Berlim é uma das capitais mais baratas da zona do Euro. Talvez fique atrás de Atenas e Lisboa. Isto vem de uma cultura do berlinense de economizar em tudo e não aceitar qualquer tipo de inflação nos preços.
Um exemplo disso é o Pizza Hut. Quando estive aqui em 2006 o valor de 2 promoções de pizza+refrigerante custavam €8,18. Nunca me esqueci desse valor porque foram as primeiras palavras pronunciadas em alemão diretamente para mim. “Acht und achtzehn”. Hoje a mesma compra custaria €7,36.
O aluguel “frio” (Kaltmiete) de um apartamento de 1 quarto aqui custa em média €450/mês. Se incluirmos água, luz, calefação, condomínio e taxas este valor chega a €600. Moramos em um studio de 1,5 quartos e pagamos €750/mês já com todas as contas e taxas incluídas. O valor médio de um apartamento de 1 quarto em Paris ou Dublin, por exemplo, passa de €1.000+taxas normalmente. Vale lembrar que na Europa um apartamento de 2 quartos é um quarto e sala. A sala conta como quarto também. Outro detalhe é que estes preços se referem a imóveis não mobiliados. Nosso apartamento já veio 90% mobiliado. Compramos só um sofá, a TV e o bar.
O aluguel de um quarto, conhecido como WG (Wohngemeinschaft), é muito comum entre os alemães e serve não só para economizar, mas também para fugir da solidão. O custo de um quarto em uma casa compartilhada custa entre €300 e €450. Mas nem sempre existe convívio no WG. Conheço histórias de estudantes que nunca conversaram e pouco viram seus flatmates.
Independente do preço, apartamentos para aluguel são muito disputados nas capitais da Europa. Nessa disputa o estrangeiro sai em desvantagem por não ter histórico de crédito (SCHUFA, na Alemanha), carta de recomendação ou quaisquer comprovantes locais. O jeito é oferecer um caução de 3 meses de aluguel (o máximo permitido por lei). Este valor é devolvido no fim do contrato, após uma inspeção do apartamento.
O custo da alimentação também é bem baixo em Berlim, quando comparado às demais capitais da Europa. Gastamos em média €450/mês em alimentação (2 pessoas). Isto inclui lanches e refeições fora de casa. Os alemães adoram comer fora e tem comida para todos os bolsos. Cachorro-quente de €1,50, pretzel de €0,50 e pizza de €2,00. Um kebab completo sai por €3,50. Em Dublin ou Paris, um casal gastaria facilmente €600/mês. Neste caso especificamente, tenho certeza que é possível gastar menos com alimentação em Berlim. Mas eu gosto de cozinhar e usar bons ingredientes e não economizo no que vai no meu prato. Gosto de provar cervejas diferentes sempre e fazer um lanchinho na rua. Sendo bem econômico, em Berlim é possível comer com €150 por mês para cada pessoa.
O custo do transporte em Berlim pode não ser considerado tão baixo, mas a qualidade e eficiência são fantásticas. A Sarah paga €184 no passe semestral de estudante dela e eu pago €58 no passe mensal. O metrô é mais rápido que o carro e é muito confortável. Vou para o meu curso lendo um livro, estudando ou olhando a paisagem tranquilamente.
O meu curso de alemão custa €225/mês. Os cursos de alemão custam entre €80 e €900 por mês. Acredito que na faixa de €200 é possível encontrar bons cursos aqui em Berlim. Os cursos mais caros são de grife e normalmente atraem estudantes de férias que ficam no máximo 3 meses na Alemanha.
Aqui na Alemanha uma pessoa sozinha vive dignamente com €800/mês. O salário mínimo aqui gira em torno de €10/hora. Desta forma, uma pessoa que trabalha 20 horas por semana ganhando o salário mínimo tem condições de se sustentar. Diferente do que acontece no Brasil, onde uma pessoa que trabalha 40 horas semanais e ganha um salário mínimo não consegue viver dignamente.
Os salários em Berlim não são muito altos e a cidade concentra startups de Internet e poucas empresas tradicionais. Frankfurt é o motor da economia alemã, assim como São Paulo é para o Brasil. O custo de vida em Frankfurt, por outro lado, também é mais alto do que em Berlim.
A Sarah já começou a mandar currículos e está aprendendo a montar o currículo da maneira alemã. Aqui currículo tem que ter foto, carta de apresentação, cartas de recomendação, diplomas e as notas do colégio e da faculdade. É sério. Tem que escrever no currículo a nota geral da faculdade e do colégio. A foto do currículo tem que ser feita em estúdio. A carta de apresentação tem que ser feita especificamente para o cargo e a empresa recipiente. Existe todo um acompanhamento da faculdade para ajudar o estudante a entrar no mercado de trabalho. Mas a tarefa não é fácil. Falar alemão e inglês são quase sempre obrigatórios e conhecimentos avançados de informática são extremamente desejáveis.
O governo alemão, assim como os demais governos da Europa, tem programas de incentivo para casais terem filhos. Cada filho vale €570/mês de auxílio. Mesmo assim, são pouquíssimas as crianças nas ruas. E quando vemos uma criança, normalmente é filha de estrangeiros. Mais raro ainda é ver alemães casados. Os jovens, minoria da população, tem namoros de 1 a 2 anos de duração. A maioria das pessoas nas ruas é idosa. Fica bem claro que em 20 anos a Europa será um continente de imigrantes. A Alemanha, porém, parece estar tendo mais sucesso em manter sua cultura e idioma vivos do que a França, por exemplo.
Recentemente uma agência de turismo da Dinamarca lançou uma campanha de incentivo ao sexo e gravidez. A ideia é que os futuros avós contribuam para as férias dos filhos. Assim eles podem viajar e conhecer potenciais parceiras. A agência oferece ainda descontos de até 1.000 coroas para os pacotes. O mais divertido é o vídeo de divulgação. O UOL fez uma matéria sobre a campanha:
http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/10/23/agencia-de-turismo-faz-promocao-para-estimular-sexo-e-gravidez-na-dinamarca.htm
A maneira como o dinamarquês e o europeu em geral fala sobre sexo é bem diferente da maneira americana e até mesmo brasileira. O europeu costuma falar de sexo abertamente. Jovens e idosos nao tem vergonha de expor o corpo publicamente sem conotação sexual.
Em um passeio pelo Halensee encontramos um homem pelado saindo do lago. Ele devia ter uns 50 anos. Colocou de volta sua roupa, montou na bicicleta e foi embora. Mulheres de topless também são algo bem comum no verão e algumas também arriscam o nu total nos parques e lagos. Segundo o meu livro “Como se tornar alemão”, tomar banho pelado no lago é um passo fundamental para se tornar alemão. Quem sabe no próximo verão.
Por enquanto, vamos aproveitando o sábado para descansar e passear um pouco pela cidade. De manhã andamos 7 km pelo bairro e agora à tarde quero ver se vamos até a Potsdamer Platz. A temperatura continuai alta, na casa dos 15°C.