{"id":896,"date":"2015-12-14T20:30:51","date_gmt":"2015-12-14T20:30:51","guid":{"rendered":"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/?p=896"},"modified":"2015-12-14T20:33:14","modified_gmt":"2015-12-14T20:33:14","slug":"jeitinho-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/2015\/12\/14\/jeitinho-brasileiro\/","title":{"rendered":"Jeitinho brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>Estava passeando pela Internet quando encontrei um v\u00eddeo de um historiador chamado Leandro Karnal. Nunca tinha ouvido falar deste senhor, mas o tema do v\u00eddeo me chamou aten\u00e7\u00e3o: o jeitinho brasileiro.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo, o historiador explica que o jeitinho brasileiro \u00e9 uma maneira de negociar as regras. &#8220;\u00c9 como a lei do Rei, que todos acatam, mas ningu\u00e9m obedece.&#8221; E um dos s\u00edmbolos mais contundentes do jeitinho \u00e9 o diminutivo. \u00c9 o &#8220;s\u00f3 mais um pouquinho&#8221;, o &#8220;rapidinho&#8221; e o \u00a0pr\u00f3prio &#8220;jeitinho&#8221;. E ele compara o jeitinho brasileiro como uma constante negocia\u00e7\u00e3o das regras em contraponto\u00a0\u00e0 sociedade organizada europeia como um lugar com pouca liberdade individual.<\/p>\n<p>Em um momento brilhante, ele conclui como o jeitinho e a organiza\u00e7\u00e3o se diferenciam. Diz ele: &#8221; Com o jeitinho brasileiro prevalece o indiv\u00edduo sobre o grupo e na organiza\u00e7\u00e3o prevalece o grupo sobre o indiv\u00edduo.&#8221; E \u00e9 exatamente como vejo a vida aqui na Europa. A sociedade funciona bem e dentro dela nos sentimos respeitados e satisfeitos. Por\u00e9m, n\u00e3o existe espa\u00e7o para espontaneidade ou grandes desvios para o bem e para o mal.<\/p>\n<p>Continuei lendo sobre o assunto em outros sites e encontrei alguns dados que demonstram como as sociedades mais avan\u00e7adas possuem maiores \u00edndices de suic\u00eddio. \u00a0Em uma sociedade organizada em que tudo funciona, o peso da infelicidade pessoal diante da satisfa\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 muito mais forte. Todos os motivos para a infelicidade recaem na vida pessoal e ao comparar o n\u00edvel de sucesso da sociedade, as pessoas se sentem muito fracas e sozinhas.<\/p>\n<p>Resumindo os dois pontos levantados acima, podemos dizer que o indiv\u00edduo alcan\u00e7a maiores \u00edndices de felicidade no caos, assim como se sente menos pressionado\u00a0em um ambiente hostil.\u00a0Se o brasileiro consegue ser feliz com toda a viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o e desorganiza\u00e7\u00e3o, ele se sente um her\u00f3i. Se o europeu se sente infeliz mesmo com o Estado provendo sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura, transporte e at\u00e9 mesmo incentivo financeiro, ele \u00e9 um desastre de ser humano e deveria se matar.<\/p>\n<p>E a\u00ed entra um ponto levantado pelo historiador em outro texto que encontrei na Internet.\u00a0Leandro diz que dentre as suas prefer\u00eancias na hist\u00f3ria da humanidade est\u00e3o os Estados Unidos: \u201cEu tenho um profundo interesse na sociedade norte-americana, nas suas contradi\u00e7\u00f5es, na sua cultura, que produziu uma cultura mundial para o bem e para o mal. Problemas e solu\u00e7\u00f5es absolutamente interessantes\u201d.<\/p>\n<p>Os EUA encontraram o perfeito equil\u00edbrio entre o caos e a organiza\u00e7\u00e3o. Ao valorizar a cultura da n\u00e3o-intelig\u00eancia, o her\u00f3i Forrest Gump, o fast-food e Hollywood eles conseguiram eliminar a seriedade europeia sem cair na terra sem-lei. Uma sociedade que se considera a melhor do mundo, mas sabe rir dela mesmo como ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>A Alemanha \u00e9 o \u00e1pice da organiza\u00e7\u00e3o europeia e, qui\u00e7\u00e1, mundial. Berlim \u00e9 a capital e tamb\u00e9m a cidade menos alem\u00e3 do pa\u00eds. Esta falta de seriedade do berlinense \u00e9 uma luz no fim do t\u00fanel para a Europa e para o mundo. O modelo americano funcionou muito bem no s\u00e9culo XX, mas talvez o berlinense tenha a receita para a sociedade perfeita do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Para isso, a receita est\u00e1 em aumentar cada vez mais a mistura de culturas e backgrounds, deixando a cidade cada vez mais atrativa para os imigrantes. \u00c9 poss\u00edvel ver o grau de desenvolvimento de uma cidade pela quantidade de pessoas de fora que ela atrai. Assim foi com o Rio de Janeiro at\u00e9 a d\u00e9cada de 70 e assim \u00e9 com S\u00e3o Paulo hoje em dia. O mesmo serve para Nova Iorque, Londres ou Paris.<\/p>\n<p>Bagun\u00e7ar um pouco a Alemanha \u00e9 um desafio poss\u00edvel. Agora me pergunto: seria poss\u00edvel deixar o Brasil um pouco mais s\u00e9rio? N\u00e3o, seremos para sempre o pa\u00eds do futuro. A Lei de Gerson est\u00e1 no nosso sangue. O Brasil vai continuar sendo o pa\u00eds com as pessoas mais felizes do mundo com a sociedade mais fracassada da humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estava passeando pela Internet quando encontrei um v\u00eddeo de um historiador chamado Leandro Karnal. Nunca tinha ouvido falar deste senhor, mas o tema do v\u00eddeo me chamou aten\u00e7\u00e3o: o jeitinho brasileiro. No v\u00eddeo, o historiador explica que o jeitinho brasileiro \u00e9 uma maneira de negociar as regras. &#8220;\u00c9 como a lei do Rei, que todos &hellip; <a href=\"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/2015\/12\/14\/jeitinho-brasileiro\/\" class=\"more-link\">Continuar lendo <span class=\"screen-reader-text\">Jeitinho brasileiro<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/896"}],"collection":[{"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=896"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/896\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":899,"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/896\/revisions\/899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}