a limpeza de chaminés usa um uniforme típico (Russgewand, que pode ser traduzido como “traje de fuligem”) com uma cartola e é visto pela cidade carregando uma escada.

A tradição não é uma exclusividade da Alemanha e também pode ser observada na Grã-Bretanha. A origem da superstição é desconhecida, mas alguns afirmam que está relacionada com a alegria que a pessoa sente quando tem a sua chaminé desentupida. Ela então pode voltar a usar a calefação e não morrer de frio no inverno.

Na segunda-feira haverá uma pequena confraternização de Natal no meu curso de alemão. Cada um deve levar uma lembrancinha para dar para o seu amigo oculto (que é oculto para todos, inclusive para mim). Fui em uma drogaria (um tipo de farmácia que vende de tudo, parecida com as que existem no EUA) aqui do lado de casa para escolher um presente, encontrei um bonequinho de um  Schornsteinfeger e resolvi comprar para dar de presente. Comprei um embrulho de presente e ficou bem legal!

  
Infelizmente, eu esqueci de tirar uma foto do Schornsteinfeger, mas achei uns bonequinhos na Amazon bem parecidos. Clique aqui para ver.

Cadê o inverno?

  
Nada de neve no Natal! A temperatura máxima vai ficar na casa dos 2 dígitos até a semana que vem.

Esta não é a temperatura normal para esta época do ano. Cientistas afirmam que é o El Niño mais forte já registrado.

Os três primeiros meses do ano tem a reputação de serem bem frios em Berlim. A temperatura só costuma subir a partir de abril. No dia 1º de maio deste ano, por exemplo, a temperatura máxima foi de 14°C em Berlim.

Se a temperatura continuar agradável assim até o Ano Novo, acho que vamos passar a virada no Portão de Brandemburgo. Já fomos em uma festa lá, com shows e fogos no Dia da Unidade Alemã, e foi bem legal.

Por enquanto, nada de ceroulas, gorros, cachecóis e luvas para sair de casa. Só um casaquinho leve!

Empfehlung (Recomendação)

Titel: Wie man Deutscher wird in 50 einfachen Schritten
Autor: Adam Fletcher
Genre: Humor
Warum: Lustig (habe viel gelacht) und interessant (habe viel über Deutscher gelernt)

Ich möchte euch das Buch „Wie man Deutscher wird“ von Adam Fletcher empfehlen. Das Buch ist sehr lustig und wirklich interessant. In 50 Schritten kann man viel über deutschen Gewohnheiten lernen. Die Lektionen sind kurz und das Buch ist zweisprachig. Sehr praktisch!

Tradução:

Título: Como se tornar alemão em 50 passos
Autor: Adam Fletcher
Gênero: Humor
Por que: Divertido (ri muito) e interessante (aprendi muito sobre o alemão)

Eu gostaria de recomendar o livro “Como se tornar alemão” por Adam Fletcher. O livro é muito divertido e muito interessante. Em 50 passos você pode aprender muito sobre os hábitos alemães. As aulas são curtas e o livro é bilíngüe. Muito útil!

Zimmerreservierung für 15. – 18. Juni

Exercício de como solicitar informações para reserva de quarto em hotel:

Sehr geehrte Damen und Herren,

Ich würde gern wissen, ob Sie vom 15. – 18. Juni noch ein Zimmer frei haben. Ich brauche ein Einzelzimmer für drei Nächte mit Halbpension. Ich würde auch gern wissen, ob Sie einen Parkplatz haben. Außerdem würde ich gern wissen, wieviel das zimmer kostet.

Mit freundlichen Grüßen,
Antenor Simões Jr.

Tradução:

Caro(a) Senhor(a),

Gostaria de saber se os Srs. possuem um quarto disponível para o período de 15-18 de Junho. Preciso de um quarto individual para três noites com meia pensão. Eu também gostaria de saber se os Srs. possuem estacionamento. Além disso, eu gostaria de saber quanto custa o quarto.

Atenciosamente,
Antenor Simões Jr.

Ein Verbrecher (um criminoso)

Pequeno texto ficcional sobre um Verbrecher (criminoso em alemão):

In der Nacht war ich in meinem Schlafzimmer und ich habe Lärm gehört. Dann bin ich zum Fenster gelaufen und da habe ich einen Mann gesehen. Er hat von meinem Nachbarn das Fahrrad gestohlen. Danach habe ich die Polizei angerufen. Zum Glück ist nichts mit meinem Nachbarn passiert. Leider konnte die Polizei das Fahrrad nicht finden. Am Schluss haben wir Überwachungskameras installiert und jetzt fühlen wir uns sicherer.

