Hoje o dia amanheceu muito bonito. O sol invadiu a sala e deixou a nossa Acrópole naturalmente ensolarada.
Este pequeno souvenir de viagem custou apenas €1, mas traz boas lembranças de um excelente fim de semana.
Esta é a estação de metrô perto aqui de casa. Apesar de bem simples, ela tem a elegância e sobriedade típica de Berlim.
As estações de metrô da cidade foram reformadas desde a reunificação para voltarem a ter o mesmo aspecto da época de sua inauguração em 1902.
O transporte público é um dos destaques de Berlim. Eu arriscaria dizer que o transporte teve um papel importante na reunificação da cidade após a queda do muro. Tudo está a apenas algumas estações de metrô de distância.
A vida até parece uma festa, em certas horas é isso que nos resta. Não se esquece o preço que ela cobra, em certas horas é isso que nos sobra. – Diversão (Nando Reis, Sérgio Britto)
Hoje experimentei o Red Stag by Jim Beam, uma infusão de whisky (bourbon) com black cherry. Foi uma experiência e tanto.
Ver TV, comer nachos e beber bourbon. A melhor parte de trabalhar é ter um motivo para chegar em casa e relaxar.
Depois de perder 33 quilos posso dizer que a palavra-chave é moderação. Não é preciso ser radical em nada. Você pode fazer qualquer coisa, só não pode exagerar. Tomar uma cerveja por dia não tem problema, o que não pode é tomar uma caixa.
A mesma moderação que devemos ter na vida pessoal deve ser levada para a vida profissional. Quando você trabalha na Alemanha, a primeira coisa que você descobre é que fazer hora extra e viver para o trabalho é sinal de incompetência para o alemão. Eles respeitam o equilíbrio e a eficiência. Tão importante quanto chegar no horário é sair no horário. E por aqui todos querem fazer um trabalho bem feito, mas não mais do que isso.
Ninguém aqui pega atestado para faltar no trabalho. As pessoas pedem o dia de folga para ir ao parque, tomar uma cerveja e aproveitar o dia com a família. Não existe nada de errado nisso. A sinceridade do alemão serve para lembrar que a vida é curta e deve ser aproveitada.
Acordar, dormir, comer, beber, sair, estudar, trabalhar, viajar, ir ao shopping e no supermercado, ver um filme no cinema, comprar roupa, pagar contas, alugar um apartamento, fazer plano de saúde, se registrar na Prefeitura, tirar visto, abrir conta em banco, comprar móveis, decorar a casa, conhecer gente do mundo inteiro, conhecer novos países, conhecer novos pratos, aprender novas receitas, ver o outono e as folhas caindo, sentir o frio do inverno com neve, ver TV em outro idioma, aprender um novo idioma, andar de metrô, de trem e de ônibus, passar sufoco, raiva, alegria, tristeza, orgulho e medo. Isto é um pouco do que se vive em 6 meses em um novo país. Tudo é novidade, tudo é um desafio.
Sempre achei a vida muito curta para se viver uma vida só. A intensidade de uma mudança de país é revigorante. A gente precisa se reinventar todo dia e descobrir o que verdadeiramente move a gente. A parte mais difícil da mudança não é o choque cultural nem o idioma, é descobrir quem nós somos quando decidimos começar novamente. Questionamos não só nossos valores e nossas necessidades, mas também como nos vestimos, o que comemos, e como gastamos o tempo que temos.
Estes 6 meses foram gastos com muito aprendizado. Aprendi a respeitar mais o meu corpo, comendo melhor e me exercitando. Aprendi a respeitar mais outras culturas, tendo contato com pessoas do mundo inteiro. Não existe limite para aprender, cada pessoa tem uma importante lição para compartilhar. Nós colocamos os limites na nossa mente com nossos preconceitos, arrogância e, principalmente, com nossos medos.
