Rio Spree

Como toda cidade europeia, Berlim também tem um rio que cruza o centro da cidade. Hoje, depois da minha corrida pelos jardins do palácio, fiz um pequeno vídeo do rio. O dia estava muito nublado e ventando, mas achei interessante mesmo assim. O rio passa pelos fundos do palácio de Charlottenburg.

O rio Spree tem 400 quilômetros de extensão. O passeio de barco pelo rio pode ser uma boa opção para conhecer Berlim.

Intercâmbio cultural

A minha turma deste mês tem uma coreana e uma polonesa. Eu conheço a cidade natal das duas: Seul e Cracóvia. Conheço também um pouquinho do idioma das duas e um pouco da gastronomia também.

Essas histórias de vida não tem preço. Contei para a coreana a minha experiência de comer sorvete com pipoca salgada e ela morreu de rir. Eles adoram misturar coisas muito doces com coisas muito salgadas. Falei para ela que tinha ido pra Busan e ela ficou impressionada também. Ela não conhece nenhum estrangeiro que tenha ido para Busan. Eu confirmei para ela que realmente não vi nenhum ocidental durante a minha estadia em Busan.

Pegamos o trem juntos para Charlottenburg e continuamos a conversa falando sobre soju, a bebida típica da Coreia do Sul, muito parecida com o sakê. Ela me disse que tinha trazido algumas garrafas com ela e me ofereceu uma. Eu educadamente recusei. Os japoneses e coreanos sempre levam presentes para o país em que vão morar. Eles já se planejam levando em consideração que irão fazer novas amizades e precisarão presentear com algo especial.

A polonesa está aqui há dois anos. Conversamos sobre a Cracóvia, a cidade do Papa João Paulo II. Ela levou alguns chocolates poloneses para a aula e distribuiu para a turma. Uma curiosidade da língua alemã: bonbon em alemão quer dizer bala (o doce).

A minha colega francesa recomendou um restaurante mexicano. Chama-se Santa Maria. No fim de semana eu vou experimentar! Em Berlim, é possível encontrar comida de qualquer lugar do mundo, mas a comida latina não faz muito sucesso. A exceção são as casas de carnes argentinas. Tem uma na esquina aqui de casa, inclusive.

Como muito pouco na rua por aqui. Uma pizza de vez em quando, um pão doce raramente. Faço a festa no mercado, onde sempre experimento alguma coisa nova.

Corrida

Corri 2 quilômetros no parque hoje. Foi minha primeira vez. Fui be devagar, sem exageros. O meu preparo físico até que não está tão ruim.

  
Demorei pouco mais de 15 minutos para correr os 2 quilômetros. Andei mais 45 minutos depois. Não consegui dar a volta no parque correndo, que é o meu objetivo inicial, mas está ótimo.

A temperatura de 14° graus foi muito agradável para fazer o exercício. O dia está bem nublado aqui e o vento já está ficando mais gelado. Dizem que no inverno, o sol em Berlim é igual lâmpada de geladeira, ilumina mas não aquece.

Amanhã pretendo repetir a dose! Devagar e sempre.

Boas-Vindas

Para registro: ao  fazer o cadastro como morador de Berlim na Prefeitura, ganhamos um vale de 50 Euros. Hoje trocamos o vale por dinheiro. Isto que é presente de boas-vindas!

Hoje abri a minha conta no banco (só a Sarah tinha feito até agora) e a minha gerente falou que eu vou ganhar uma máquina de café Nespresso. Dentro de duas semanas eu conto se deu certo.

Espero que o pessoal continue generoso assim!

Quanto vale?

Existe um efeito colateral da desvalorização do Real que nao vejo ninguém discutir. Venho pensando na dificuldade de comparar preços, controlar gastos e fazer pagamentos que o brasileiro enfrenta.

Todo mundo anda com uma calculadora na bolso, ela se chama celular. E ninguém tem vergonha de puxar a calculadora para ver quanto são treze menos sete. Neste universo de analfabetos funcionais, não podemos esquecer que a matemática nunca foi o ponto forte do brasileiro.

Neste contexto, fica claro para mim que o brasileiro terá cada vez mais dificuldade de controlar seus gastos a medida que o Real vale cada vez menos. Isso sem considerar o efeito devastador da inflação.

Com a moeda forte, como é o caso do Euro, os valores unitários dos produtos dificilmente chegam aos dois dígitos. Desta forma, é mais fácil fazer contas de cabeça ou contar nos dedos os gastos. Com uma moeda de 2 euros você compra qualquer coisa na rua. É possível, por exemplo, fazer escolhas mais conscientes de consumo. Com € 2 é possível comer uma fatia de pizza em uma boa pizzaria. Com  € 1,50 você compra uma garrafa de 300 ml de Coca-Cola na máquina. Resultado: ninguém toma Coca-Cola por aqui.

E a mesma teoria vale para os serviços mensais. O plano de celular custa € 9,90/mês, a TV a cabo custa 9,90/mês e assim vai. Fica fácil de calcular os gastos no fim do mês.

No caso dos bens de consumo, a moeda forte permite economizar nos pequenos gastos para comprar algo grande. Um microondas custa € 50 ou 25 fatias de pizza. Viu como é fácil fazer conta com números pequenos? Enquanto isso no Brasil, as pessoas só conseguem controlar o valor da prestação que pagam, quando muito.

