A Alemanha é um país completamente diferente do Brasil. O choque cultural que um brasileiro sente aqui é o mesmo daquele que vai morar no Japão. Isso acontece porque o alemão, além de pensar diferente do brasileiro, também pensa diferente do americano. Desta forma, a grande influência dos EUA na cultura mundial não consegue amenizar as diferenças culturais.
A Grécia, por exemplo, lembra um pouco a Itália e o Brasil. A cultura americana também parece estar mais presente.
Voltando à questão, até então só tinha tido contato com a cultura alemã no curso de alemão e no dia-a-dia. Com a minha nova experiência no trabalho, estou conhecendo um lado mais prático e intenso da cultura local.
Os alemães com quem tive contato até agora foram muito simpáticos e prestativos. A fama de eficientes e pontuais se confirmou até agora. O trabalho começa pontualmente no horário de entrada e termina rigorosamente no horário de saída. As pessoas costumam chegar no escritório até 15 minutos antes do horário para se prepararem e programam as atividades cuidadosamente para que terminem exatamente no fim do expediente. Para quem bate ponto como eu, estes quinze minutos antes do horário vão para um banco de horas que pode ser utilizado no mesmo dia ou acumulado até formar um dia completo de folga.
A sinceridade deles também é mais forte no ambiente de trabalho. Fiz um treinamento sobre segurança da informação e orientações gerais e a instrutora falou várias vezes que o tema era muito chato, mas necessário. Assim como eles falam abertamente para o chefe que não gostam de uma tarefa ou de algo que foi dito.
Tirando a sinceridade cortante, o clima na empresa é bem descontraído e eles tentam fazer piadas em momentos oportunos. O pessoal se reúne na cantina nos intervalos, bate papo e toma café.
A diferença é que existe um momento para isso. São feitos dois breaks de 15 minutos cada (obrigatório por lei) e 30 minutos de almoço (também obrigatório por lei). Na Alemanha não existe a cultura de almoços longos. A maior refeição do dia é o café da manhã, o almoço é um prato menor e o jantar é um lanche com pão (conhecido como Abendbrot, ou pão da noite).
Do lado do escritório em que estou fazendo o treinamento tem um Biocompany. Um supermercado Bio com uma lanchonete dentro. O lugar serve sopas, sanduíches, tortas doces e salgadas e outros quitutes. Comi um brownie vegan hoje e estava muito bom!
O treinamento é extremamente bem estruturado e o instrutor é muito bom. Ele faz o treinamento para todas as nacionalidades e conhece as especificidades de cada país. Ele fala um pouco de vários idiomas e domina o inglês.
Os brasileiros têm muito o que aprender com a maneira de trabalhar por aqui. O nível de profissionalismo é muito grande.
As leis trabalhistas são bem diferentes. São 26 dias de férias por ano, mas não são dias corridos e sim dias trabalhados. Além disso, o funcionário pode faltar 3 vezes por motivo de saúde sem atestado. A empresa concede 2 dias de folga para a pessoa fazer mudança de endereço, por exemplo, e outros 10 dias de eventos variados.
A licença-maternidade na Alemanha é de um ano e se extende ao pai também. O funcionário recebe 80% do salário durante o período. A mulher pode tirar 6 meses e o pai outros 6 meses (alternados ou juntos). Ou a mulher pode tirar um ano e o pai não tirar nada. Ou 3 meses um e 9 meses outro. Enfim, 1 ano para os pais dividirem como quiserem.
Outra curiosidade é o sistema de doação que as empresas fazem para abatimento no imposto de renda. Cada funcionário pode escolher uma ONG previamente autorizada para que a empresa faça uma doação de €1.000. Não sei muito mais detalhes sobre o sistema.
Tem muita coisa para falar sobre o trabalho aqui e hoje foi só o meu segundo dia. Estou conhecendo cada vez melhor a rede social e como ela é usada no mundo inteiro. Posso dizer que ela é um reflexo fiel da nossa sociedade com seus preconceitos, medos e crenças. Às vezes me sinto olhando o mundo pelo olho mágico da porta.