Tradução:

Estava no meu quarto à noite e ouvi um barulho. Então, corri para a janela e lá eu vi um homem. Ele roubou a bicicleta do meu vizinho. Então eu chamei a polícia. Por sorte, nada aconteceu com meu vizinho. Infelizmente, a polícia não conseguiu encontrar a bicicleta. No final, nós instalamos câmeras de segurança e agora nos sentimos mais seguros.

Konversationsklub

Em janeiro vou fazer o Konversationsklub. Nele, os alunos podem participar de pequenos grupos de discussão para prática de conversação em alemão.

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A minha aula vai ser toda sexta-feira às 9:00 da manhã.

Viagem

Falar sobre assuntos que não dominamos deveria ser mais difícil, teoricamente. Ao passo que assuntos em que temos completo domínio deveriam ser mais fáceis. Mas a realidade não costuma se dar bem com a teoria.

Quanto mais conhecemos sobre um assunto, mais temos a capacidade de relativizar e criar contrapontos para qualquer linha de argumentação. É possível dizer que, ao dominar um determinado tema, somos capazes de defender ou atacar qualquer ponto de vista. Temos razões suficientes para concordar ou discordar de qualquer afirmação.

Por isso, falar sobre viajar é um tema um pouco arenoso para mim. Minha experiência me diz que posso falar confortavelmente sobre o assunto, mas ao mesmo tempo me diz que tenho muito mais a aprender. Posso concordar sobre quase tudo que já foi escrito sobre o assunto, assim como posso discordar de quase tudo.

A verdade é que nasci viajando. Sou filho de pais cariocas, mas nasci na Bahia. Sou turista na cidade em que nasci. Fui criado no Rio de Janeiro dos anos 90, e hoje me sinto um pouco deslocado quando visito o Rio. A cidade evolui constantemente no caos. Morei dois anos e meio em Santa Catarina e nove anos em Curitiba. Neste meio tempo visitei dezenas de países, passei uma temporada nos Estados Unidos, um mês de França e agora estou há quase 4 meses na Alemanha.

Aos quinze anos saí do país pela primeira vez. Fui para o Chile. Aquela viagem me marcou pela experiência de estar pela primeira vez sozinho em um lugar estranho. Supostamente, eu deveria ter feito uma excursão de esqui em Valle Nevado. Na realidade, vi o meu guia de viagem no dia em que chegamos no Chile e no dia que fomos embora. Durante sete dias, aprendi a esquiar, saltei de asa-delta e me aventurei pela vida noturna de Santiago.

Aos vinte anos partiria para a grande viagem da minha vida: um intercâmbio de trabalho em uma estação de esqui na Califórnia. Foram quatro meses trabalhando em uma loja de aluguel de esquis. Lá conheci minha esposa, conheci melhor a cultura americana, aperfeiçoei a língua inglesa e pude curtir o inverno esquiando em um lugar paradisíaco.

Ao fim do intercâmbio, por sugestão da Sarah, resolvi fazer um mochilão pela Europa. Foi uma das experiências mais marcantes da minha vida. Naquele período, senti de fato a solidão e as incertezas da juventude. Enquanto conhecia aqueles países fantásticos, tive tempo para refletir e pensar sobre a vida. Lembro de andar de madrugada por Bruxelas depois de passar a noite conversando com um barman romeno. Ou quando fui por três dias seguidos em um show de improvisação em um teatro de Amsterdam. Cada dia daquela viagem foi especial e ainda lembro de cada detalhe.

Aos vinte e cinco anos, faria mais uma viagem inesquecível pela Europa.  Desta vez com a minha noiva. Passamos um mês em Grenoble, uma cidade universitária na França. Conheci uma França completamente diferente daquela que tinha visitado quatro anos antes. Ao passar um mês em uma cidade, você começa a entender um pouco da cultura e do dia-a-dia. O fato de entender o idioma também foi fundamental para compreender melhor o país. Mas o que fez esta viagem especialmente divertida foi o orçamento. Quando decidimos rodar a Europa em 2006, a grana estava bem curta e nosso orçamento só dava para um albergue e um pão com queijo. Além de perder mais de dez quilos em dois meses, a gente ainda se divertia procurando comida barata em cidades caras, como Genebra. No final, voltamos ao Brasil com o know-how de como viajar sem dinheiro.

