Hoje perdemos um colega de classe. O meu colega sírio foi para a Suécia atrás de melhores condições. Abdullah, o estudante iraquiano, explicou que ele não tinha conseguido vaga no programa para os refugiados e, por isso, resolveu tentar na Suécia. O próprio Abdullah, que é iraquiano, tentou asilo na Finlândia, mas foi deportado de volta para a Alemanha.
Karim, o menino sírio, tem apenas 16 anos e estava aqui na Alemanha sozinho. Quando o conheci, automaticamente pensei que ele estava com a família. Mas o pai ainda está em Damasco. A mãe conseguiu ir para a Jordânia. Nas quase duas semanas de convivência com ele, pude notar seu comportamento juvenil, suas inseguranças e mesmo sem saber da sua vida pessoal, foi possível perceber que se tratava de alguém traumatizado. A guerra parece tão distante na TV, mas quando ela senta ao seu lado na sala de aula as coisas mudam de figura.
A situação do Abdullah não é diferente. Ele tem 17 anos e está sozinho aqui. Os pais estão em Bagdá e ele claramente está em uma situação de estresse extremo. Ele também não conseguiu o status de refugiado. Pior do que isso, ele não tem direito aos programas de incentivos oferecidos aos sírios.
Dois adolescentes vagando pelo mundo, atrás de uma vida melhor. O curso que eu estudo oferece bolsas e arrecada doações. O mesmo acontece em escolas e empresas. Mas o que fazer com o trauma que essas pessoas são submetidas?
É importante lembrar que muitos dos refugiados são de classe média, comerciantes, universitários, advogados e médicos. Damasco sempre foi uma das capitais mais importantes do Oriente Médio e também uma das mais bonitas. De repente tudo vira escombros.