No domingo uma grande área na região de Kreuzberg (bairro de Berlim) terá que ser evacuada. O motivo: uma bomba de 250 kg precisará ser deflagrada. Trata-se de uma bomba norte-americana lançada durante a II Guerra Mundial. Estima-se que mais de 3.000 bombas ainda estão enterradas na capital. Em 2009, a Chanceler Angela Merkel teve que deixar sua residência para que uma destas bombas fosse desativada.
As memórias da guerra aqui ainda estão bem vivas. Os ataques em massa promovidos pelos Aliados deixaram marcas profundas no país e, principalmente, em Berlim. Prédios antigos ainda tem os estilhaços das bombas e memoriais pela cidade guardam a memória dos milhões de pessoas que morreram durante o conflito.
Mas o alemão não esconde a sua história. Pelo contrário, ele faz questão de mantê-la bem viva, para que as futuras gerações não esqueçam nunca do que os seus antepassados foram capazes de fazer. Aqui podemos dizer que a história é contada pelos perdedores.
Com o fim da guerra, em 1945, a Alemanha voltou à estaca zero. É assim que o alemão se refere ao recomeço após a guerra: Stunde Null (traduzindo: Hora Zero). Depois de cerca de 900 anos de Império, em apenas 30 anos a Alemanha perdeu tudo. Hoje, a Alemanha é um país em reconstrução. É um país novo, com apenas 25 anos, mas que carrega um legado de 1.000 anos nas costas.
Uma das marcas que a guerra deixou aqui foi um ressentimento com os americanos. Eles não escondem uma certa antipatia pelos Estados Unidos. Neste sentido, o alemão é igual ao brasileiro. Fala mal dos americanos, mas adora Hollywood e os produtos da Apple, usa o Google e o Facebook enquanto toma um café no Starbucks. Ninguém é perfeito mesmo, nem os alemães.