Em 2009, voltamos a Europa em uma viagem mais confortável, ficando em hotel e experimentando a gastronomia de cada país. Em 2010, fizemos uma viagem de luxo pelos Estados Unidos em que eu aluguei um Camaro vermelho e viajei mais de 2.000 quilômetros pela costa leste. Em 2011, fomos para a Austrália e Nova Zelândia e passamos o Ano Novo na Opera House em Sydney.

Em 2013, fiz a viagem mais surpreendente da minha vida. Conhecemos a Ásia. Em cada país que chegávamos, ficava maravilhado. O atmosfera de Bangkok é indescritível e o ritmo é simplesmente enlouquecedor. Em Cingapura conhecemos a materialização do planejamento perfeito. Em Hong Kong, me senti em uma Nova Iorque de 2025. A cada cidade me surpreendia mais. Macau com seus cassinos e Kuala Lumpur com sua mistura de civilizações. As lindas praias da Tailândia me obrigaram a rever o conceito de paraíso. Mas foi no Vietnã que eu descobri um universo paralelo, onde as pessoas ainda vivem uma vida simples e encontram a felicidade nas pequenas coisas.

Entre uma viagem e outra ainda encontramos tempo para voltar aos Estados Unidos e visitar outros países mais próximos, como a Colômbia. A Colômbia foi uma surpresa extremamente agradável. Um país rico, bonito e com um grande potencial turístico.

Em 2014 fizemos nossa viagem para a Coreia do Sul e Japão. Nessa viagem, descobrimos porque a Coreia é o país que possui o maior número de marcas em evidência mundialmente. Um país que tem Hyundai, Kia, Samsung, LG e outras marcas merece uma visita. O Japão, por outro lado, é o retrato de um civilização que já atingiu o seu ápice e que agora vive um lento e confortável declínio. Ainda sim, a mentalidade japonesa merece um estudo detalhado. Eles são um exemplo de dedicação, organização e foco (e se assemelham muito aos alemães nesses sentido).

Passei o Réveillon de 2015 no Deserto do Atacama. O Chile é um exemplo do potencial da América do Sul. Um país que está 100 ou 200 anos a frente do Brasil, mesmo sendo o país mais estreito do mundo. Ao atravessar a fronteira com a Bolívia, tive a oportunidade de conhecer a natureza na sua forma mais bruta. Gêiseres, vulcões em atividade e um interminável deserto de sal. Como ficar indiferente perante a força da natureza? Vivemos em um planeta realmente fantástico!

Entre uma viagem a Las Vegas, um jantar em Hanói, um hotel de sal na Bolívia e, mais recentemente, uma escalada pela montanha de Huyana Picchu, em Machu Picchu, comecei a pensar sobre o conceito de viagem. Afinal de contas, o que é viajar? O que eu aprendi, por exemplo, durante o dia que passei na Bratislava, capital da Eslováquia? Será que eu conheço, de fato, a Eslováquia? É claro que não.

E nesse sentido, a experiência de estar há quase quatro meses em Berlim, me faz pensar na minha primeira visita de cinco dias pela cidade. Quando visitei a capital da Alemanha em 2009, pude conhecer as avenidas amplas, o peso da História, a organização e a eficiência alemã. Mas só depois de três meses aqui, entendo o espírito avant-garde da cidade e a fixação alemã pela burocracia. O mundo do alemão é um quadrado firmemente delimitado por certezas absolutas. E uma dessas certezas é de que o alemão sabe o que é melhor para ele e para a sociedade. Por este motivo, discordar de um alemão é uma das tarefas mais exaustivas que um ser humano pode experimentar. Eles tem certeza absoluta de tudo e discordam de qualquer opinião diferente. Ponto.

Mas o assunto deste post é viagem. Vale a pena ficar 5 dias em cada lugar ao longo de um ano e conhecer 70 países ao longo de um ano? Esta resposta eu tenho na ponta da língua: não. Muita gente visita 30 ou 40 países ao longo de um ano, o que significa ficar 10 dias em cada lugar. É válido? Sim, tudo é válido. Mas para conhecer um país de fato, você precisa de mais tempo. Talvez seis meses, partindo do princípio que você fala o idioma local. Mas o que fazer então? Uma pessoa precisaria de 50 anos para conhecer 100 países nesse ritmo.