O medo pode nos proteger do perigo, mas não podemos deixar ele nos paralisar. Se o seu trabalho não está bom, sua relação já não vale a pena, você está insatisfeito com seu país, com a sua família ou com o tempero da comida, não perca tempo reclamando. Planeje, pondere e tome uma ação.
No filme Bridge of Spies, o ator Mark Rylance interpreta um espião soviético que é preso em solo americano. Seu advogado, interpretado por Tom Hanks, fica impressionado com a calma com que o espião lida com a situação. Mesmo podendo ser condenado a morte, o espião não se desespera. Ao ser questionado várias vezes por Hanks se ele não estava nervoso ou com medo do que poderia acontecer, o espião sempre respondia: Would it help? (Isto ajudaria?) Provavelmente não.
Fazendo um balanço desses 6 meses, eu diria que cada segundo valeu a pena. Me sinto mais leve (literalmente, estou com 89 kg) e mais íntegro. À medida que o tempo passa, consigo entrar em contato com algumas partes do que sou e que não tinha mais acesso. Continuo querendo mais e mais, mas atualmente quero aproveitar melhor o caminho e não me preocupar somente em chegar no destino. Na verdade, chego à conclusão que o destino estava bem no começo e que, se eu soubesse ou pudesse, não teria corrido tanto para chegar ao fim.
Este é o grupo que está fazendo o treinamento. Esta foto foi tirada na sexta-feira, último dia de treinamento com Kornel – o instrutor é o primeiro no lado esquerdo da foto.
Esta é a sala de treinamento. Cada computador tem dois monitores. O teclado é padrão alemão. Isto significa que muitas letras e símbolos ficam em lugares diferentes. O Z fica no lugar do Y, por exemplo. O teclado tem um Alt Gr para fazer o @ e o teclado possui as teclas Ä e Ü. Já estou quase acostumado.
Esta é a sala do break. Ela tem duas máquinas de snacks e bebidas, geladeira, microondas e um computador para lazer, além de mesas e cadeiras. Logo ao lado tem uma cozinha também com outra geladeira, fogão, máquina de lavar louça, máquina de café e bebedouro com água quente, natural, gelada e com gás.
Estamos em 15 pessoas no treinamento da empresa. Somos todos de nacionalidades diferentes. O grupo vem de países como Egito, Turquia, Noruega, Holanda, Israel, Argentina, Colômbia, Tunísia, Sudão, Alemanha, França, Síria, Itália, Hungria e Brasil.
Durante a primeira semana tivemos contato com os termos de conduta da rede social e que ações devem ser tomadas quando alguém viola as regras. O material do treinamento é muito bom e fiquei impressionado com a qualidade do treinador.
O treinamento abrange todos os países em que a rede social atua e tive a oportunidade de aprender muito sobre o mercado árabe, um dos mais críticos nesse trabalho.
O grupo é bem divertido e nos integramos rapidamente. Durante o break, todo mundo toma um café e conversa. A faixa etária é bem variada: entre 21 e 50 a anos. Metade do grupo é casado e a maioria não tem filhos. A italiana é casada com um brasileiro, a colombiana é casada com um francês, o egípcio é o mais velho do grupo com 50 anos e o norueguês é o mais novo com 21 anos.
Após o término do treinamento cada um se juntará ao time existente de seu país. Hoje, já são 300 funcionários no projeto. Há grupos especializados e diferentes funções dentro da estrutura.
Durante a primeira semana já trabalhei um pouco com a ferramenta. Um sistema complexo de tickets que são enviados para diferentes equipes de acordo com a complexidade para resolução.
Amanhã começaremos a segunda semana de treinamento. O treinamento será realizado por um profissional sênior do time. O perfil do profissional mais experiente é o conhecimento básico de diversos idiomas (domínio dos diferentes alfabetos), conhecimento sobre os diferentes mercados (cultura, política, economia e organizações criminosas).
Estou ansioso para conhecer o time em que irei fazer parte, mas isso só deve ocorrer no dia 15, porque o novo prédio que está sendo preparado para receber as novas contratações só ficará pronto em 2 semanas. Até lá, continuarei em Potsdam com este grupo internacional.
