{"id":1510,"date":"2016-03-05T18:30:06","date_gmt":"2016-03-05T18:30:06","guid":{"rendered":"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/?p=1510"},"modified":"2016-03-05T18:58:33","modified_gmt":"2016-03-05T18:58:33","slug":"arbeit-macht-frei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/index.php\/2016\/03\/05\/arbeit-macht-frei\/","title":{"rendered":"Arbeit macht frei"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<a href=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5889.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5889.jpg\" alt=\"\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta frase est\u00e1 na porta de v\u00e1rios campos de concentra\u00e7\u00e3o. A tradu\u00e7\u00e3o livre seria &#8220;O trabalho liberta&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje fomos at\u00e9 a cidade de Oranienburg, a pouco mais de 20 minutos de trem regional de Berlim. L\u00e1 fica o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Sachsenhausen. Alem\u00e3es, dinamarqueses e pessoas de outras nacionalidades foram aprisionadas, torturadas e mortas. Ao total, 35.000 pessoas foram executadas na c\u00e2mara de g\u00e1s ou torturadas at\u00e9 a morte. O local possu\u00eda tamb\u00e9m uma pris\u00e3o da Gestapo, para onde eram levados aqueles que tentaram se opor ao regime.<\/p>\n<p>&nbsp;<a href=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5878.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5878.jpg\" alt=\"\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta pequena maquete acima foi feita em uma caixa de charutos por um ex-prisioneiro. Cada barrac\u00e3o recebia at\u00e9 400 prisioneiros, que dividiam um banheiro e um lavat\u00f3rio que podia ser usado somente uma vez pela manh\u00e3 e uma vez pela noite.<\/p>\n<p>&nbsp;<a href=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5875.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5875.jpg\" alt=\"\"><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5876.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5876.jpg\" alt=\"\"><\/a><\/p>\n<p>Tivemos a oportunidade de conhecer a hist\u00f3ria do resgate dos prisioneiros escandinavos durante nossa visita \u00e0 Dinamarca. O governo sueco providenciou \u00d4nibus Brancos, como ficaram conhecidos, com enfermeiras e m\u00e9dicos a bordo para resgatar as pessoas que j\u00e1 estavam com a sa\u00fade muito debilitada. Muitos morreram de fome e de frio durante o rigoroso inverno da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<a href=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5879-1.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5879-1.jpg\" alt=\"\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao total, mais de 200.000 pessoas foram confinadas em Oranienburg. Muitos artistas e pol\u00edticos foram aprisionados, entre eles o ex-Primeiro-Ministro da Noruega Trygve Bratteli.<\/p>\n<p>&nbsp;<a href=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5874.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/tartamudo.antenor.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/img_5874.jpg\" alt=\"\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n<p>O impacto de entrar em um campo de concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre muito forte. Este \u00e9 o primeiro que visitamos na Alemanha. A magnitude de Auschwitz consegue ser ainda mais apavorante.<\/p>\n<p>Infelizmente o mundo n\u00e3o mudou nada de 1945 para c\u00e1. As pessoas continuam pregando a exclus\u00e3o e a segrega\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos, nacionalidades e etnias. Aqui na Europa e mesmo nos EUA, muitos defendem a constru\u00e7\u00e3o de muros e novos campos de concentra\u00e7\u00e3o para os refugiados e imigrantes.<\/p>\n<p>Estamos eternamente condenados a cometer os mesmos erros do passado. Os mesmos interesses continuar\u00e3o manipulando milh\u00f5es de pessoas a acreditarem na superioridade de seu pa\u00eds, etnia ou religi\u00e3o. O truque mais velho do livro \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento que um grupo d\u00e1. Nos sentimos mais fortes e protegidos quando estamos em grupo e, sem pensar duas vezes, passamos a acreditar nas divis\u00f5es impostas pelas conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os animais tamb\u00e9m se dividem em grupos para garantir territ\u00f3rio e alimento. Estamos, portanto, apenas reproduzindo este comportamento primitivo. E dificilmente vamos sair desse est\u00e1gio de evolu\u00e7\u00e3o t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p>Mas se em um mundo dividido em grupos, o equil\u00edbrio j\u00e1 \u00e9 praticamente imposs\u00edvel, em um mundo sem grupos estar\u00edamos em uma permanente guerra entre indiv\u00edduos. Mas sem um ex\u00e9rcito para defender seus ideais, os homens teriam que se contentar em negociar sua sobreviv\u00eancia ou eliminar pessoalmente os inimigos. Seria imposs\u00edvel terceirizar o trabalho sujo em um mundo individualista. Se quis\u00e9ssemos comer carne, por exemplo, ter\u00edamos que matar o animal.<\/p>\n<p>A partir do momento que terceirizamos nossos interesses, colocamos um pre\u00e7o nas nossas vontades e o valor que estamos dispostos a pagar \u00e9 o pre\u00e7o que colocamos em n\u00f3s mesmos. Em troca de prote\u00e7\u00e3o, poder, territ\u00f3rio e alimento, passamos a defender os interesses de um grupo. Pronto! Voltamos aos campos de concentra\u00e7\u00e3o, aos muros e \u00e0s guerras.<\/p>\n<p>Nao existe equil\u00edbrio na sociedade porque n\u00e3o existe equil\u00edbrio no indiv\u00edduo. Temos uma guerra acontecendo permanentemente dentro da gente. E mesmo se consegu\u00edssemos fazer parte de um \u00fanico grupo, se todos se considerassem somente terr\u00e1queos, ainda assim continuar\u00edamos nos matando. Porque, no fim das contas, toda bondade e toda maldade do mundo cabe dentro de cada um.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp; Esta frase est\u00e1 na porta de v\u00e1rios campos de concentra\u00e7\u00e3o. A tradu\u00e7\u00e3o livre seria &#8220;O trabalho liberta&#8221;. Hoje fomos at\u00e9 a cidade de Oranienburg, a pouco mais de 20 minutos de trem regional de Berlim. L\u00e1 fica o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Sachsenhausen. 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