Para sair deste dilema insuperável, uma das alternativas é dedicar 6 meses para cada região. Por exemplo, 6 meses no sudeste asiático, 6 meses na Oceania, 6 meses na África, 6 meses na América do Sul, 6 meses na América do Norte, 6 meses no Oriente Médio, 6 meses na Ásia, 6 meses na Europa Ocidental, 6 meses no leste europeu e 6 meses na América Central. Neste modelo de viagem, seriam necessários 5 anos para conhecer o mundo. Um pouco mais factível.

Mas a pergunta que se faz agora é: por que conhecer o mundo? O que há de tão interessante longe de casa? O mundo é como um museu vivo. É como entrar no Louvre e não ficar com vontade de passar 3 meses lá dentro. A vida é esse grande passeio e que, nesse momento, nos dá a oportunidade de conhecer este planetinha em que nascemos. Quem sabe no futuro não poderemos explorar outros planetas e galáxias com a mesma facilidade que viajamos de avião hoje?

Entender esta corrida desesperada da humanidade rumo ao nada é uma experiência alucinante. Somos 7 bilhões de lemmings perseguindo a sobrevivência e a perpetuação da espécie. Seres movidos pelo instinto que se consideram de alguma forma superiores pela capacidade raciocínio. E quanto mais viajamos menos certezas temos e mais vontade de conhecer novos lugares temos.

A tecnologia facilita muito o mundo do viajante. Serviços como o Airbnb permitem que o turista viva na casa de alguém por alguns dias e interaja mais com a realidade local. Fazer compras no supermercado, estudar, trabalhar, ver TV, ler o jornal, andar pela rua – isto constitui uma experiência completa em um país. Visitar pontos turísticos e tirar fotos é como olhar pelo buraco da fechadura. Somos meras testemunhas do que está acontecendo atrás daquela porta.

Viajar é como fazer uma tatuagem na mente. A cabeça fica marcada por aquela experiência. É como ler e escrever um livro ao mesmo tempo. E aprender um novo idioma, faz com que se descubra uma maneira completamente nova de pensar também. Todas as certezas vão sumindo e o mundo vai ficando cada vez mais interessante.

7×1 no Natal também 

Fomos na feirinha de Natal e pela milésima vez fomos zoados por um alemão quando ele descobriu nossa nacionalidade. Enquanto mencionava a alegria proporcionada pelo Brasil no 7×1, a maior desde a queda do muro de Berlim, segundo ele, outro alemão cantava e dançava uma versão obscura do grito de “É campeão!”.

Toda a seriedade do alemão vai embora quando ele está bebendo e comendo na rua. É a verdadeira paixão do alemão. E quando o assunto é futebol, nada deixa o alemão mais eufórico do que a lembrança do goleada no Brasil.

Uma coisa é certa: o Natal é muito mais celebrado do que a Oktoberfest em Berlim. As feiras de Natal vivem lotadas e as pessoas parecem se divertir como crianças.

O alemão tem o hábito de comprar uma árvore de Natal de verdade (um pinheirinho) para decorar em casa. Porém, a árvore só é montada no dia 24 e faz parte da surpresa para as crianças. As árvores são vendidas nas praças da cidade e são embaladas em uma rede para proteger os galhos. O preço varia entre €20 e €70, dependendo do tamanho. Não me parece muito ecológico já que o pinheiro é cortado sem raiz e não é colocado em vaso nem nada. Depois de 2 semanas, ele vai para o lixo.

Jeitinho brasileiro

Estava passeando pela Internet quando encontrei um vídeo de um historiador chamado Leandro Karnal. Nunca tinha ouvido falar deste senhor, mas o tema do vídeo me chamou atenção: o jeitinho brasileiro.

No vídeo, o historiador explica que o jeitinho brasileiro é uma maneira de negociar as regras. “É como a lei do Rei, que todos acatam, mas ninguém obedece.” E um dos símbolos mais contundentes do jeitinho é o diminutivo. É o “só mais um pouquinho”, o “rapidinho” e o  próprio “jeitinho”. E ele compara o jeitinho brasileiro como uma constante negociação das regras em contraponto à sociedade organizada europeia como um lugar com pouca liberdade individual.

