{"id":291,"date":"2015-10-05T20:21:53","date_gmt":"2015-10-05T20:21:53","guid":{"rendered":"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/?p=291"},"modified":"2015-10-05T20:23:17","modified_gmt":"2015-10-05T20:23:17","slug":"quanto-vale","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/2015\/10\/05\/quanto-vale\/","title":{"rendered":"Quanto vale?"},"content":{"rendered":"<p>Existe um efeito colateral da desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real que nao vejo ningu\u00e9m discutir. Venho pensando na dificuldade de comparar pre\u00e7os, controlar gastos e fazer pagamentos que o brasileiro enfrenta.<\/p>\n<p>Todo mundo anda com uma calculadora na bolso, ela se chama celular. E ningu\u00e9m tem vergonha de puxar a calculadora para ver quanto s\u00e3o treze menos sete. Neste universo de analfabetos funcionais, n\u00e3o podemos esquecer que a matem\u00e1tica nunca foi o ponto forte do brasileiro.<\/p>\n<p>Neste contexto, fica claro para mim que o brasileiro ter\u00e1 cada vez mais dificuldade de controlar seus gastos a medida que o Real vale cada vez menos. Isso sem considerar o efeito devastador da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a moeda forte, como \u00e9 o caso do Euro, os valores unit\u00e1rios dos produtos dificilmente chegam aos dois d\u00edgitos. Desta forma, \u00e9 mais f\u00e1cil fazer contas de cabe\u00e7a ou contar nos dedos os gastos. Com uma moeda de 2 euros voc\u00ea compra qualquer coisa na rua. \u00c9 poss\u00edvel, por exemplo, fazer escolhas mais conscientes de consumo. Com \u20ac 2 \u00e9 poss\u00edvel comer uma fatia de pizza em uma boa pizzaria. Com &nbsp;\u20ac 1,50 voc\u00ea compra uma garrafa de 300 ml de Coca-Cola na m\u00e1quina. Resultado: ningu\u00e9m toma Coca-Cola por aqui.<\/p>\n<p>E a mesma teoria vale para os servi\u00e7os mensais. O plano de celular custa \u20ac 9,90\/m\u00eas, a TV a cabo custa 9,90\/m\u00eas e assim vai. Fica f\u00e1cil de calcular os gastos no fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>No caso dos bens de consumo, a moeda forte permite economizar nos pequenos gastos para comprar algo grande. Um microondas custa \u20ac 50 ou 25 fatias de pizza. Viu como \u00e9 f\u00e1cil fazer conta com n\u00fameros pequenos? Enquanto isso no Brasil, as pessoas s\u00f3 conseguem controlar o valor da presta\u00e7\u00e3o que pagam, quando muito.<\/p>\n<p>A cultura alem\u00e3 de consumo consciente tamb\u00e9m est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 forma de pagamento. As lojas aqui raramente aceitam cart\u00f5es de cr\u00e9dito. A Ikea, loja de m\u00f3veis e decora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o aceita nenhum cart\u00e3o. Restaurantes tamb\u00e9m n\u00e3o aceitam. Assim, \u00e9 comum ver pessoas sacando \u20ac 500 no caixa do banco. E a\u00ed entra outro problema no Brasil: a seguran\u00e7a. Andar com quase R$ 2.500,00 no bolso no dia-a-dia n\u00e3o \u00e9 uma ideia muito boa.<\/p>\n<p>A moeda forte abre caminho para o uso de m\u00e1quinas para pagamentos. Tudo pode ser pago com moedas. Reduz tamb\u00e9m sensivelmente o custo no transporte de valores, tendo em vista que o mesmo caixa autom\u00e1tico utilizado no Brasil, por exemplo, armazena quase 5 vezes menos dinheiro que na Europa.<br \/>\nA moeda fraca abre espa\u00e7o para a infla\u00e7\u00e3o, para o endividamento e deixa ainda mais distante a educa\u00e7\u00e3o financeira para o povo. O pa\u00eds que n\u00e3o tem uma moeda forte deixa o seu cidad\u00e3o em desvantagem para competir em um mundo globalizado.<\/p>\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda \u00e9 um ingrediente cl\u00e1ssico nas receitas mais tradicionais para reverter uma recess\u00e3o. Mas como todo rem\u00e9dio, resolve um problema e cria outro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe um efeito colateral da desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real que nao vejo ningu\u00e9m discutir. Venho pensando na dificuldade de comparar pre\u00e7os, controlar gastos e fazer pagamentos que o brasileiro enfrenta. Todo mundo anda com uma calculadora na bolso, ela se chama celular. 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