Ontem recebi em casa meu novo seguro-saúde. Agora tenho acesso à saúde pública alemã, que inclui todos os hospitais e médicos do país. O seguro possui limites de cobertura, mas garante o tratamento básico de todas as doenças assim como consultas e exames preventivos. Não existe saúde gratuita na Alemanha, ela custa aproximadamente 15% do salário das pessoas empregadas e não possui custo enquanto a pessoa estiver desempregada.
Voltar a Grécia foi uma excelente escolha. A cidade não mudou tanto em 7 anos, mas nós sim. Em melhor forma, não utilizamos tanto o metrô como da última vez, caminhamos quase 25 quilômetros por dia.
Sem ficarmos presos a visitar os pontos turísticos, conhecemos outras regiões da cidade. Foram 4 dias em que nos dedicamos a comer bem também. Se em 2009 fomos no McDonalds e no souvlaki do Thanassis, dessa vez comemos no O Kostas e no Oineas. Não fizemos regime na Grécia, mas comemos apenas o que, na nossa opinião, valia a pena.
Atenas é considerada um pouco insegura para os padrões europeus, mas é um mar de tranquilidade comparada com qualquer cidade da América Latina. O transporte público é excelente, um dos metrôs mais bonitos do mundo. O turismo ainda é o forte do país. Eles recebem 18 milhões de turistas por ano, contra os 6 milhões do Brasil.
Olhando o contorno das montanhas em volta do mar grego, é impossível não pensar no Rio de Janeiro. O Corcovado e a Acrópole, o Partenon e o Cristo Redentor. Mas as semelhanças não vão muito mais longe. Pagamos €12 em um ingresso que dava acesso às principais atrações turísticas da cidade (a Sarah, como estudante, entrou de graça em todos os lugares). É fácil e seguro para o turista usar o metrô para conhecer a cidade.
Atenas é extremamente limpa e convidativa. Centenas de bares estão espalhados pela cidade, a maioria com boa música, excelente comida e prontos para atender o turista em inglês. Mesmo em uma padaria afastada da região turística não tivemos problemas com o idioma.
O Brasil está a poucos meses de receber as Olimpíadas, festa esportiva criada pelos gregos. Ao visitar o estádio olímpico de Atenas, percebemos que a Grécia já era um país notável em 1896, quando recebeu atletas do mundo inteiro. Cento e vinte anos se passaram e agora é a vez do Brasil. Afundado em uma crise sem precedentes e infestado de epidemias, o país abre as portas para se mostrar ao mundo. Mais uma vez seremos motivo de piada mundialmente.
Hoje almocei uma sopa de legumes no Bio Company. Ela vem com uma fatia de pão alemão (este é o pão que eles comem normalmente).
Nessa primeira semana de trabalho, consegui comer bem todos os dias. Durante o break, tomo um capuccino, como uma banana ou alguma coisa leve. O resultado foi positivo: perdi 100g nos últimos 4 dias.
Um pouco de neve para animar o dia! O inverno aqui em Berlim está sendo assim, quando menos se espera o tempo vira e começa a chover ou nevar. A temperatura não está muito baixa hoje, zero grau com sensação térmica de menos dois.
Potsdam, a cidade em que estou fazendo o treinamento, é muito bonita. O caminho de Berlim até lá é bem interessante. O S-bahn passa pela Grunewald (Floresta Verde) que se estende ao longo do rio Havel.
Em Potsdam, pego um bonde até o escritório. O transporte é integrado ao de Berlim, e com somente um ticket da área ABC eu posso ir de casa até o treinamento.
Apesar de viajar no horário de pico, o trem costuma estar bem vazio na ida e na volta. A viagem é bem relaxante e tiro para escrever, jogar algum jogo no celular ou simplesmente observar a paisagem.
Nessa primeira hora do dia que costumo organizar meus pensamentos e planejar o que vou fazer. Pronto, cheguei na estação em Potsdam!