La Dolce Vita

  

O que dizer desse país fantástico, de comida e bebida farta e povo alegre? Esta é a Itália, um país que viu e viveu a história da humanidade e hoje é um museu a céu aberto.

  
Grazie mille!

Firenze

  

Hoje acordamos cedo e pegamos um trem até Firenze, na região da Toscana. A viagem no trem regional demora 1h40 e custa €9,15.

Firenze é uma cidade muito bonita. A quantidade de turistas impressiona também. Começamos o passeio no mercado central, onde eu experimentei o Panino com Porcheta, um pão com fatias de lombo assado que estava muito saboroso.

  

Visitamos a catedral e conhecemos todo o centro histórico. Subimos até o ponto mais alto da cidade onde está o cemitério dos florentinos célebres como Carlo Lorenzi, autor da fábula Pinochio.

  
Almoçamos em uma pequena pizzaria chamada Amici, considerada a melhor da cidade. Tomei um copo de vinho de barril da Toscana para completar a experiência. Uma fatia de pizza com vinho custou €3,00 e estava realmente ótimo!

  

Atravessamos a famosa ponte da cidade e tomamos um gelatto em um café no centro. Firenze é realmente uma cidade notável.

Bologna

  

Bologna é uma cidade medieval, com construções que datam entre 1100 e 1400. Tudo é grandioso e imponente. A foto abaixo é de uma das escadarias da biblioteca comunale Archiginnasio.

  
 

Os prédios são todos construídos sobre arcos como na foto acima. As calçadas são cobertas, e possuem arte do chão até o teto.

  

A nossa primeira parada foi no Il Panino. Comi um pão com mortadela e queijo pecorino. Estava espetacular!

Passeamos pela cidade e paramos para comer um gelatto italiano e uma fatia de pizza pelo caminho.

A cidade fica ainda mais luxuosa à meia luz. Os monumentos são cuidadosamente iluminados e as pessoa lotam os cafés para comer mortadela e tomar vinho.

   
   

Para fechar a noite, paramos no supermercado e compramos pão, queijo e mortadela. Mas não  é qualquer mortadela. É a verdadeira mortadela bolonhesa feita de porcos criados em liberdade!

  

Tegel

  
Saímos de casa às 8:23 e em apenas 17 minutos chegamos no aeroporto. O mais interessante foi ver que um comandante no mesmo ônibus com a gente. A qualidade do transporte aqui é sempre uma alegria.

Já estamos sentados dentro da sala de embarque. O aeroporto Tegel é bem pequeno e lembra um pouco o Santos Dummont. O novo aeroporto de Berlim está eternamente em construção. Uma briga entre o Estado de Brandemburgo e Berlim. No acordo inicial, Berlim pagaria pela infraestrutra de transporte até o aeroporto e Brandemburgo pagaria pelo aeroporto. Agora querem que Berlim pague tudo. Enquanto isso, a cidade continua apenas com dois aeroportos regionais. Apenas uma empresa faz voos diretos do Rio de Janeiro a Berlim, a Condor. Eles costumam fazer promoções de passagem à €598 ida e volta.

Semana curta

Peguei dois dias off para fazer uma escapada de fim de semana (de 4 dias) para a Itália. O destino dessa vez é Bologna e Florença.

Esta região da Itália é considerada o berço da culinária italiana. Além do molho bolonhesa, a mortadela também é original da região. Infelizmente os preços de alimentação e hospedagem não são tão convidativos quanto Atenas, ficando mais próximos da média europeia.

Sairemos do aeroporto Tegel, que fica a 15 minutos de casa. Um conforto que não tem preço. Saímos daqui às 10:05, o que significa que podemos sair por volta de 8:30 de casa, tendo em vista que já estamos com o check-in feito e não vamos despachar bagagem.

O voo tem duração de 1h40. A nossa expectativa é que a temperatura esteja em torno de 12° na Itália, bem mais quentinho do que o -1° que está fazendo em Berlim agora.

Este passeio de trem até Potsdam é sempre relaxante. Vou sentir falta disso. Em Berlim, vou andar algumas poucas estações de metrô na linha U7. Não terei tempo de sentar, pegar o celular e ficar escrevendo.

No trabalho, ontem foi dia de conhecer mais pessoas. Conheci uma colega portuguesa e um colega brasileiro. O brasileiro chegou aqui em Junho e está bem animado com o trabalho na Arvato.

Eu vou pegar o bonde agora. Quando chegar em casa mais tarde, vou revisar o roteiro da viagem.

Português no trabalho

Hoje conheci minha Team Leader. É uma senhora portuguesa chamada Lúcia. Ela trabalha na Arvato há 4 anos e está no projeto da rede social desde agosto.

Na semana passada conheci um brasileiro que ocupa a posição de SME (Subject Matter Expert). O Christian é carioca, mas foi criado em Porto Alegre. Ele já mora há bastante tempo aqui e já perdeu todos os traços de brasilidade.

Uma coisa que pude notar é que as pessoas vão ficando um pouco alemãs depois de um tempo morando aqui. Perdemos um pouco o jeito brasileiro e ficamos entre dois mundos. Não nos identificamos mais com o Brasil é também não somos alemães.

Tanto a Lúcia como o Chris me garantiram que a equipe portuguesa é muito legal e que o time é bem unido. Estou ansioso para conhecer os meus colegas!

