Faça 40 perguntas para 2.020 pessoas e você terá 80.800 respostas. O documentário Human reúne cerca de 400 respostas, isto é, 0,5% de tudo que Yann Arthus-Bertrand ouviu.
Ao longo dos três volumes fica clara a voz do documentarista e como ele escolheu cuidadosamente as respostas para montar sua narrativa. Mas isso não diminui a obra, apenas a torna autoral. E o próprio Yann admite isto em entrevistas.
As paisagens do filme são espetaculares e valem um prêmio por si só. A música também é marcante e se funde perfeitamente com as imagens. Os dois elementos tem o papel de permitir que o espectador reflita entre um grupo de entrevistas e outro.
O mundo é um lugar muito interessante e, confesso que, vendo o documentário me deu vontade de viajar e conhecer cada um dos lugares filmados. Queria viver uns 500 anos para poder conhecer mil lugares diferentes e ficar em cada um por pelo menos seis meses. Aprender um pouco da língua, da cultura e das pessoas de cada canto desse mundo.
Eu conheço quase 40 países em 4 continentes e sinto que conheço muito pouco. Conheço um pouco da humanidade também e penso que com o devido distanciamento somos como qualquer outro ser vivo no Universo. Não consigo diferenciar o que muitos chamam de racional no homem ou muito menos de consciência.
Ao observar cuidadosamente um animal, seja um cavalo, um porco ou uma vaca é possível identificar personalidades únicas. Ordenhe duas vacas todo dia e você vai descobrir que cada uma tem um temperamento, gostos pessoais e maneiras de se expressar diferentes.
Mas o que tudo isso tem a ver com o documentário Human? Vendo as entrevistas não consegui parar de pensar como a humanidade é incapaz de gerir sua própria existência e como outras espécies estão a nossa frente. Dificultamos demais uma tarefa simples como viver.
As fronteiras e as religiões devastaram a raça humana. A vida, que por si só já é trágica, é um verdadeiro martírio para bilhões de pessoas.
Mas é possível ter uma visão otimista também. O conceito de país deverá se extinguir em poucos séculos. Com a queda dos idiomas (já anunciada pelos gurus da tecnologia) nos restará somente a divisão pela crença. Na verdade, este processo de queda das fronteiras tende a acentuar a divisão religiosa, como já podemos notar.
E aí vamos ter que torcer para que os deuses das diferentes religiões entrem em um acordo sobre quem é o povo escolhido, quem é fiel e quem é infiel. Até lá vamos continuar matando e morrendo em nome dele. E viva a humanidade!