Precinho especial

Estava conversando com o Miguel ontem. Ele estuda alemão comigo. Sempre que podemos, praticamos um pouco de alemão. Ele pega o mesmo metrô que eu e por isso podemos conversar no caminho para casa.

O Miguel é desenvolvedor de aplicativos para celular. Uma profissão bem nova , mas que tem muita demanda aqui em Berlim. Estava conversando com ele sobre os sites de compra. Sites como Booking para hotéis, Skyscanner para passagens aéreas ou até mesmo a Amazon para todo o resto.

Quando você entra em um site de compras eles puxam a ficha do visitante. Que computador você usa, navegador, de onde você é muitas outras informações. Por exemplo, quantas vezes entra naquele site e em outros sites do tipo. Ele sabe o que você pesquisou no Google e como chegou ali. E, baseado nisso, ele mostra os produtos mais indicados ao seu perfil e o preço que ele acha que você pode pagar.

Se você usa um computador da Apple ou um iPhone o preço já é mais alto. Se você está olhando o mesmo produto a semana inteira é porque você precisa comprar. Sobe o preço. Os preços de um produto mudam de acordo com a língua que você fala e a cidade que você mora.

Será que isso é justo? Fornecemos estas informações para tornar a nossa navegação mais intuitiva, mas ao mesmo tempo nos tornamos presas fáceis dos sites de compras.

Para evitar esse tipo de cilada comecei a navegar no modo anônimo. Ele permite que você passe menos informações aos sites, mas ainda assim, muita coisa pessoal. Para completar, instalei uma extensão que permite que eu escolha que tipo de computador e browser eu desejo divulgar que estou usando. Escolhi Windows 8 com Firefox.

Navegando pelos sites já vi alguma diferença. Nada de propagandas de produtos que eu pesquisei me perseguindo pela Internet. As pesquisas se tornaram menos direcionadas e eu agora posso avaliar de maneira mais neutra quais são as melhores opções para mim.

A solução que eu adotei ainda não é perfeita.  O meu IP já indica que eu estou na Alemanha, em Berlim, com uma conexão de Internet banda larga residencial. Com certeza, isso deve aumentar o preço um pouco.

Mas isso não acontece só na Internet. Estava pesquisando sobre um hotel e li um relato de uma hóspede que chegou no meio da noite e pediu um quarto. O Gerente então informou que o quarto custava €200. Ela negociou até ele abaixar para €160 e ficou muito feliz. O problema é que o mesmo hotel na Internet custa €40. Neste caso, o gerente fez o preço baseado no horário que a pessoa chegou, pela falta de planejamento dela e necessidade que ela tinha de dormir logo.

A tecnologia não inventou nenhum monstro novo. É só mais uma ferramenta para as pessoas fazerem o que sempre fizeram com as outras.