A cultura alemã de consumo consciente também está diretamente ligada à forma de pagamento. As lojas aqui raramente aceitam cartões de crédito. A Ikea, loja de móveis e decoração, não aceita nenhum cartão. Restaurantes também não aceitam. Assim, é comum ver pessoas sacando € 500 no caixa do banco. E aí entra outro problema no Brasil: a segurança. Andar com quase R$ 2.500,00 no bolso no dia-a-dia não é uma ideia muito boa.

A moeda forte abre caminho para o uso de máquinas para pagamentos. Tudo pode ser pago com moedas. Reduz também sensivelmente o custo no transporte de valores, tendo em vista que o mesmo caixa automático utilizado no Brasil, por exemplo, armazena quase 5 vezes menos dinheiro que na Europa.
A moeda fraca abre espaço para a inflação, para o endividamento e deixa ainda mais distante a educação financeira para o povo. O país que não tem uma moeda forte deixa o seu cidadão em desvantagem para competir em um mundo globalizado.

A desvalorização da moeda é um ingrediente clássico nas receitas mais tradicionais para reverter uma recessão. Mas como todo remédio, resolve um problema e cria outro.

Montag

A semana passada não foi fácil, com a mudança e todo o trabalho que ela traz. A segunda-feira começou bem mais agradável. Tomei uma xícara de chá verde e fiz uma boa caminhada de manhã. Arroz integral, legumes e salada de batata para o almoço e um bom livro para a viagem de metrô até o curso. A aula foi ótima e na volta li mais um pouco do meu livro (ainda estou lendo Irmãos Karamazov). Depois do lanche, hora de fazer o Hausaufgaben! E antes de dormir um pouquinho de Netflix.

O frio está chegando e domingo deve ser o primeiro dia do outono em que os termômetros marcarão zero grau. Na rua de casa tem um restaurante de sopas bem interessante. O supermercado também vende kits de legumes para sopa. Para quem está na rua, sempre tem uma máquina de café por perto para esquentar a barriga. O berlinense gosta muito de cachecóis e se agasalha até a orelha no menor sinal de frio. O vento gelado, porém, não intimida os ciclistas. Quando o assunto é bicicleta, todo mundo me garante que ela é um meio de transporte para o ano inteiro. Veremos. Vale dizer que aqui a bicicleta pode entrar no metrô sem problema, em uma integração perfeita entre diferentes modais.

Domingo de descanso

Depois da maratona de eventos de ontem, hoje tiramos o dia para descansar. As pernas ainda estavam doloridas da caminhada de 25 quilômetros que fizemos, parte em Potsdam e parte em Berlim.

Fiz um Penne com Brocólis no Alho para o almoço e no fim da tarde caminhamos pelos jardins do palácio de Charlottenburg.

  
Amanhã começo um novo módulo do curso de alemão. Provavelmente continuarei com a mesma professora, mas a turma só terá 4 dos 10 integrantes iniciais. Isso significa que vou conhecer 6 pessoas novas, o que é sempre interessante.

Comecei a assistir a série Narcos no Netflix. A produção original é dirigida por José Padilha e protagonizada por Wagner Moura e foi bastante promovida aqui na Alemanha. É uma boa diversão para um domingo à noite.

   

“Todo Império surge do Sangue e do Fogo.” – Pablo Escobar

Potsdam

Hoje acordamos cedo e fomos para Potsdam. A cidade fica a meia hora de Berlim e possui vários castelos e parques.

O centro histórico é especialmente bonito. Uma boa opção para um sábado de sol!

   

IMG_3959.JPG
 

 

Dia da Unidade Alemã

Amanhã é feriado na Alemanha. O comércio estará fechado e várias celebrações ocorrerão. A reunificação do país completa 25 anos. Um momento histórico para estar em Berlim.

Morar no umbigo da Guerra Fria significa viver uma aula de História todo dia. Moro na parte ocidental de Berlim, ao lado do palácio de Charlottenburg, mas também perto de um antigo abrigo de refugiados, não dos refugiados de agora, mas dos que conseguiram fugir da antiga Alemanha Oriental. Segundo a placa em frente ao prédio, mais de 300.000 pessoas passaram por ali entre 1950 e 1953.

  
A Alemanha Ocidental recebeu 3,5 milhões de refugiados até que o Muro de Berlim separou definitivamente os dois lados. As marcas da separação permanecem até hoje. Paralelepípedos marcam o local por onde o muro passava, pedaços dele estão espalhados pela cidade e placas contam as inúmeras tragédias que aconteceram ali.

Amanhã é dia de festa, shows gratuitos, muita comida típica e cerveja. Amanhã o shopping não abre, nem lojas de rua ou mesmo supermercados. E hoje eu fui no supermercado fazer as compras para o fim de semana e parece que a Alemanha inteira estava lá dentro. Mesmo assim, a agilidade e eficiência alemã fez com que 3 caixas (um recorde de funcionários trabalhando ao mesmo tempo)  conseguissem com que eu não passasse mais de 10 minutos na fila.

Eu estarei no portão de Brandemburgo amanhã fazendo parte de mais este momento histórico para os alemães e para mim também.