Tudo indica que isso só vai acontecer semana que vem, quando finalmente começarei o trabalho em Berlim. Esta semana continuo em treinamento em Potsdam.

Real

Ontem à tarde fomos no Real, um dos poucos hipermercados de Berlim. Vende de tudo, no mesmo estilo do Walmart e tem impressionantes 3 andares! Algumas promoções realmente valem a pena, como era caso do brócolis que estava ofertado a €0,44.

O que é mais interessante de ir em um hipermercado aqui é a variedade de produtos do mundo inteiro. Eles têm seções para produtos italianos, franceses, americanos, turcos, etc. Tinha até cachaça brasileira!

O hipermercado Real fica ao lado de uma grande estação de trem e dentro de um shopping center. O lugar estava lotado ontem, com famílias do mundo inteiro passeando e fazendo compras.

O shopping não tem nada de glamuroso e fica em uma região menos interessante de Berlim. É um dos poucos bairros da cidade que eu não simpatizo. Mas se bater a vontade de ir no shopping do povão e pegar fila no hipermercado, o lugar é lá mesmo!

Arbeit macht frei

  

Esta frase está na porta de vários campos de concentração. A tradução livre seria “O trabalho liberta”.

Hoje fomos até a cidade de Oranienburg, a pouco mais de 20 minutos de trem regional de Berlim. Lá fica o campo de concentração de Sachsenhausen. Alemães, dinamarqueses e pessoas de outras nacionalidades foram aprisionadas, torturadas e mortas. Ao total, 35.000 pessoas foram executadas na câmara de gás ou torturadas até a morte. O local possuía também uma prisão da Gestapo, para onde eram levados aqueles que tentaram se opor ao regime.

  

Esta pequena maquete acima foi feita em uma caixa de charutos por um ex-prisioneiro. Cada barracão recebia até 400 prisioneiros, que dividiam um banheiro e um lavatório que podia ser usado somente uma vez pela manhã e uma vez pela noite.

 

Tivemos a oportunidade de conhecer a história do resgate dos prisioneiros escandinavos durante nossa visita à Dinamarca. O governo sueco providenciou Ônibus Brancos, como ficaram conhecidos, com enfermeiras e médicos a bordo para resgatar as pessoas que já estavam com a saúde muito debilitada. Muitos morreram de fome e de frio durante o rigoroso inverno da região.

  

Ao total, mais de 200.000 pessoas foram confinadas em Oranienburg. Muitos artistas e políticos foram aprisionados, entre eles o ex-Primeiro-Ministro da Noruega Trygve Bratteli.

  

O impacto de entrar em um campo de concentração é sempre muito forte. Este é o primeiro que visitamos na Alemanha. A magnitude de Auschwitz consegue ser ainda mais apavorante.

Infelizmente o mundo não mudou nada de 1945 para cá. As pessoas continuam pregando a exclusão e a segregação de indivíduos, nacionalidades e etnias. Aqui na Europa e mesmo nos EUA, muitos defendem a construção de muros e novos campos de concentração para os refugiados e imigrantes.

Estamos eternamente condenados a cometer os mesmos erros do passado. Os mesmos interesses continuarão manipulando milhões de pessoas a acreditarem na superioridade de seu país, etnia ou religião. O truque mais velho do livro é a sensação de pertencimento que um grupo dá. Nos sentimos mais fortes e protegidos quando estamos em grupo e, sem pensar duas vezes, passamos a acreditar nas divisões impostas pelas convenções.

Os animais também se dividem em grupos para garantir território e alimento. Estamos, portanto, apenas reproduzindo este comportamento primitivo. E dificilmente vamos sair desse estágio de evolução tão cedo.

Mas se em um mundo dividido em grupos, o equilíbrio já é praticamente impossível, em um mundo sem grupos estaríamos em uma permanente guerra entre indivíduos. Mas sem um exército para defender seus ideais, os homens teriam que se contentar em negociar sua sobrevivência ou eliminar pessoalmente os inimigos. Seria impossível terceirizar o trabalho sujo em um mundo individualista. Se quiséssemos comer carne, por exemplo, teríamos que matar o animal.

A partir do momento que terceirizamos nossos interesses, colocamos um preço nas nossas vontades e o valor que estamos dispostos a pagar é o preço que colocamos em nós mesmos. Em troca de proteção, poder, território e alimento, passamos a defender os interesses de um grupo. Pronto! Voltamos aos campos de concentração, aos muros e às guerras.

Nao existe equilíbrio na sociedade porque não existe equilíbrio no indivíduo. Temos uma guerra acontecendo permanentemente dentro da gente. E mesmo se conseguíssemos fazer parte de um único grupo, se todos se considerassem somente terráqueos, ainda assim continuaríamos nos matando. Porque, no fim das contas, toda bondade e toda maldade do mundo cabe dentro de cada um.

Lula com Tzatziki 

Anéis de Lula com Tzatziki (Zaziki em alemão). O jantar de hoje não podia ser mais grego! Tenho certeza que não vai ter o mesmo sabor do prato do Oineas, até porque a lula custou €2,99 e o Tzatziki custou €0,99 no supermercado aqui da esquina.

O molho a base de iogurte é perfeito para acompanhar frutos do mar.

   
 

Segue foto do Zaziki com azeite e azeitonas, seguindo a tradição grega:

  

E uma foto dos anéis de lula:

  
Em menos de uma hora fui no mercado, voltei e preparei este jantar prático e saboroso para uma sexta à noite com apenas €3,98.