{"id":485,"date":"2015-11-01T15:49:17","date_gmt":"2015-11-01T15:49:17","guid":{"rendered":"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/?p=485"},"modified":"2015-11-02T12:12:14","modified_gmt":"2015-11-02T12:12:14","slug":"zwei-monate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/2015\/11\/01\/zwei-monate\/","title":{"rendered":"Zwei Monate\u00a0"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/12191346_834080120039228_8085314845239869147_o.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-505\" src=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/12191346_834080120039228_8085314845239869147_o-1024x683.jpg\" alt=\"12191346_834080120039228_8085314845239869147_o\" width=\"660\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/12191346_834080120039228_8085314845239869147_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/12191346_834080120039228_8085314845239869147_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/12191346_834080120039228_8085314845239869147_o.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em dois meses aqui tive que a reaprender a andar, falar e viver. Cada dia desde ent\u00e3o tem sido de intenso aprendizado. Hoje j\u00e1 chego nos lugares e falo meu alem\u00e3o macarr\u00f4nico, fa\u00e7o perguntas e quando n\u00e3o entendo j\u00e1 falo &#8220;Wie, bitte?&#8221; (Como, por favor?). O segundo m\u00eas foi o primeiro de adapta\u00e7\u00e3o, na verdade. Foi quando come\u00e7amos a ter uma rotina e a interagir com o &#8220;German Way of Life&#8221;.<\/p>\n<p>Foram dias dif\u00edceis tamb\u00e9m, dias em que o frio e o tempo chuvoso deixaram nosso humor um pouco cinza. Foi bom para aprendermos a valorizar os dias de sol e para nos prepararmos para o inverno. Um bom agasalho, uma bebida quente e um filme no Netflix ser\u00e3o fundamentais. Tivemos que investir um pouquinho na casa para deix\u00e1-la mais confort\u00e1vel e aconchegante. Com algumas idas \u00e0 Ikea, decoramos cada cantinho do apartamento.<\/p>\n<p>De longe, continuo acompanhando a situa\u00e7\u00e3o no Brasil. Ela parece ainda mais desanimadora para quem est\u00e1 vendo de fora. Mas tudo na vida passa e acredito que mais cedo ou mais tarde as coisas se ajeitam. Ou n\u00e3o. O que mais me entristece no Brasil \u00e9 a falta de puni\u00e7\u00e3o. Prevalece a ideia de que o roubo compensa. Crimes acontecem todos os dias em Berlim, mas a pol\u00edcia prende os bandidos e mesmo os pequenos crimes viram not\u00edcia de jornal. Outro dia um bandido puxou a bolsa de uma velhinha e saiu correndo. Foi preso pouco depois e o produto do roubo foi recuperado. O mesmo vale para a corrup\u00e7\u00e3o. O Deutsche Bank est\u00e1 envolvido em um grande esc\u00e2ndalo de fraude, assim como a Volkswagen. Em ambos os casos, os envolvidos est\u00e3o sendo investigados e j\u00e1 foram afastados de seus cargos. Os alem\u00e3es est\u00e3o envergonhados com a situa\u00e7\u00e3o. A Europa inventou a corrup\u00e7\u00e3o e seria no m\u00ednimo ing\u00eanuo imaginar que ela n\u00e3o continuaria existindo por aqui. O problema \u00e9 que a corrup\u00e7\u00e3o atravessou o oceano, mas a justi\u00e7a e as puni\u00e7\u00f5es n\u00e3o embarcaram nas caravelas.<\/p>\n<p>A barreira do idioma ainda \u00e9 grande, mas n\u00e3o \u00e9 intranspon\u00edvel. Como qualquer povo, o alem\u00e3o gosta quando o estrangeiro tenta falar a sua l\u00edngua. \u00c9 um sinal de respeito. O alem\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito polido e, como disse minha colega francesa, as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o muito bem educadas (ainda assim, 1.000 vezes melhor que no Brasil). Isto se reflete em adolescentes rebeldes e adultos sem tato social. Eles gostam de bater boca e tem at\u00e9 um cap\u00edtulo no meu livro do curso de alem\u00e3o sobre as t\u00e9cnicas de bater boca. O alem\u00e3o diz qualquer besteira com um tom de verdade absoluta. Cabe \u00e0 outra parte duvidar da afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles gostam desta rotina de discordar para depois concordar (aceitar). \u00c0s vezes, parece grosseria da parte deles. No in\u00edcio a gente acredita que eles est\u00e3o sempre certos e n\u00e3o discute. Depois de um tempo aqui voc\u00ea descobre que tem que questionar tudo. E nunca pode fazer cara de bonzinho. Eles agem assim com o Professor da Universidade, com amigos e colegas. N\u00e3o \u00e9 nada pessoal.<\/p>\n<p>A comida daqui foi a parte mais f\u00e1cil. O alem\u00e3o come bem e, para os padr\u00f5es europeus, a comida \u00e9 barata. Os produtos em geral s\u00e3o de boa qualidade e \u00e9 poss\u00edvel ter uma dieta bem variada. Mercados turcos e asi\u00e1ticos est\u00e3o por toda parte e \u00e9 poss\u00edvel comprar ingredientes do mundo inteiro sem sair do bairro.<\/p>\n<p>Independente do rumo pol\u00edtico do Brasil, o futuro do pa\u00eds depende da seguran\u00e7a. A falta de seguran\u00e7a faz com que o brasileiro seja um sobrevivente. Esta guerra tem que acabar um dia. O salto na qualidade de vida aqui est\u00e1 em poder andar pela rua, sair \u00e0 noite e fazer planos sem ter que se preocupar em ser morto, assaltado ou sequestrado. Ontem vi crian\u00e7as andando sozinhas por Dresden pedindo doces no Halloween. Vi tamb\u00e9m algumas adolescentes fantasiadas andando de metr\u00f4 \u00e0 noite. Isto no Brasil viraria uma noite de terror de verdade, infelizmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dois meses aqui tive que a reaprender a andar, falar e viver. Cada dia desde ent\u00e3o tem sido de intenso aprendizado. Hoje j\u00e1 chego nos lugares e falo meu alem\u00e3o macarr\u00f4nico, fa\u00e7o perguntas e quando n\u00e3o entendo j\u00e1 falo &#8220;Wie, bitte?&#8221; (Como, por favor?). 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