Ir ao supermercado diariamente é uma realidade para muitos berlinenses. Isto ocorre por dois motivos, basicamente: o primeiro é que as geladeiras aqui são pequenas e o segundo é que muita gente não tem carro. Eu me enquadro nessas duas categorias.
Então, basicamente compro no mercado o que eu consigo carregar. Isto significa 2 bolsas com até uns 10 quilos cada. O mercado mais perto aqui de casa fica a uma quadra e o mais longe fica a três. Normalmente, tem um mercado a cada 2 quadras em Berlim. O mercado com o maior número de lojas é o Kaiser’s. É um mercado mais caro, com marcas selecionados e costuma ficar aberto até meia-noite. Aqui do lado de casa tem um Kaiser’s, um Lidl, um Penny, um Netto, um BioCompany e um Rewe.
Cada mercado vende produtos de marcas diferentes, portanto não existe uma concorrência tão direta. Além disso, os mercados têm também sua marca própria. Isto significa que quando eu quero um produto de uma marca específica eu tenho que saber qual mercado comercializa aquela marca. Por exemplo, ontem comprei champignon em conserva. Eu gosto da marca Bonduelle (a mesma que tem no Brasil) e ela é vendida no supermercado Penny. Eu gosto do atum em lata que vende no supermercado Lidl. O creme de leite que eu uso só vende no supermercado Istambul. O macarrão oriental que eu gosto só vende no supermercado Amazing Asia. Frutas e legumes, eu prefiro comprar no Rewe. Para comprar cerveja mais barata, eu vou no Netto. E assim vai.
Isso ocorre porque os supermercados são pequenos por aqui e eles só podem ter uma ou duas marcas de cada produto na prateleira. Mesmo nos mercados com estacionamento é raro ver alguém enchendo o carrinho de compras por aqui. Aliás, para usar o carrinho de supermercado é necessário fazer um depósito de €1. O valor é devolvido quando você retorna o carrinho ao lugar em que o encontrou. Dessa maneira, não existe um funcionário arrumando os carrinhos aqui na Europa. Diferente da França, aqui os mercados não costumam ter caixas sem funcionários. A impaciência do alemão para ficar na fila obriga que os mercados contratem caixas com habilidades de ninja para passar as compras na velocidade da luz. Um carrinho cheio de compras é passado em poucos segundos (é tão assustador que tem até vídeo no Youtube, pode procurar!). E ai de você se não colocar tudo de volta no carrinho, cestinha ou sacola e desocupar o caixa imediatamente. Com certeza o pessoal vai começar a reclamar na fila. A sacola, obviamente, é cobrada e você deve levar a sua de casa se não quiser pagar €0,10 por cada sacolinha descartável. A dica é comprar uma sacola feita de PET no próprio mercado que custa €1 e aguenta uns 20kg sem problemas!
Outra curiosidade aqui na Alemanha é o “pauzinho” de dividir a esteira do caixa. O alemão é obcecado pelo pauzinho quando está na fila. Ninguém coloca a compra na esteira enquanto o cliente da frente não coloca o pauzinho na esteira para indicar onde acaba a compra dele e onde começa a compra do outro. Se você não coloca o divisor, das duas uma: ou a pessoa vai ficar segurando as compras na mão até você pagar as suas compras ou ele vai dar um jeito de colocar o divisor para você (e ficar bem chateado com isso). Toda essa loucura é para que a fila dure o mínimo de tempo possível. O divisor serve para que o caixa pare de passar os produtos na velocidade da luz e cobre o cliente. Sem o divisor, provavelmente o caixa faria a mesma coisa que acontece na entrada dos Simpsons e passaria até o bebê no leitor de código de barras.