O Natal e o frio

Amanhã tenho excursão da escola pelo Weihnachtsmarkt da Alexanderplatz. Parece brincadeira de criança, mas a escola de alemão tem como objetivo apresentar a cultura alemã de Natal.

O Natal é tão importante aqui que ele dura quatro semanas. Começa oficialmente no dia 29/11 com o primeiro advento. No total são quatro adventos que culminam na véspera de Natal. A religião predominante aqui na Alemanha é a Luterana.

É realmente fantástico ver como a cidade se enfeita e todos parecem especialmente animados com as festas. Na prática, o Natal serve para que as pessoas não se tranquem em casa no início do inverno e fiquem deprimidas. Com a variedade de feiras, comidas, bebidas, compras e decorações especiais, as pessoas acabam esquecendo um pouco do frio e aproveitando o mês de Dezembro.

O segredo é estar sempre bem agasalhado e não menosprezar o poder do frio. Tem que usar ceroula, cachecol, gorro, luva e casaco. O corpo demora muito para esfriar, mas depois que esfria ele não esquenta mais. E ao entrar em lugares fechados tem que tirar as camadas para não começar a suar.

Desde ontem começamos a usar a calefação em casa. A temperatura não baixou dos 23°C, mas a sensação térmica dentro do apartamento já parece mais baixa. Na rua, o segredo é entrar em uma loja ou café de vez em quando para se esquentar. E se o negócio complicar, aí só uma bebida quente salva! Eu tomo um chocolate quente todo dia na escola, mesmo quando não estava frio. Deixa a barriga quentinha e serve como lanche da tarde!

Vida de cão… na Alemanha

Os cães aqui em Berlim são muito bem educados e não é à toa, eles são obrigados. Os cachorros aqui pagam impostos (€120 por ano), e tem que comprovar que são adestrados.

Eles andam sem coleira, normalmente. Pagam passagem de metrô e comem somente ração Bio (orgânica). Eles também são obrigados a usar chip de identificação.

Eles são tão bem adestrados que ao entrar no trem já sentam e ficam calmamente olhando a paisagem. Pouco antes de chegar na estação de destino e antes mesmo do dono se levantar já se dirigem à porta. Não estou brincando.

Já vi cachorros sendo treinados por seus donos nos jardins do palácio de Charlottenburg, mas a maioria dos alemães prefere contratar adestradores.

O cachorro também precisa de seguro. E o alemão não brinca com isso. Por essas e outras que o mercado de pets movimenta 9,1 bilhões de euros por ano (0,3% do PIB alemão).

Já é Natal em Charlottenburg

  
Começou a feirinha de Natal na frente do Palácio de Charlottenburg. Comidas e bebidas típicas, lojinhas temáticas, restaurantes e muitas atrações.

  
Chegamos tarde (fecha às 22h) e só ficamos na rua principal do evento. Tudo muito bonito e profissional. Com certeza iremos mais vezes!

  

Segurança 

Fomos de Easyjet e estamos voltando (estou dentro do avião) de Norwegian Airlines. Uma companhia britânica e uma norueguesa.

Não apresentamos nenhum documento em nenhum momento. Fizemos o check-in pela Internet e embarcamos. Não existe controle de passaporte pra voos dentro da União Europeia.

Na prática, qualquer um poderia ter embarcado com os nossos tickets. Parece assustador, mas este é o conceito atual da comunidade, livre direito de ir e vir entre os países do bloco. E foi este direito que a França suspendeu depois dos atentados.

É claro que qualquer pessoa mal-intencionada forjaria documentos para fugir do país, se os documentos fossem solicitados.  Por outro lado dificultaria um pouco a vida dos bandidos.

O importante é que a inspeção de segurança seja feita cuidadosamente e que haja um controle de quem tem acesso a aeronave. E nesse quesito o aeroporto de Copenhagen é bicampeão, sendo eleito em 2013 e 2014 como o mais seguro do mundo.

Mais Dinamarca

  
A neve deu uma trégua e deixou a gente passear mais um pouco pela cidade. Visitamos um castelo e seus jardins, fomos comer o melhor sanduíche da cidade (realmente muito bom) e eu ainda tomei um Gløg, o quentão da Escandinávia.

  

Dia de Museu

A neve pela manhã nos obrigou a fazer um dia de museus. O Museu Nacional conta toda a história do povo escandinavo. Os traços de civilização datam de 8.700 anos a.C. e atravessam a era Viking até os dias atuais.

Mas não foi em nenhum museu que eu vi a frase  que me marcou aqui na Dinamarca. Foi o que eu li na parede enquanto tomava café no McDonalds:

Life is understood backwards, but it must be lived forward – Søren Kierkegaard

  

25 Km de caminhada pela Dinamarca

  
Compramos o passe de 24 horas quando chegamos em Copenhagen, mas preferimos conhecer a cidade caminhando. Foram 25 Km pelas ruas da cidade, toda enfeitada para o Natal. É a única maneira de conhecer uma cidade em tão pouco tempo.

Infelizmente a neve atrapalhou um pouco o passeio noturno. Tivemos que voltar para o hotel depois que uma nevasca começou a cair. A temperatura de 2°C fez com que a neve rapidamente derretesse e se transformasse em uma mistura de gelo e água.

  
Conseguimos cumprir todo o roteiro, mesmo assim. Algumas curiosidades: o dinamarquês adora comida mexicana e é possível comer churros, tacos e outros pratos nas feiras de Natal, no shopping, nas ruas mais sofisticadas e  em barraquinhas. Eles também têm a comida típica deles que lembra muito a comida alemã ( linguiças e etc.).

Amanhã tem mais!

Dois mundos

  
Em janeiro deste ano estive na Bolívia. Um país com uma beleza bruta onde a natureza mostra toda sua força. A pobreza e o atraso do país também são gritantes e cada contato mostra um povo sofrido, mas mas que leva a vida de cabeça erguida.

Pouco mais de 10 meses depois estou na Dinamarca. O país parece um cenário de conto de fadas de reis e rainhas. Parques, castelos e canais enfeitam a cidade finamente. As pessoas vivem de maneira eficiente. Carros elétricos de última geração, bicicletas por todos os lados, restaurantes veganos orgânicos, um consumismo moderado, uma Estado que garante o bem-estar total do seu cidadão.

E tudo isso acontece ao mesmo tempo no mesmo mundo. É muito estranho pensar que 6 milhões de pessoas vivem no ápice da civilização na Escandinávia enquanto outras 10 milhões de pessoas vivem precariamente ao lado do Brasil.

No meio do caminho há um terceiro país com uma beleza similar à da Bolívia e quase tão avançado quanto a Dinamarca. É a pequena Nova Zelândia. Ela compartilha o anel de fogo com a Bolívia e o nome da ilha com a Dinamarca. Curiosamente, Copenhagen fica na ilha de Zelândia.

Sempre fico procurando as similaridades e diferenças entre os países que conheço. Cada lugar novo me faz repensar um pouco o mundo. E nesses tempos onde tudo está tão estranho, fico pensando se a humanidade se individualizou a um ponto que não consegue conviver consigo mesma.