Tom e Vinicius na Itália

Enquanto o Brasil se desmancha, eu escolhi passar uma noite com a minha melhor memória do país: a Bossa Nova. Um show de Tom e Vinícius na Itália com participação de Toquinho e Miúcha, muito whisky e um italiano macarrônico.

Lembro bem das minhas noites pela cidade ouvindo Tom Jobim, Elis Regina, Vinícius de Moraes, Toquinho, dirigindo o Trovão Azul, o Monza SLE ano 1992, o meu primeiro carro, com retrovisor elétrico, aviso de troca de marcha, k7 auto-reverse, vidros e travas elétricos.

Minha memória afetiva vive neste tempo, de Ipanema, bossa nova e Tom Jobim. Em um tempo em que a gente ia levando a vida, apesar de tudo, porque o Rio era lindo. E quando ainda hoje eu como uma pizza eu lembro do Pizzaiolo, em um restaurante chinês eu penso no Ming, em um milk-shake na Chaika e em um bar no Bofetada.

Aqui na Alemanha, eu lembro desse Brasil com carinho, sem a revolta dos coxinhas ou dos petralhas. Muito antes de tudo dar tão errado, quando tínhamos um futuro brilhante pela frente. O futuro que virou uma decepção acachapante.

Contra ou a favor do governo, não há o que comemorar. Perdemos mais uma geração, perdemos relevância e perdemos tempo. O custo da transição iniciada em 1985, só será realmente pago por volta de 2035, quem sabe. Na verdade, o Brasil ainda não sabe onde quer chegar. Nós só não fracassamos porque estamos completamente perdidos.

Um comentário em “Tom e Vinicius na Itália”

  1. “Contra ou a favor do governo, não há o que comemorar. Perdemos mais uma geração, perdemos relevância e perdemos tempo. O custo da transição iniciada em 1985, só será realmente pago por volta de 2035, quem sabe. Na verdade, o Brasil ainda não sabe onde quer chegar. Nós só não fracassamos porque estamos completamente perdidos.”

    (Este seu último parágrafo foi definitivo. Parabéns pela clareza de visão).

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