Em um momento brilhante, ele conclui como o jeitinho e a organização se diferenciam. Diz ele: ” Com o jeitinho brasileiro prevalece o indivíduo sobre o grupo e na organização prevalece o grupo sobre o indivíduo.” E é exatamente como vejo a vida aqui na Europa. A sociedade funciona bem e dentro dela nos sentimos respeitados e satisfeitos. Porém, não existe espaço para espontaneidade ou grandes desvios para o bem e para o mal.

Continuei lendo sobre o assunto em outros sites e encontrei alguns dados que demonstram como as sociedades mais avançadas possuem maiores índices de suicídio.  Em uma sociedade organizada em que tudo funciona, o peso da infelicidade pessoal diante da satisfação coletiva é muito mais forte. Todos os motivos para a infelicidade recaem na vida pessoal e ao comparar o nível de sucesso da sociedade, as pessoas se sentem muito fracas e sozinhas.

Resumindo os dois pontos levantados acima, podemos dizer que o indivíduo alcança maiores índices de felicidade no caos, assim como se sente menos pressionado em um ambiente hostil. Se o brasileiro consegue ser feliz com toda a violência, corrupção e desorganização, ele se sente um herói. Se o europeu se sente infeliz mesmo com o Estado provendo saúde, educação, cultura, transporte e até mesmo incentivo financeiro, ele é um desastre de ser humano e deveria se matar.

E aí entra um ponto levantado pelo historiador em outro texto que encontrei na Internet. Leandro diz que dentre as suas preferências na história da humanidade estão os Estados Unidos: “Eu tenho um profundo interesse na sociedade norte-americana, nas suas contradições, na sua cultura, que produziu uma cultura mundial para o bem e para o mal. Problemas e soluções absolutamente interessantes”.

Os EUA encontraram o perfeito equilíbrio entre o caos e a organização. Ao valorizar a cultura da não-inteligência, o herói Forrest Gump, o fast-food e Hollywood eles conseguiram eliminar a seriedade europeia sem cair na terra sem-lei. Uma sociedade que se considera a melhor do mundo, mas sabe rir dela mesmo como ninguém.

A Alemanha é o ápice da organização europeia e, quiçá, mundial. Berlim é a capital e também a cidade menos alemã do país. Esta falta de seriedade do berlinense é uma luz no fim do túnel para a Europa e para o mundo. O modelo americano funcionou muito bem no século XX, mas talvez o berlinense tenha a receita para a sociedade perfeita do século XXI.

Para isso, a receita está em aumentar cada vez mais a mistura de culturas e backgrounds, deixando a cidade cada vez mais atrativa para os imigrantes. É possível ver o grau de desenvolvimento de uma cidade pela quantidade de pessoas de fora que ela atrai. Assim foi com o Rio de Janeiro até a década de 70 e assim é com São Paulo hoje em dia. O mesmo serve para Nova Iorque, Londres ou Paris.

Bagunçar um pouco a Alemanha é um desafio possível. Agora me pergunto: seria possível deixar o Brasil um pouco mais sério? Não, seremos para sempre o país do futuro. A Lei de Gerson está no nosso sangue. O Brasil vai continuar sendo o país com as pessoas mais felizes do mundo com a sociedade mais fracassada da humanidade.

Dolores Burritos

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Como qualquer cidade cosmopolita, é possível encontrar qualquer tipo de comida em Berlim. Quando o assunto é porco e batata, os alemães sabem o que estão fazendo. Quando foge disso, é melhor confiar em mãos estrangeiras.

Depois de duas semanas passando em frente do Dolores Burritos, tomei coragem e entrei. O lugar é bem decorado e oferece uma enorme variedade de pratos mexicanos. Os preços são bem razoáveis, com burritos a partir de €4,50.

A comida é muito saborosa e lembra muito o sabor da comida mexicana que eu conheci na Califórnia. O arroz com um toque de limão e molho levemente picante deixam a comida ainda mais autêntica, lembrando o mundialmente famoso Chipotle. Pedi um Naughty Pork, com uma deliciosa carnita asada.

E assim, tenho mais um lugar para comer bem e barato em Berlim, quando estou na rua. O Dolores junta-se ao Mustafa’s, Bat Viet, Burgermeister, Gusto Giusto, entre outros.